Como vimos na anterior postagem, o Universo revela uma inteligênçia acima de qualquer inteligênçia Humana, no entanto, o Ser Humano vê-se impelido a responder à pergunta da existênçia do mal, que é um contra-senso à existênçia de um ser inteligentíssimo bom! Por isso desde os primórdios da civilização até aos dias de hoje, existe uma doutrina chamada Gnose, que continua a influênçiar o pensamento do homem, que afirma que Deus, ou o criador do Universo é mau, assim sendo a criação também é má, contrariando a Bíblia que diz "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom;" Génesis 1:31 Para resolver esta questão, primeiro precisamos saber o que é o Bem, e o que é o Mal, coisa que fazemos todos os dias com o nosso senso comum, como por exemplo ao avaliar a vista de um cego, dizemos que é má, ao contrário, a vista de uma pessoa que vê, é boa. Aqui mesmo, sem precebêmos, já dissémos o que é o bem e o que é o mal, de uma forma muita sintetizada, o Bem neste caso é a vista, e o mal é não ter vista, ou seja a existênçia da vista é um bem, comparado com a não existênçia da vista num determinado ser, nesta caso no homem, podia ser num animal qualquer, que era a mesma coisa.. assim concluíremos que é um bem a existênçia de uma determinada perfeição, como ouvir, sentir, cheirar, força, energia, podemos descer nas perfeições, mas concluíremos que é bom igualmente ter dinheiro, casa, carros, ou então subir nas perfeições e vêmos que também é bom sermos justos, inteligentes, corajosos, etc.. Assim vemos que existe uma hierarquia de Bens, o Homem como tendo mais perfeições do que um animal, pois este não é racional, o Homem em si é um bem maior, pois é um ente com mais perfeições, do que qualquer animal, é melhor ser Homem do que apenas animal, e assim São Tomás de Aquino chegou a Deus, o Ser por excelênçia no qual existem todas as perfeições, assim Deus é o Bem, pois é o que existe. Não podia ser o mal, pois o mal é o que não existe, e o que não existe jamais pode originar existênçia, assim não existe mal absoluto, porque o mal absoluto é nada, tudo o que chamámos de mal, como a cegueira, é apenas a falta de vista, falta deste bem, como são as trevas falta de luz, ou o frio falta de calor, etc.. Agora a existênçia do mal no nosso mundo que só pode ser mal relativo, existe devido ao livre Arbítrio que o Homem possui, e o mal(relativo) entra no mundo quando o Homem escolhe um bem menor do que um bem maior, assim quanto mais o Homem afasta-se do Bem por excelênçia, Deus, maior mal existirá no mundo, pois menores são os bens, longe de Deus. Por exemplo, sabemos que existe uma Lei Natural, e por existir é boa, mas quando o homem não obedece, como no caso dos homosexuais, a ordem do bem é de tal ordem violada, pois tamanha é a diferença do bem, entre as duas escolhas, que o mal feito é muito grande, e é assim entre muitos exemplos que o mal entra no mundo. Assim vemos que a criação é boa, porque existe, seria má se não existisse, mas não teria lógica porque não existiria no primeiro lugar. Agora a Gnose, crê num mundo dualista, com dois absolutos, o Bem e o Mal, sendo que o criador deste mundo era mau, criando-o para nos preendermos na matéria, no entanto nós evoluíriamos até alcançarmos a verdadeira divindade, se negássemos a verdade, a bondade, e a beleza deste mundo, porque este nos engana e nos prende. Mas como a recta razão diz e visto acima, isto são apenas fábulas, mas eles dizem que a razão também nos engana, pois é por meio dela que o Criador nos engana, e só nos libertaríamos pela a intuição e experiênçias 'místicas'. Agora só falta ver um ponto, porque Deus permitiu que o Mal entrasse no Mundo? Como diz Santo Agostinho "Do mal dos pecadores Deus extrai um bem maior" ou como um pintor utiliza o contraste das cores para destacar a sua obra, Deus utiliza-se do mal dos pecadores, para fazer sobressair os Bons! Assim nem os maus fogem à ordem querida por Deus.. pois são como fogo que purifica os Bons, como este purifica o Ouro!terça-feira, 9 de junho de 2009
Deus é Bom ou Mau?
