sábado, 6 de junho de 2009
Juízo Final IV
Boa Leitura!
Para além de tudo, paira o problema mais grave. Assume maior seriedade, como se procurou sublinhar nas páginas que ficam para trás, a crise moral que os Portugueses atravessam, Como se manifesta? Por mil modos: pela recusa de ver os múltiplos perigos que os ameaçam; pela aceitação e procura constante da opção mais fácil; pela indiferença perante valores nacionais, sejam língua ou as fronteiras, sejam a cultura ou a história, sejam a própria soberania e a independência; pela convicção generalizada de que é irreversível e inevitável (como se em história houvesse o que quer que fosse de irreversível ou de inevitável, salvo o que depender de uma vontade firme) fazer o que os outros pretendem, ou legislam, ou recomendam; pela aplicação de conceitos que os grandes países imaginam ou propõem (mas que não aceitam para si mesmos); pela submissão passiva e inconsciente, e até alegre e eufórica aos interesses de terceiros (como se já fossem também os interesses dos Portugueses); pela insensibilidade perante quanto destrói ou pode destruir a raiz portuguesa e põe em causa o próprio cerne da nacionalidade; e enfim pela euforia, tão pueril quanto oportunista, tão crédula quanto materialista, com que se deixa arrastar na onda do internacionalismo, do integracionismo, na suposição de que os outros também o fazem, e sobretudo na crença de uma vida fácil e rica, que o será sempre e sem esforço, e seja qual for a origem da riqueza, seja qual for a subordinação criada. E neste transe os Portugueses parecem esquecer três aspectos fundamentais: Portugal não tem tipicidade suficiente para enfrentar sem defesa forças que atingem o seu cerne, e resistir-lhes, e sobreviver, continuando a ser Portugal; tem uma vulnerabilidade de interesses vitais que lhe consente apenas muito reduzido espaço de manobra, pelo que o seu comportamento perante terceiros tem que ser cauteloso e não pode sofrer desvios de monta; e não pode por isso cometer erros históricos, sob pena de ser esmagado e absorvido pelo turbilhão de forças exteriores. Tudo quanto Portugal perder, ou alienar, ou lhe for tomado, é irrecuperável: em termos territoriais, políticos ou económicos. Por outro lado, tanto que se prolonga esta viragem, de que se ocupam os Portugueses – na sua vida colectiva e na sua intervenção política? Afigura-se exacta esta síntese: empenhando-se em tudo que é imediato ou pessoal, ou de grupo, ou de partido; e transformando em problemas nacionais o que não passa de subtileza adjectiva. E deste modo parece de dizer que ou retornamos às raízes e retomamos a linha segura do nosso destino – ou seguimos pelo caminho de Bizâncio – substituindo os factos nossos pelos mitos dos outros.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Juízo Final III parte 2
Continuação do livro Juízo Final, capítulo as "As Querelas de Bizâncio ou o Retorno do Destino" parte III, parte 2 (devido ao tamanho)
Boa Leitura!
De passagem, os Bispos portugueses aludem à solidariedade europeia e à contribuição que Portugal pode dar. Depois sublinham: “Vamos ter necessidade de fazer um renovado esforço para avivar a consciência do valor insubstituível da nossa personalidade colectiva e do nosso património cultural: a história, a língua, a morigeração e o humanismo dos costumes, o folclore, o carácter hospitaleiro, a existência de uma larga rede de voluntariado patente na vida pastoral e em instituições como as Misericórdias e outras associações humanitárias: numa palavra, a nossa cultura e designadamente a nossa religião católica”. E depois, em resposta à carta pastoral dos Bispos comunitários, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinha aspectos que considera positivos – solidariedade entre países europeus, cooperação no plano tecnológico, outros ainda – e acentua seguidamente: “Não será sem riscos que se irá realizar a integração de Portugal (e de Espanha) na Comunidade Europeia”. Mais além. “Vós chamais com razão a atenção para o perigo que constitui para a nossa identidade nacional a entrada no Mercado Comum”. E todo o problema europeu é referido com mais pormenor em nota pastoral de Sua Eminência o Cardeal de Lisboa, Senhor Dom António Ribeiro, de 24 de Junho de 1985. Em súmula, que traços fundamentais foram destacados? Em primeiro lugar, qual o verdadeiro significado da unidade da Europa? Responde-se: “A Europa sonhada pela Igreja, a Europa sonhada pelos cristãos, não se limita a uma parte da Europa; é, sim, a Europa toda, na sua totalidade geográfica e na sua integridade humana e espiritual; nem se limita a algumas das experiências