segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Criação segundo a Ciênçia

Este texto foi retirado do livro "Fórmula de Deus" Nota Final, escrito por José Rodrigues dos Santos, que aconselho a comprar, pois o escritor tem o mérito de explicar a um leigo, as teorias da física mais avançadas.

Boa Leitura!

Quando o astrofísico Brandon CArter proprôs, em 1973, o Príncipio Antrópico, parte da comunidade científica mergulhou num intenso debate sobre a posição da humanidade no universo e o significado último da sua existênçia Pois se o universo está afinado para nos criar, será que temos um papel a desempenhar no universo? Quem concebeu esse papel? E já agora, que papel será esse?
Foi com Copérnico que os cientistas passaram a acreditar que a existênçia dos seres Humanos é irrevelante para o cosmos em geral, uma ideia que tem dominado o pensamento científico desde então. Mas na década de 1930, Arthur Eddington e Paul Dirac notaram inesperadas coincidênçias envolvendo um número de enorme magnitude que começou a aparecer nos mais variados contextos da cosmologia e da física quântica, o estranho 10 elevado a 40.
A revelação de novas coincidênçias foi-se acumulando com o tempo. Descobriu-sse que as constantes da natureza requeriam valores incrivelmente rigorosos para que o universo fosse como é, e percebeu-se que a expansão do universo tinha de ser controlada atá à mais ínfima ordem de grandeza para produzir o misterios equílibrio que possibilita a nossa existênçia. As descobertas foram-se multiplicando. Compreendeu-se que as estruturas essencias à vida, como o aparecimento de estrelas parecidas com o Sol ou o processo de produção de carbono, dependiam de uma espantosamente improvável sequênçia de acidentes consecutivos.
Que significado têm estas descobertas? A primeira constatação é que o universo foi concebido com a afinação adequada para, no mínimo gerar vida. Mas esta conclusão suscita inevitavelmente um problema filosófico de suprema magnitude - a questão da intencionaldidade da criação do universo.
Para contrairar a conclusão óbvia que se pode extrair destas descobertas, muitos cientistas defendem que o nosso universo é apenas um entre milhares de milhões de universos, cada um com valores diferentes nas suas constantes, o que significa que estarão quase desprovidos de vida. Assim sendo, é apenas uma coincidênçia que o nosso universo esteja afinado para produzir vida - a esmagadora maioria de universos nao tem vida. O problema desta argumentação é que ela é baseada em nenhuma observação ou descoberta. Nunca ninguém vislumbrou os menores traços da existênçia de outros universos nem remotos vestígios de diferentes valores das constantes da natureza. Ou seja, a hipótese dos multiuniversos assenta justamente naquilo que a ciênçia mais critica no pensamento não científico - a fé.

“Fizeste a lua para marcar os tempos e o sol para saber a hora de se pôr”. “Como são numerosas, Senhor, tuas obras! Tudo fizeste com sabedoria, a terra está cheia, das tuas criaturas” (Sl 104,19.24).

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Incapazes de conhecer Deus?

Immanuel Kant (1724-1804) parecia ser uma pessoa cordial e pacata. Poucos daqueles que o conheceram talvez imaginassem que as suas teorias teriam um impacto destruidor sobre a filosofia e a mentalidade contemporâneas.
Na história da filosofia, houve poucos pensadores tão ilegíveis e áridos como Immanuel Kant. Contudo, poucos tiveram um impacto tão devastador sobre o pensamento humano como ele.

Conta-se que Lumppe, o seu dedicado assistente, teria lido fielmente cada uma das publicações do mestre. Mas nem mesmo ele conseguiu ler a obra mais importante publicada pelo filósofo, A crítica da razão pura; na verdade, chegou a começar a leitura, mas interrompeu-a dizendo que, se tivesse de terminá-la, haveria de ser num hospital psiquiátrico. Desde então, muitos estudantes têm-se feito eco dessa opinião.

No entanto, penso que esse professor abstracto, que escrevia em estilo abstracto sobre questões abstractas, é a fonte primária da ideia mais perigosa de todas para a fé (e, portanto, para as almas): a ideia de que a verdade é subjectiva.

Os simples cidadãos da sua Königsberg natal (actual Kaliningrado, Rússia), onde o filósofo viveu e escreveu durante a segunda metade do século XVIII, parecem ter entendido isso melhor do que muitos académicos profissionais, porque lhe deram o apelido de "o destruidor" e davam o seu nome aos cachorros.

Pessoalmente, Kant era um homem amável, gentil e piedoso, tão pontual que os vizinhos ajustavam os relógios pelos seus passeios. Também o intuito básico da sua filosofia era nobre: restaurar a dignidade humana num mundo céptico que idolatrava a ciência.

Essa intenção pode ser ilustrada com o seguinte episódio. Em certa ocasião, Kant assistiu à palestra de um astrónomo materialista sobre o lugar do homem no universo. Quando o cientista concluiu a palestra com as palavras: "Assim, vemos que o homem é evidentemente insignificante em termos astronómicos", o filósofo levantou-se e disse: "Professor, o senhor esqueceu o mais importante: o homem é o astrónomo".