Como vimos na anterior postagem, o Universo revela uma inteligênçia acima de qualquer inteligênçia Humana, no entanto, o Ser Humano vê-se impelido a responder à pergunta da existênçia do mal, que é um contra-senso à existênçia de um ser inteligentíssimo bom! Por isso desde os primórdios da civilização até aos dias de hoje, existe uma doutrina chamada Gnose, que continua a influênçiar o pensamento do homem, que afirma que Deus, ou o criador do Universo é mau, assim sendo a criação também é má, contrariando a Bíblia que diz "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom;" Génesis 1:31 Para resolver esta questão, primeiro precisamos saber o que é o Bem, e o que é o Mal, coisa que fazemos todos os dias com o nosso senso comum, como por exemplo ao avaliar a vista de um cego, dizemos que é má, ao contrário, a vista de uma pessoa que vê, é boa. Aqui mesmo, sem precebêmos, já dissémos o que é o bem e o que é o mal, de uma forma muita sintetizada, o Bem neste caso é a vista, e o mal é não ter vista, ou seja a existênçia da vista é um bem, comparado com a não existênçia da vista num determinado ser, nesta caso no homem, podia ser num animal qualquer, que era a mesma coisa.. assim concluíremos que é um bem a existênçia de uma determinada perfeição, como ouvir, sentir, cheirar, força, energia, podemos descer nas perfeições, mas concluíremos que é bom igualmente ter dinheiro, casa, carros, ou então subir nas perfeições e vêmos que também é bom sermos justos, inteligentes, corajosos, etc.. Assim vemos que existe uma hierarquia de Bens, o Homem como tendo mais perfeições do que um animal, pois este não é racional, o Homem em si é um bem maior, pois é um ente com mais perfeições, do que qualquer animal, é melhor ser Homem do que apenas animal, e assim São Tomás de Aquino chegou a Deus, o Ser por excelênçia no qual existem todas as perfeições, assim Deus é o Bem, pois é o que existe. Não podia ser o mal, pois o mal é o que não existe, e o que não existe jamais pode originar existênçia, assim não existe mal absoluto, porque o mal absoluto é nada, tudo o que chamámos de mal, como a cegueira, é apenas a falta de vista, falta deste bem, como são as trevas falta de luz, ou o frio falta de calor, etc.. Agora a existênçia do mal no nosso mundo que só pode ser mal relativo, existe devido ao livre Arbítrio que o Homem possui, e o mal(relativo) entra no mundo quando o Homem escolhe um bem menor do que um bem maior, assim quanto mais o Homem afasta-se do Bem por excelênçia, Deus, maior mal existirá no mundo, pois menores são os bens, longe de Deus. Por exemplo, sabemos que existe uma Lei Natural, e por existir é boa, mas quando o homem não obedece, como no caso dos homosexuais, a ordem do bem é de tal ordem violada, pois tamanha é a diferença do bem, entre as duas escolhas, que o mal feito é muito grande, e é assim entre muitos exemplos que o mal entra no mundo. Assim vemos que a criação é boa, porque existe, seria má se não existisse, mas não teria lógica porque não existiria no primeiro lugar. Agora a Gnose, crê num mundo dualista, com dois absolutos, o Bem e o Mal, sendo que o criador deste mundo era mau, criando-o para nos preendermos na matéria, no entanto nós evoluíriamos até alcançarmos a verdadeira divindade, se negássemos a verdade, a bondade, e a beleza deste mundo, porque este nos engana e nos prende. Mas como a recta razão diz e visto acima, isto são apenas fábulas, mas eles dizem que a razão também nos engana, pois é por meio dela que o Criador nos engana, e só nos libertaríamos pela a intuição e experiênçias 'místicas'. Agora só falta ver um ponto, porque Deus permitiu que o Mal entrasse no Mundo? Como diz Santo Agostinho "Do mal dos pecadores Deus extrai um bem maior" ou como um pintor utiliza o contraste das cores para destacar a sua obra, Deus utiliza-se do mal dos pecadores, para fazer sobressair os Bons! Assim nem os maus fogem à ordem querida por Deus.. pois são como fogo que purifica os Bons, como este purifica o Ouro!segunda-feira, 8 de junho de 2009
O Homem pode conhecer Deus
"Porquanto, o que de Deus se pode conhecer está à vista deles, já que Deus lho manifestou. Com efeito, o que é invisível nele, o seu eterno poder e divindade - tornou-se visível à inteligênçia, desde a criação do mundo, nas suas obras. Por isso, não se podem desculpar." Romanos 1,19:20Segundo a Bíblia, o Homem criado à imagem e semelhança de Deus, consegue por meio da sua inteligênçia chegar ao conhecimento de Deus, até ao ponto de não haver desculpa para quem o ignorasse. Pois o Homem, ser Racional, consegue entender a harmonia e ordem, como a beleza e o bem das coisas criadas, porque "Deus tudo fez com medida, número e peso."