e organizações hoje existentes para prosseguir o ideal europeu, sem prejuízo do apreço que muitas delas merecem. Nesta perspectiva, as iniciativas de unidade europeia, que podem ser positivas, não observam nem esgotam a ideia e o ideal da Europa, que histórica e culturalmente abrange – e exige – a Europa Ocidental de S. Bento e a Europa Oriental evangelizada por S. Cirilo e S. Metódio, como vem acentuando o Papa João Paulo II. Nunca haverá verdadeira unidade europeia enquanto à Europa e aos seus valores faltar algum povo europeu, enquanto barreiras internacionais se erguerem entre os europeus”. Mais adiante, sublinha-se: “A unidade da Europa exige e determina, deste modo, a criação de um espaço comum de respeito pela vida, pela verdade, pela liberdade, pela solidariedade e pela justiça, no serviço das pessoas e da sua dignidade e na comunhão fraterna”. Depois: “O que não será possível enquanto, numa parte do continente, prevalecerem o materialismo prático e o egoísmo radical da civilização do prazer individualista, do bem-estar material ou da civilização do consumo e da libertinagem moral, numa sociedade alheia a valores éticos e, noutra parte, se afirmar a negação da liberdade religiosa, o totalitarismo do Estado, o materialismo militante ideologicamente imposto”. Mais além, a Nota Pastoral toca um ponto essencial: “A unidade da Europa não tem base geográfica, histórica, económica ou política, sem prejuízo da importância de tais dimensões”. E qual a grande divisão da Europa? Aquela que se produziu “entre os que se reclamam do Evangelho, consumada a partir da Reforma, foi o grande escândalo que dividiu entre si os Europeus”; e “refazer a unidade, no diálogo e na verdadeira fé, é assim caminho necessário da recristianização futura, reconstruindo a “casa divida””. E torna-se assim mais clara a atitude que o Papa João Paulo II assumiu no final da década de oitenta e inícios da de noventa, e do papel decisivo que a Santa Sé Apostólica desempenhou no colapso ideológico da Europa de Leste.
Neste contexto, e quanto aos Portugueses, que nos ensina a Nota Pastoral? Logo em abertura, diz-nos isto: “Portugal é essencial à Europa e só no respeito dos valores nacionais contribuirá para a construção de uma Europa unida”. E não se pense que “alguns valores ou ideais da Comunidade virão substituir ou suprir os seus valores próprios. Sem dúvida, o diálogo de civilização e o intercâmbio cultural são importantes; mas devemos antes aprofundar as características peculiares da maneira de ser portuguesa e cultivar as nossas diferenças regionais, que só enriquecem o património comum”. E então sublinha a Nota Pastoral: “Para que assim suceda, e para que o choque dos próximos anos estimule em vez de estorvar ou destruir, é necessário cultivar as virtudes do patriotismo são, adequando os nossos valores tradicionais às necessidades do futuro”. Só “seremos bem a Europa e bem a construiremos se nela nos afirmamos como os portugueses que somos. A maior abertura ao exterior não pode traduzir-se na perda da capacidade de tomarmos decisões por nós mesmos e segundo os nossos critérios, com independência e originalidade. Erro grave seria pensar que uma maior integração europeia pode substituir as respostas nacionais; antes as reclama mais vincadas e pronunciadas. Erro seria também pensar que a Europa se constrói na uniformização, quando ela exige a afirmação concordante e harmoniosa das diversidades”. E os Portugueses são ainda prevenidos contra outros perigos. Designadamente a burocracia e o economicismo tecnocrático da Comunidade. E não devem os Portugueses estar na Europa sem “a definição clara dos projectos nacionais sem saber o que querermos só nos empobreceremos, a nós e à construção europeia; pois tais respostas, se não as encontrarmos, ninguém as dará”. E enfim “não deve esquecer-se que a actuação em Portugal das instâncias comunitárias dá voz suprema, em muitos domínios, a órgãos supranacionais. Acresce o risco de que a crise do sistema produtivo e o livre acesso à propriedade de bens de produção transfira largamente a propriedade e a decisão, em muitas unidades do sistema produtivo, para entidades estrangeiras ou multinacionais, frequentemente agindo fora do território português. A difícil compatibilidade dos interesses e do poder de decisão do povo português com situações de dependência coloca uma questão que tem de ser responsavelmente enfrentada. A cooperação internacional é um bem, mas só se for exercida – repetimos – no respeito pela identidade nacional”.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Juízo Final III parte 1
Boa Leitura!