No entanto, mais do que qualquer outro pensador, foi ele quem impulsionou a deriva tipicamente moderna da objectividade para a subjectividade. Isso pode parecer bom até nos darmos conta de que implicava a redefinição da própria verdade como algo subjectivo. E as consequências dessa ideia têm sido catastróficas.

Quando conversamos com alguém que não crê, percebemos que o obstáculo mais comum à fé hoje em dia não é nenhuma dificuldade intelectual honesta (como o problema do mal ou o dogma da Trindade), mas a convicção de que a religião não pertence ao campo dos fatos nem das verdades objectivas. Assim, qualquer tentativa de tentar convencer outra pessoa de que a fé é verdadeira - objectivamente verdadeira, verdadeira para todos - passa a ser considerada de uma arrogância intolerável.

De acordo com essa mentalidade, a religião é teórica, não prática; tem a ver com valores, não com fatos; é subjectiva e privada, não objectiva e pública. O dogma seria um "extra", e um "extra" daninho, porque fomentaria o dogmatismo. Ou seja, a religião, no fundo, não passaria de uma ética. Além do mais, uma vez que a ética cristã é muito parecida com a ética das outras grandes religiões, pouco importaria se você é cristão ou não; o importante é ser "boa gente". (Geralmente, as pessoas que acreditam nisso também acham quase todo o mundo "boa gente", com excepção de Adolf Hitler e Charles Manson).

Kant é em larga medida responsável por essa maneira de pensar. Ele ajudou a enterrar a síntese medieval entre fé e razão, e descreveu a sua filosofia como "tirar do caminho as pretensões da razão para abrir espaço à fé", como se fé e razão fossem inimigas, não aliadas. Assim, consumou o divórcio entre fé e razão iniciado por Lutero.

O filósofo pensava que a religião jamais poderia ser objecto da razão - uma evidência, um argumento ou sequer um objecto de conhecimento -; deveria ser unicamente uma questão de sentimentos, de emoções e de atitudes. Esse postulado influenciou profundamente a maior parte dos educadores religiosos actuais (entre os quais redactores de catecismos e teólogos), que deixaram de lado a rocha-mãe da fé, os fatos objectivos narrados na Sagrada Escritura e resumidos no Credo dos Apóstolos. Fregueses da filosofia kantiana, divorciaram a fé da razão e casaram-na com a psicologia pop.

"Duas coisas me deixam maravilhado", confessou Kant certa vez: "o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim". Aquilo que maravilha um homem preenche o seu coração e dirige o seu pensamento. Reparemos que, entre as coisas que maravilham o filósofo, não estão Deus, Cristo, a Criação, a Encarnação, a Ressurreição e o Juízo, mas apenas "o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim".

"O céu estrelado" é o universo físico, tal como a ciência moderna o entende; e tudo o mais é relegado para o campo da subjectividade. Assim, a lei moral não estaria "fora", mas "dentro de mim"; não seria objectiva, mas subjectiva; enfim, não seria uma Lei Natural com certos e errados objectivos, mas uma lei feita por nós mesmos à qual escolhemos vincular-nos. (Mas será que estamos realmente vinculados quando só nos vinculamos a nós mesmos?) A Moral seria, portanto, apenas uma questão de intenção subjectiva; não teria qualquer conteúdo com excepção da Regra de Ouro* (o "imperativo categórico" de Kant).

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(*) A regra de ouro é considerada classicamente o princípio central de toda a ética. Na sua formulação negativa - "não farás aos outros aquilo que não queres que te façam" -, encontra-se em diversos pensadores de quase todos os povos. Cristo deu-lhe uma formulação positiva: Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles (Mt 7, 12) (N. do T.).

Se a lei moral veio de Deus e não do homem, o homem não seria livre no sentido de ser autónomo, o que é verdade. Mas, para Kant, o homem tem de ser autónomo, e portanto a lei moral não vem de Deus, e sim do próprio homem. Partindo da mesma premissa, a Igreja afirma que a lei moral realmente vem de Deus, e portanto que o homem não é autónomo; ele é livre para optar por obedecer-lhe ou não, mas não é livre para criar a lei.

Embora se considerasse cristão, o filósofo negou explicitamente que pudéssemos conhecer ao certo a existência (1) de Deus, (2) do livre arbítrio, e (3) da vida eterna. Disse que deveríamos viver como se essas ideias fossem verdadeiras, porque caso contrário não levaríamos a moral a sério. É essa justificação da fé por razões puramente práticas que constitui um erro terrível. Kant acredita em Deus não porque Ele exista, mas porque é útil. Se for assim, por que não acreditar no Pai Natal? Se eu fosse Deus, preferiria um ateu honesto a um deísta desonesto; e penso que Kant é um deísta desonesto, porque há apenas um único motivo honesto para acreditar seja no que for: o fato de essa coisa ser verdadeira.

Aqueles que tentam vender a fé cristã no sentido kantiano, como um "sistema de valores" em vez da verdade, têm fracassado geração após geração. Com tantos "sistemas de valores" no mercado, por que deveria alguém preferir a variante cristã a outras mais simples, com menos teologia e com uma moral mais fácil e menos inconveniente?