(Sab. XI, 21) até ao ponto de Jesus dizer "Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados." (Mt 10.30.) , de tal modo é a Inteligênçia de Deus, que Albert Einstein disse "As leis do Universo revelam uma inteligênçia de uma tal superioridade, que comparado com ela todo o pensar humano é insignificante" e Prof. Plinio Correia de Oliveira ao louvar a sua sabedoria disse "Deus fez os astros suficentemente grandes para mostrar o seu poder, mas os colocou suficientemente distantes para que fossem proporcionais aos Homens, e assim mostrou a sua sabedoria." além de ser tudo belo, pois tudo tem medida e proporção como diz Santo Agostinho "Quando a razão percorre o céu e a terra, descobre que nada lhe agrada fora da beleza; e na beleza, as figuras; nas figuras as dimensões; nas dimensões os números" (cf. Santo Agostinho, "De Ordine", II, XV, 42). e Platão mostra no seu livro da República que os objectos tangíveis, são uma imagem do intangível, ele percebeu que o Sol falava de Deus, ao associá-lo à ideia de Bem, ele leu o universo pois este é como um livro que fala sobre o transcendente. Santo Tomás de Aquino seguindo os passos de Aristóteles, demostra através da razão que é possível provar a existênçia de Deus, com as suas famosas 5 vias que são o Primeiro Motor Imóvel, a Causa Primeira, Ser Necessário, Ser Perfeito e Inteligênçia Ordenadora. Como diz William Paley "Se alguém andando por um campo encontrar um relógio no chão, não lhe passará pela cabeça, que tenham sido as forças da natureza que o produziram. Atribuirá sua existênçia, sem sombra de dúvida ao trabalho de um relojoeiro e considerará de débil mental quem opte pela primeira hipótesse. Nesse relógio, cada peça tem sua função, e se uma só delas faltar ou estiver deslocada o relógio não funcionará correctamente. Ora a ordem do universo inaminado e dos seres vivos é incomensuravelmente mais complexa do que um relógio, logo um inteligênçia superior a desenhou".
"pela grandeza e formosura da criatura se pode visivelmente chegar ao conhecimento do seu criador" (Sab., XIII, 3 e 5)
sábado, 6 de junho de 2009
Vocação de Portugal
"E o homem Português?" De facto o homem português foi se moldando ao longo da sua história por interesses comuns, aspirações comuns sonhos comuns, foi sempre um povo, e só por isso que justifica a existência do Estado Português, e principalmente quis a providencia! Assim bradaram os nossos antepassados "Real ! Real ! Por Afonso, alto rei de Portugal!" em Ourique , depois da vitória impossível (D. Afonso Henriques, com 10.000 infantes e 1.000 cavalos, a 400.000 maometanos, isto pelo cômputo de quem mais abate este número, que outros o sobem a 600.000(1)) contra os inimigos da Cruz, representada na nossa bandeira pelas quinas!Quis a providencia fundar Portugal "Sobre ti e tua descendência, estabelecerei um império meu, por cujo meio seja publicado o meu nome entre as Nações mais estranhas" (Cristo,Ourique) para levar fé a novos mundos, pois para Portugal "Ser Luz do mundo nos outros homens, é só privilégio da graça, nos portugueses é também obrigação da natureza(2)" mas uma vocação não nasce sem tremor, mas Deus a confirmou por meio de S. Nuno de Santa Maria, o Condestável, expulsando os Castelhanos, que não compreendem Portugal, pois "Deus quer, os homens sonham, a obra nasce!"(F. Pessoa) assim Portugal lançou-se na epopeia "Ó mar salgado, quanto de teu sal são lágrimas de Portugal ! Por ti Cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram,quantas noivas ficaram por casar para que tu fosses nosso, ó mar ! Valeu a pena ? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena ! Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor ! Deus, ao mar, o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu!" (Fernando Pessoa, Mar Português) "E por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra; para nascer Portugal, para morrer o mundo. Perguntai a vossos avós quantos saíram e quão poucos tornaram? Mas estes são os ossos de que mais se deve prezar o vosso sangue.(2)"
E Hoje, onde estão os ventos de Ourique, que levaram as caravelas a "dar novos mundos ao mundo(2)"com a Cruz nas suas frontes que Portugal tão heroicamente carregou, para a levar aos povos, pois nossa vocação é "Ser luz do mundo" pois já o nosso nome o diz "LUZitânios" assim seremos Portugueses, mas é este Portugal que hoje agoniza e com ele nós todos. Mas o Autor da Graça, convida-nos a combater, foi por isso que Nos deu as suas cinco chagas as suas cinco armas, as quinas que desde o nascimento de Portugal, as carrega para lutar contra os inimigos da Fé, assim se faz Portugal "Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem(2)"
(1) http://ascruzadas.blogspot.com/2009/05/as-armas-portuguesas-contra-os.html
(2) P. António Vieira - Sermões de Santo António
(2) P. António Vieira - Sermões de Santo António
Juízo Final IV
Boa Leitura!