Não cabe repetir aqui, nesta síntese e neste juízo final, quanto foi lembrado ou sugerido nas páginas que ficam para trás. Fiéis à nunca desmentida tradição, sempre bem documentada pela crónica histórica, o Mundo, a Europa, Portugal têm vivido nesta época de transição os seus sonhos, os seus anseios, os seus mitos em suma. Não é evitável o facto, não acarretaria mal para os homens se estes não lhes atribuíssem crédito cego, ou deles não fiassem o progresso, a liberdade, a felicidade eterna; e se não cruzassem os braços perante todo o esforço. Então podem sobrevir perigos. E estes são tanto mais graves quanto mais vulnerável for uma comunidade nacional, e mais cercada de riscos e ameaças estiver. Temos de ver, de repetir, de repisar que este é o caso de Portugal. E tomar plena consciência desta realidade é condição para a superar.
Em muitos passos se procurou sublinhar o teor dos perigos que rodeiam os Portugueses. Alguns têm a natureza episódica, e resultam precisamente da mitologia da época, e da entrega que lhe fazemos. Outros são consequência das atitudes dos Portugueses, e das suas características. Oportunismo, falta de sentido crítico, a já sublinhada ausência de autonomia mental, espírito utilitarista, obsessão com o imediato, carácter facilmente impressionável e influenciável, recusa a sacrifícios. E há por último os perigos que têm a sua raiz numa fatalidade geográfica: esta é insuperável: mas por acto de vontade firme e esclarecida dela nos temos defendido, e nos poderemos continuar a defender, se quisermos. Perante todos estes quadros de risco, são frágeis os nossos mecanismos de defesa. Em muitos campos, dir-se-iam mesmo inexistentes. Mas num terreno essa falta de sobrepõe a todos os demais, e aí se podem jogar os destinos dos Portugueses: o da defesa continuidade e projecção da identidade portuguesa. (Repete-se: a identidade portuguesa para subsistir, supõe o enquadramento nacional; e este implica por seu turno um Estado independente e soberano). E a pergunta, em que tudo o mais se concentra e se resume, parece ser esta: encontra-se a identidade portuguesa ameaçada?
Para maior objectividade, afigura-se preferível buscar noutros a resposta. Perante o que se tem designado pela participação ou identificação de Portugal com a Europa, e o contacto desprotegido com forças, culturas, princípios, ambições, estratégias, objectivos alheios – de vizinhos imediatos e de outros que o não são – encontra-se Portugal largamente desguarnecido, insensível ao deslizar, talvez lento mas firme, para transformações que podem atingir o seu cerne até à destruição. E assim não tem mecanismos de defesa: porque estes não surgem por acção espontânea em sociedades civis frágeis e porque as elites, por talvez não sentirem já Portugal, não suscitam a sua criação, e tem esta por inútil ou ridícula, quando não se lhe opõem. E assim está em jogo a identidade total do Portugueses – no plano cultural como político, no económico como sociológico. E ao aniquilamento da identidade portuguesa segue-se naturalmente, inevitavelmente, o aniquilamento de Portugal como povo autónomo, soberano, independente. Por outras palavras: como país, como Nação, como Estado. Para muitos em Portugal este arrazoado suscita um sorriso compassivo, próprio do desdém intelectual que é inerente às mentalidades muito altas e muito superiores. Para além das fronteiras, todavia, há também homens de consequência e de vasta compreensão; e estes, sem embargo de não serem portugueses, apercebem-se nitidamente da crua realidade que cerca estes. Pela comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia foi dirigida à Conferência Episcopal Portuguesa uma carta em que o problema é focado com nitidez(1985). Dizem os Bispos da Comunidade aos seus pares portugueses: a passagem da Comunidade de dez para doze membros representa um desafio, mesmo que se possa esperar da integração na CEE um novo impulso para o desenvolvimento