Para além de tudo, paira o problema mais grave. Assume maior seriedade, como se procurou sublinhar nas páginas que ficam para trás, a crise moral que os Portugueses atravessam, Como se manifesta? Por mil modos: pela recusa de ver os múltiplos perigos que os ameaçam; pela aceitação e procura constante da opção mais fácil; pela indiferença perante valores nacionais, sejam língua ou as fronteiras, sejam a cultura ou a história, sejam a própria soberania e a independência; pela convicção generalizada de que é irreversível e inevitável (como se em história houvesse o que quer que fosse de irreversível ou de inevitável, salvo o que depender de uma vontade firme) fazer o que os outros pretendem, ou legislam, ou recomendam; pela aplicação de conceitos que os grandes países imaginam ou propõem (mas que não aceitam para si mesmos); pela submissão passiva e inconsciente, e até alegre e eufórica aos interesses de terceiros (como se já fossem também os interesses dos Portugueses); pela insensibilidade perante quanto destrói ou pode destruir a raiz portuguesa e põe em causa o próprio cerne da nacionalidade; e enfim pela euforia, tão pueril quanto oportunista, tão crédula quanto materialista, com que se deixa arrastar na onda do internacionalismo, do integracionismo, na suposição de que os outros também o fazem, e sobretudo na crença de uma vida fácil e rica, que o será sempre e sem esforço, e seja qual for a origem da riqueza, seja qual for a subordinação criada. E neste transe os Portugueses parecem esquecer três aspectos fundamentais: Portugal não tem tipicidade suficiente para enfrentar sem defesa forças que atingem o seu cerne, e resistir-lhes, e sobreviver, continuando a ser Portugal; tem uma vulnerabilidade de interesses vitais que lhe consente apenas muito reduzido espaço de manobra, pelo que o seu comportamento perante terceiros tem que ser cauteloso e não pode sofrer desvios de monta; e não pode por isso cometer erros históricos, sob pena de ser esmagado e absorvido pelo turbilhão de forças exteriores. Tudo quanto Portugal perder, ou alienar, ou lhe for tomado, é irrecuperável: em termos territoriais, políticos ou económicos. Por outro lado, tanto que se prolonga esta viragem, de que se ocupam os Portugueses – na sua vida colectiva e na sua intervenção política? Afigura-se exacta esta síntese: empenhando-se em tudo que é imediato ou pessoal, ou de grupo, ou de partido; e transformando em problemas nacionais o que não passa de subtileza adjectiva. E deste modo parece de dizer que ou retornamos às raízes e retomamos a linha segura do nosso destino – ou seguimos pelo caminho de Bizâncio – substituindo os factos nossos pelos mitos dos outros.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Juízo Final III parte 2
Continuação do livro Juízo Final, capítulo as "As Querelas de Bizâncio ou o Retorno do Destino" parte III, parte 2 (devido ao tamanho)
Boa Leitura!