económico e a redução de certas situações de pobreza, a preocupação da concorrência económica pode polarizar toda a existência e o materialismo aumentar ainda mais, E escrevem textualmente os Bispos da Comunidade aos Bispos de Portugal: “Nós compreendemos que partilhais alguns receios a esse respeito, bem como o de ver a Comunidade não transmitir-vos apenas o que tem de bom”. E acrescentam os Bispos estrangeiros: “É natural que também vos interrogueis sobre se esta integração europeia não comportará um certo risco para os valores que constituem a vossa identidade histórica, cultural e espiritual”. E neste particular como se pronunciaram os Bispos de Portugal? Em nota pastoral, emanada do Conselho Permanente da Conferência Episcopal, citam-se palavras de João Paulo II: “Depois de vinte séculos de história, não obstante os conflitos sangrentos que os povos da Europa enfrentaram e apesar das crises espirituais que marcaram a vida do continente – até pôr à consciência do nosso tempo graves interrogações sobre a sua sorte futura – deve afirmar-se que a identidade europeia é incompreensível sem o Cristianismo e que é precisamente nele que se encontram aquelas raízes comuns a partir das quais maturou a civilização do continente, a sua cultura, o seu dinamismo, a sua actividade, a sua capacidade de expansão construtiva também nos outros continentes; numa palavra, tudo o que constitui a sua glória”. (Continua)
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Juízo Final II
Boa Leitura
Em todos os tempos se atribuíram mitos os indivíduos, as sociedades, os povos, e não se eximiram a esta lei os Portugueses, nem tinham por que o fazer. É complexa a estrutura do mito, na sua origem e na sua expressão, e nenhum conceito seguro parece possível. É um sonho, ou desejo, ou anseio, ou esperança, ou expectativa de milagre; é um quadro que se concebe, por vezes de contornos vagos, e que é todo idealizado e construído pela imaginação, em torno de sentimentos, ou emoções, ou ambições, ou mesmo de fé religiosa; pode o mito ser erguido em redor ou a partir de um acontecimento real que depois é acrescentado, distorcido, embelezado, vendo-se nele virtualidades que não possui; os seus alicerces podem entroncar em lendas remotas, em mistérios, em fenómenos não verificados mas transmitidos como factos de geração em geração; e em qualquer caso há na aceitação do mito uma dádiva, uma entrega a forças transcendentes, não observáveis nem controláveis. De todos os mitos, talvez o mais arreigado e constante, para os Portugueses, haja sido o do sebastianismo, ainda que no decurso da história tomasse nomes diversos consoante épocas e sucessos. Diferente do mito é a mística. Esta pode também ser influenciada por aqueles pressupostos; mas vai além, e muito além. E em que consiste e como se manifesta? Pela valorização dos grandes símbolos nacionais (todos os países os possuem e valorizam), e que resultam da história; pela fé no destino próprio; pela vontade de cumprir esse destino, e de o defender; pelo sentido de dever e de missão; pela solidariedade; pela coragem serena em resistir; e rejeitar o que se oponha à afirmação nacional; e pelo cumprimento incondicional das obrigações cívicas e nacionais, por si mesmas e independentemente do que outros fizerem ou deixem de fazer. Este sentimento de mística, assim encarado, identifica-se com a nação, se a sociedade civil tem as características de um organismo saudável e activo; e atenua-se ou perde-se, em sociedades civis decadentes, que deixaram de acreditar em si mesmas. Neste ponto, como se comportam os Portugueses nesta transição de um milénio para outro? É facto consensual que a nação portuguesa atravessa crise profunda. Na origem desta encontramos a ruptura provocada, e que foi acaso pensada como um projecto. Ultrapassada essa fase, outros factores estão presentes neste final de século.
domingo, 31 de maio de 2009
Juízo Final I
Boa Leitura!