De passagem, os Bispos portugueses aludem à solidariedade europeia e à contribuição que Portugal pode dar. Depois sublinham: “Vamos ter necessidade de fazer um renovado esforço para avivar a consciência do valor insubstituível da nossa personalidade colectiva e do nosso património cultural: a história, a língua, a morigeração e o humanismo dos costumes, o folclore, o carácter hospitaleiro, a existência de uma larga rede de voluntariado patente na vida pastoral e em instituições como as Misericórdias e outras associações humanitárias: numa palavra, a nossa cultura e designadamente a nossa religião católica”. E depois, em resposta à carta pastoral dos Bispos comunitários, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinha aspectos que considera positivos – solidariedade entre países europeus, cooperação no plano tecnológico, outros ainda – e acentua seguidamente: “Não será sem riscos que se irá realizar a integração de Portugal (e de Espanha) na Comunidade Europeia”. Mais além. “Vós chamais com razão a atenção para o perigo que constitui para a nossa identidade nacional a entrada no Mercado Comum”. E todo o problema europeu é referido com mais pormenor em nota pastoral de Sua Eminência o Cardeal de Lisboa, Senhor Dom António Ribeiro, de 24 de Junho de 1985. Em súmula, que traços fundamentais foram destacados? Em primeiro lugar, qual o verdadeiro significado da unidade da Europa? Responde-se: “A Europa sonhada pela Igreja, a Europa sonhada pelos cristãos, não se limita a uma parte da Europa; é, sim, a Europa toda, na sua totalidade geográfica e na sua integridade humana e espiritual; nem se limita a algumas das experiências e organizações hoje existentes para prosseguir o ideal europeu, sem prejuízo do apreço que muitas delas merecem. Nesta perspectiva, as iniciativas de unidade europeia, que podem ser positivas, não observam nem esgotam a ideia e o ideal da Europa, que histórica e culturalmente abrange – e exige – a Europa Ocidental de S. Bento e a Europa Oriental evangelizada por S. Cirilo e S. Metódio, como vem acentuando o Papa João Paulo II. Nunca haverá verdadeira unidade europeia enquanto à Europa e aos seus valores faltar algum povo europeu, enquanto barreiras internacionais se erguerem entre os europeus”. Mais adiante, sublinha-se: “A unidade da Europa exige e determina, deste modo, a criação de um espaço comum de respeito pela vida, pela verdade, pela liberdade, pela solidariedade e pela justiça, no serviço das pessoas e da sua dignidade e na comunhão fraterna”. Depois: “O que não será possível enquanto, numa parte do continente, prevalecerem o materialismo prático e o egoísmo radical da civilização do prazer individualista, do bem-estar material ou da civilização do consumo e da libertinagem moral, numa sociedade alheia a valores éticos e, noutra parte, se afirmar a negação da liberdade religiosa, o totalitarismo do Estado, o materialismo militante ideologicamente imposto”. Mais além, a Nota Pastoral toca um ponto essencial: “A unidade da Europa não tem base geográfica, histórica, económica ou política, sem prejuízo da importância de tais dimensões”. E qual a grande divisão da Europa? Aquela que se produziu “entre os que se reclamam do Evangelho, consumada a partir da Reforma, foi o grande escândalo que dividiu entre si os Europeus”; e “refazer a unidade, no diálogo e na verdadeira fé, é assim caminho necessário da recristianização futura, reconstruindo a “casa divida””. E torna-se assim mais clara a atitude que o Papa João Paulo II assumiu no final da década de oitenta e inícios da de noventa, e do papel decisivo que a Santa Sé Apostólica desempenhou no colapso ideológico da Europa de Leste.
Neste contexto, e quanto aos Portugueses, que nos ensina a Nota Pastoral? Logo em abertura, diz-nos isto: “Portugal é essencial à Europa e só no respeito dos valores nacionais contribuirá para a construção de uma Europa unida”. E não se pense que “alguns valores ou ideais da Comunidade virão substituir ou suprir os seus valores próprios. Sem dúvida, o diálogo de civilização e o intercâmbio cultural são importantes; mas devemos antes aprofundar as características peculiares da maneira de ser portuguesa e cultivar as nossas diferenças regionais, que só enriquecem o património comum”. E então sublinha a Nota Pastoral: “Para que assim suceda, e para que o choque dos próximos anos estimule em vez de estorvar ou destruir, é necessário cultivar as virtudes do patriotismo são, adequando os nossos valores tradicionais às necessidades do futuro”. Só “seremos bem a Europa e bem a construiremos se nela nos afirmamos como os portugueses que somos. A maior abertura ao exterior não pode traduzir-se na perda da capacidade de tomarmos decisões por nós mesmos e segundo os nossos critérios, com independência e originalidade. Erro grave seria pensar que uma maior integração europeia pode substituir as respostas nacionais; antes as reclama mais vincadas e pronunciadas. Erro seria também pensar que a Europa se constrói na uniformização, quando ela exige a afirmação concordante e harmoniosa das diversidades”. E os Portugueses são ainda prevenidos contra outros perigos. Designadamente a burocracia e o economicismo tecnocrático da Comunidade. E não devem os Portugueses estar na Europa sem “a definição clara dos projectos nacionais sem saber o que querermos só nos empobreceremos, a nós e à construção europeia; pois tais respostas, se não as encontrarmos, ninguém as dará”. E enfim “não deve esquecer-se que a actuação em Portugal das instâncias comunitárias dá voz suprema, em muitos domínios, a órgãos supranacionais. Acresce o risco de que a crise do sistema produtivo e o livre acesso à propriedade de bens de produção transfira largamente a propriedade e a decisão, em muitas unidades do sistema produtivo, para entidades estrangeiras ou multinacionais, frequentemente agindo fora do território português. A difícil compatibilidade dos interesses e do poder de decisão do povo português com situações de dependência coloca uma questão que tem de ser responsavelmente enfrentada. A cooperação internacional é um bem, mas só se for exercida – repetimos – no respeito pela identidade nacional”.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Juízo Final III parte 1
Boa Leitura!
Não cabe repetir aqui, nesta síntese e neste juízo final, quanto foi lembrado ou sugerido nas páginas que ficam para trás. Fiéis à nunca desmentida tradição, sempre bem documentada pela crónica histórica, o Mundo, a Europa, Portugal têm vivido nesta época de transição os seus sonhos, os seus anseios, os seus mitos em suma. Não é evitável o facto, não acarretaria mal para os homens se estes não lhes atribuíssem crédito cego, ou deles não fiassem o progresso, a liberdade, a felicidade eterna; e se não cruzassem os braços perante todo o esforço. Então podem sobrevir perigos. E estes são tanto mais graves quanto mais vulnerável for uma comunidade nacional, e mais cercada de riscos e ameaças estiver. Temos de ver, de repetir, de repisar que este é o caso de Portugal. E tomar plena consciência desta realidade é condição para a superar.
Em muitos passos se procurou sublinhar o teor dos perigos que rodeiam os Portugueses. Alguns têm a natureza episódica, e resultam precisamente da mitologia da época, e da entrega que lhe fazemos. Outros são consequência das atitudes dos Portugueses, e das suas características. Oportunismo, falta de sentido crítico, a já sublinhada ausência de autonomia mental, espírito utilitarista, obsessão com o imediato, carácter facilmente impressionável e influenciável, recusa a sacrifícios. E há por último os perigos que têm a sua raiz numa fatalidade geográfica: esta é insuperável: mas por acto de vontade firme e esclarecida dela nos temos defendido, e nos poderemos continuar a defender, se quisermos. Perante todos estes quadros de risco, são frágeis os nossos mecanismos de defesa. Em muitos campos, dir-se-iam mesmo inexistentes. Mas num terreno essa falta de sobrepõe a todos os demais, e aí se podem jogar os destinos dos Portugueses: o da defesa continuidade e projecção da identidade portuguesa. (Repete-se: a identidade portuguesa para subsistir, supõe o enquadramento nacional; e este implica por seu turno um Estado independente e soberano). E a pergunta, em que tudo o mais se concentra e se resume, parece ser esta: encontra-se a identidade portuguesa ameaçada?