Na verdade, a pergunta é: e o Homem português? Acaso se aproxima do fim? Chegou ao termo do seu papel histórico? Cumpriu o destino que lhe foi assinado pela Providência? Poderá avançar-se até ao extremo de se dizer que se advinha indícios daquele fim e que este está no horizonte? Decerto: um tipo tradicional de homem português foi desfeito: nisso consistiu a ruptura. Até agora, porém, não ultrapassou aquela fronteira. Aliás, pelo o mundo além e em Portugal, o marxismo-leninismo admitiu e confessou a sua falência em criar o homem novo. Importa agora averiguar em que situação se encontra o Homem português como tipo histórico. Já se viu que possui raízes bastantes à sua sobrevivência e continuidade. Mas detém outros requisitos essenciais? Tem vontade firme e energia para a sua afirmação? Tem consciência dos riscos que o cercam, das ameaças que enfrenta, das forças internas e externas que o podem destruir? Tem a noção dos graves perigos que atravessa na época que está vivendo? Tem a solidariedade suficiente para que seja coesa, e assim se manifestasse e se faça respeitar aquela vontade? Estão os Portugueses dispostos aos esforços indispensáveis à salvação do Homem português? Mil outras perguntas, de matiz semelhante, se poderiam formular. E poderá dar-se-lhes uma resposta que parece válida para todas: se o povo português não quiser seguir o caminho de Bizâncio, haverá de reganhar vigorosamente a consciência nacional. É esta que se tem diluído e aviltado. Uma nação é uma realidade, diferenciada das demais, e antes de tudo deve ser uma realidade para os seus próprios nacionais. Estes têm, ou devem ter, uma imagem do seu passado, um perfil do seu presente, uma perspectiva do seu futuro; e de tudo decorre, ou deve decorrer, uma consciência das suas raízes, uma percepção dos seus interesses permanentes, um conhecimento dos seus meios, um quadro dos seus objectivos. Sobretudo quando bem antiga, uma nação não é o dia que vive, nem mesmo o dia seguinte: é o conjunto dos séculos passados, é a preparação constante para os séculos que hão-de vir. Convêm repisar: tudo o que é, assenta em tudo o que foi. Já foi dito, mas convém repeti-lo: uma nação é um sistema de segredos, um acervo de cumplicidades, um conjunto de certezas íntimas, de que partilham todos os seus nacionais, ou ao menos a sua maioria. Quando não circulam os segredos entre o povo, quando a cumplicidades encontra hesitações ou sofre quebras, e quando as certezas deixam de ser comuns ou sentidas em comum, então obnubila-se a consciênçia nacional, enfraquece a vontade, anuvia-se o espírito de resistência, degrada-se a nação; e esta passa mesmo a compreender e a dar razão às forças de desagregação que podem destruí-la, e que no caso de Portugal, vulnerável como é, podem absorvê-lo Acontece assistir-se a acontecimentos e crises - instabilidades de governos, lutas pelo o poder dentro de partidos políticos, acusações e contra-acusações de corrupção ou de incompetência, insatisfação de classes, frustração colectiva, atitudes assumidas a esmo - e tudo se atribui a factores ocasionais, a defeitos de instituições, a vícios do carácter de alguns homens, a erros de prática política; e na verdade todos estes elementos representam o seu papel, e pode ser grave a sua influência; mas no fundo de tudo há um relacionamento de causa e efeito, que não é imediatamente óbvio mas nem por isso é menos real, entre a perda ou a tibieza da consciência nacional e o esbarrondar da sociedade civil, que se quereria diferenciada e autónoma. Ignorados os segredos da grei, recusadas as cumplicidades colectivas, destruídas as certezas comuns, nada mais resta: é o princípio do fim: pode ser o próprio fim. Em 1939-1949, foi derrotada a França porque se dividiu contra si mesma, e perdeu um sentimento comum perante o perigo: mas o sucesso da resistênca francesa posterior contra a ocupação germânica assentou precisamente numa cumplicidade colectiva, num segredo de todos conhecido e por todos atacado, numa consciência quase unânime do sacrifício de alguns ou de muitos para futura sobrevivênçia de todos. Reflexão idêntica se deve fazer quanto a outros povos, naquela altura histórica: nos mesmo pressupostos psicológicos e políticos se firmou uma defesa britânica tão indómita quanto foi maciço o ataque alemão; igual raiz teve a bravura russa que, à parte os erros cometidos pelos nazis e o auxílio aliado ocidental, encontrou no apelo aos valores essenciais da Rússia antiga a mais sólida justificação para triunfar dos sofrimentos às mãos do invasor; e são ainda os mesmos pressupostos fundamentais que explicam a resistência germânica, prolongada em termos de um quase desespero de fim do mundo. Em qualquer caso, e mesmo sem recurso a exemplos tão extremos, o enfraquecimento do patriotismo (que não tem nem deve ser agressivo) é sintoma de grave enfermidade no cerne de qualquer país. É também indício de decadência moral a prioridade de problemas partidários ou de grupo sobre problemas nacionais, e acontece que não raro os partidos políticos consideram como de interesse nacional o que é somente de interesse eleitoral: idílico e risonho, em que todos lhe querem bem, e em que não corre perigos, nem suscita invejas ou adversões, nem defronta ameaças; mas essa não é a realidade; e tudo traduz o alheamento do quadro nacional, que já se não considera como a melhor protecção dos interesses individuais e colectivos. Para que possa ser forte, independente, livre e duradoura, uma sociedade civil tem de adoptar e praticar uma política de contrato nacional. Neste particular como se comporta o Homem português neste termo de século e milénio?