Para maior objectividade, afigura-se preferível buscar noutros a resposta. Perante o que se tem designado pela participação ou identificação de Portugal com a Europa, e o contacto desprotegido com forças, culturas, princípios, ambições, estratégias, objectivos alheios – de vizinhos imediatos e de outros que o não são – encontra-se Portugal largamente desguarnecido, insensível ao deslizar, talvez lento mas firme, para transformações que podem atingir o seu cerne até à destruição. E assim não tem mecanismos de defesa: porque estes não surgem por acção espontânea em sociedades civis frágeis e porque as elites, por talvez não sentirem já Portugal, não suscitam a sua criação, e tem esta por inútil ou ridícula, quando não se lhe opõem. E assim está em jogo a identidade total do Portugueses – no plano cultural como político, no económico como sociológico. E ao aniquilamento da identidade portuguesa segue-se naturalmente, inevitavelmente, o aniquilamento de Portugal como povo autónomo, soberano, independente. Por outras palavras: como país, como Nação, como Estado. Para muitos em Portugal este arrazoado suscita um sorriso compassivo, próprio do desdém intelectual que é inerente às mentalidades muito altas e muito superiores. Para além das fronteiras, todavia, há também homens de consequência e de vasta compreensão; e estes, sem embargo de não serem portugueses, apercebem-se nitidamente da crua realidade que cerca estes. Pela comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia foi dirigida à Conferência Episcopal Portuguesa uma carta em que o problema é focado com nitidez(1985). Dizem os Bispos da Comunidade aos seus pares portugueses: a passagem da Comunidade de dez para doze membros representa um desafio, mesmo que se possa esperar da integração na CEE um novo impulso para o desenvolvimento económico e a redução de certas situações de pobreza, a preocupação da concorrência económica pode polarizar toda a existência e o materialismo aumentar ainda mais, E escrevem textualmente os Bispos da Comunidade aos Bispos de Portugal: “Nós compreendemos que partilhais alguns receios a esse respeito, bem como o de ver a Comunidade não transmitir-vos apenas o que tem de bom”. E acrescentam os Bispos estrangeiros: “É natural que também vos interrogueis sobre se esta integração europeia não comportará um certo risco para os valores que constituem a vossa identidade histórica, cultural e espiritual”. E neste particular como se pronunciaram os Bispos de Portugal? Em nota pastoral, emanada do Conselho Permanente da Conferência Episcopal, citam-se palavras de João Paulo II: “Depois de vinte séculos de história, não obstante os conflitos sangrentos que os povos da Europa enfrentaram e apesar das crises espirituais que marcaram a vida do continente – até pôr à consciência do nosso tempo graves interrogações sobre a sua sorte futura – deve afirmar-se que a identidade europeia é incompreensível sem o Cristianismo e que é precisamente nele que se encontram aquelas raízes comuns a partir das quais maturou a civilização do continente, a sua cultura, o seu dinamismo, a sua actividade, a sua capacidade de expansão construtiva também nos outros continentes; numa palavra, tudo o que constitui a sua glória”. (Continua)
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Juízo Final II
Boa Leitura
Em todos os tempos se atribuíram mitos os indivíduos, as sociedades, os povos, e não se eximiram a esta lei os Portugueses, nem tinham por que o fazer. É complexa a estrutura do mito, na sua origem e na sua expressão, e nenhum conceito seguro parece possível. É um sonho, ou desejo, ou anseio, ou esperança, ou expectativa de milagre; é um quadro que se concebe, por vezes de contornos vagos, e que é todo idealizado e construído pela imaginação, em torno de sentimentos, ou emoções, ou ambições, ou mesmo de fé religiosa; pode o mito ser erguido em redor ou a partir de um acontecimento real que depois é acrescentado, distorcido, embelezado, vendo-se nele virtualidades que não possui; os seus alicerces podem entroncar em lendas remotas, em mistérios, em fenómenos não verificados mas transmitidos como factos de geração em geração; e em qualquer caso há na aceitação do mito uma dádiva, uma entrega a forças transcendentes, não observáveis nem controláveis. De todos os mitos, talvez o mais arreigado e constante, para os Portugueses, haja sido o do sebastianismo, ainda que no decurso da história tomasse nomes diversos consoante épocas e sucessos. Diferente do mito é a mística. Esta pode também ser influenciada por aqueles pressupostos; mas vai além, e muito além. E em que consiste e como se manifesta? Pela valorização dos grandes símbolos nacionais (todos os países os possuem e valorizam), e que resultam da história; pela fé no destino próprio; pela vontade de cumprir esse destino, e de o defender; pelo sentido de dever e de missão; pela solidariedade; pela coragem serena em resistir; e rejeitar o que se oponha à afirmação nacional; e pelo cumprimento incondicional das obrigações cívicas e nacionais, por si mesmas e independentemente do que outros fizerem ou deixem de fazer. Este sentimento de mística, assim encarado, identifica-se com a nação, se a sociedade civil tem as características de um organismo saudável e activo; e atenua-se ou perde-se, em sociedades civis decadentes, que deixaram de acreditar em si mesmas. Neste ponto, como se comportam os Portugueses nesta transição de um milénio para outro? É facto consensual que a nação portuguesa atravessa crise profunda. Na origem desta encontramos a ruptura provocada, e que foi acaso pensada como um projecto. Ultrapassada essa fase, outros factores estão presentes neste final de século.