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Cristo Vence
O objectivo para a existência da ordem 'Cristo Vence', é a santificação das Famílias ou de pessoas individuais que pertencem à Ordem, num Mundo onde as sociedades e os Valores pelos quais se regem são cada vez mais Anti-Cristãos. Ou seja a Santificação é o principal objectivo, mas também, à medida que as comunidades aumentarem, a diminuição do peso que a sociedade impõe para o caminho da Santidade. Este então é o segundo objectivo, o transformar a sociedade na qual está inserida, numa sociedade cada vez mais Cristã, através do conhecimento exacto da Fé e História Cristã, como de outras disciplinas dos campos da ciência, para que possámos ensinar através dos vários meios de comunicação, de conferencias, revistas, rádio, sites, blogs, livros, etc.. submissos à Doutrina de Sempre da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Este ponto será vital para a vida da Ordem pois será daqui que sairá dinheiro para a sua sustentação, mas mais importante serão os Frutos que este trabalho produzirá na sociedade, e como principal objectivo, acabar com a laicidade ou com o estado laico, pois como muito bem diz a doutrina da Santa Igreja, os Estados têm o dever de professar a Verdadeira Religião. Outro campo de trabalho da ordem será a Caridade Cristã, como o abrigo, o alimento físico e Espiritual, o combate contra a solidão, resumindo, as obras de misericórdia serão as nossas guias. O terceiro e último objectivo, no entanto muito importante, é a vivência em Comunidade, por parte das famílias que a constituem-na. Reconhecendo as várias vocações como o trabalho, o ensino, a caridade, a oração, o estudo, todos contribuirão Materialmente ou Espiritualmente. Quanto à propriedade individual, Direito Natural reconhecido por todos, no entanto para os Cristãos que vivem como Cristo, não do Mundo, mas no Mundo, partilharão os bens essenciais,(é obvio que não são todos), e estes serão de todos, que pertencem às comunidades 'Cristo Vence', assim faziam os primeiros Cristãos, e foram Santos.
As Famílias ou indivíduos, que pertencerem à Ordem, terão que mudar-se para uma casa na Comunidade, terão direito à sua privacidade, na sua casa, que será proporcional ao tamanho da Família. Resumindo as Famílias ou pessoas individuais, entrarão para esta ordem, não para fugir da sociedade, mas para tomar o caminho da Santidade na sociedade e ao mesmo tempo Santificando-a, vivendo em Comunidades, pois os seus esforços e esperanças são só um 'Cristo Vence'. As comunidades serão constituídas, por um Edifício grande, ou por vários Edifícios, onde terão as várias casas para as famílias, os espaços para estas conviverem, salas de trabalho, auditórios, bibliotecas e outros espaços para os trabalhos da comunidade, para além dos espaços exteriores se possível com Igreja.
As pessoas ou famílias que queiram entrar para a Ordem terão que ser Cristãos Católicos Apostólicos Romanos fiéis ao Santo Papa, terão que conhecer a doutrina e a Fé Católica, não podendo ser filiados em organizações Anti-Católicas como a Maçonaria, sendo o seu objectivo de vida a Santificação da sua alma, e a conversão dos pecadores, a eliminação das forças do mal na sociedade, ou seja, terão que ser Cristãos Militantes para Cristão Atrevimentos. As pessoas que pertencerem à comunidade, poderão manter o seu trabalho na sociedade, no entanto se preferirem trabalharem para a Ordem, contribuindo sempre, mas de maneiras diferentes para a sustentação da ordem. No entanto será obrigatório para todas as pessoas da Ordem, assistir sempre que possível, diariamente a Santa Missa, como também rezar do Santo Rosário para a santificação da sua alma, e ter o cuidado de aprender sempre mais sobre a Fé e a Doutrina da Igreja Cristã e pô-la em prática no dia a dia.
É óbvio que esta Ordem não existe, mas os Cristãos cada vez mais atacados pelas bestialidades deste mundo, hão-de procurar outros Cristãos, e estes a outros, pois é um direito defender-nos, ainda que os erros sejam muitos, a Verdade é só uma, Jesus Cristo precisa de nós, precisa de Santos, para o bom combate. Unidos na Fé, sejamos como a Verdade una, que vence todos os erros.