Com efeito, Kant fugiu da batalha ao bater em retirada do campo dos fatos. Acreditava no grande mito do século XVIII, o Iluminismo (nome irónico!). Acreditava que a ciência de Newton tinha vindo para ficar e que, para sobreviver, o cristianismo teria de encontrar um lugar na nova paisagem mental esboçada pela nova ciência. E o único lugar que lhe sobrava era a subjectividade.

Isso implica ou ignorar os acontecimentos sobrenaturais e miraculosos da história do cristianismo ou interpretá-los como mitos. A estratégia de Kant foi essencialmente a mesma que seguiria Rudolf Bultmann (1884-1976), o pai da "demitologização" e talvez o principal responsável pela perda da fé entre inúmeros universitários católicos. Muitos professores de teologia perfilham as suas teorias exegéticas, que reduzem os milagres contidos na Bíblia, relatados por testemunhas oculares, a simples "mitos", "valores" e "interpretações piedosas".

Com relação ao suposto conflito entre fé e razão, Bultmann disse: "A visão científica do mundo veio para ficar e fará valer os seus direitos contra qualquer teologia, por mais impositiva que seja, que venha a entrar em conflito com ela". Ironicamente, a "visão científica do mundo" oferecida pela física de Newton e aceita como absoluta e imutável por Kant e Bultmann é hoje quase universalmente rejeitada pelos próprios cientistas!

A questão básica de Kant era: Como podemos conhecer a verdade? Na sua juventude, aceitava a resposta racionalista de que conhecemos a verdade pelo intelecto, não pelos sentidos, e de que o intelecto possuía as suas próprias "ideias inatas". Mais tarde, leu o empirista David Hume, que, em palavras do próprio Kant, o "despertou do sono dogmático". Como outros empiristas, Hume acreditava que o homem só pode conhecer a verdade mediante os sentidos e que não existem "ideias inatas". Mas as premissas de Hume conduziram-no ao cepticismo, à negação de que seja possível conhecer a verdade com certeza. Kant considerou inaceitáveis tanto o "dogmatismo" racionalista como o cepticismo empirista e procurou uma terceira via.

Ora, havia uma terceira teoria disponível desde os tempos de Aristóteles: a filosofia do senso comum, que é o realismo. De acordo com o realismo, podemos conhecer a verdade por meio do intelecto e dos sentidos, desde que ambos trabalhem correctamente em conjunto, como as lâminas de uma tesoura. Em vez de voltar-se para o realismo tradicional, Kant inventou toda uma nova teoria do conhecimento, geralmente chamada idealismo. Considerava-a a sua "revolução copernicana na filosofia". Mas o nome mais simples para ela é subjectivismo, pois o que pretende é redefinir a própria verdade como subjectiva, não objectiva.

Todos os filósofos anteriores tinham dado por assente que a verdade é objectiva. Aliás, de acordo com o senso comum, é simplesmente isso o que queremos dizer ao falar de "verdade": conhecer o que realmente é, conformando a mente segundo a realidade objectiva. Alguns filósofos (os racionalistas) julgavam ser capazes de atingir essa meta apenas com a razão. Os primeiros empiristas (como Locke) julgavam que podiam atingi-la através dos sentidos. O empirista céptico Hume, posterior, julgava que não havia maneira alguma de atingir com certeza a verdade.

Kant negou a premissa comum a essas três filosofias concorrentes, ou seja, negou que a verdade devesse ser atingida, que a verdade significasse conformidade com a realidade objectiva. A "revolução copernicana" de Kant redefine o próprio conceito de verdade como realidade que se conforma segundo as nossas ideias. "Até hoje, sustentava-se que o nosso conhecimento devia adequar-se aos objectos [...]. Haverá mais progresso se assumirmos a hipótese contrária, de que são os objectos de pensamento que devem adequar-se ao nosso conhecimento".

Kant afirmou que todo o nosso conhecimento é subjectivo. Bem, essa afirmação é um conhecimento subjectivo? Se é, então o conhecimento desse fato também é subjectivo, et cetera, e todos estamos aprisionados num infinito salão de espelhos. A filosofia kantiana é perfeita para o inferno. É possível que os condenados creiam não estar realmente no inferno; seria apenas coisa da cabeça deles. E talvez seja isso mesmo: é possível que o inferno seja exactamente assim.

Peter Kreeft
Professor de Filosofia no Boston College. É autor de mais de uma dezena de livros de filosofia e apologética cristã.

Fonte: Site do autor
Link: http://www.peterkreeft.com
Retirado do Blog: http://www.casalfilosofos.blogspot.com/

"Tenham cuidado para que ninguém vos escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo" (Colossenses 2:8)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Deus é Bom ou Mau?

Como vimos na anterior postagem, o Universo revela uma inteligênçia acima de qualquer inteligênçia Humana, no entanto, o Ser Humano vê-se impelido a responder à pergunta da existênçia do mal, que é um contra-senso à existênçia de um ser inteligentíssimo bom! Por isso desde os primórdios da civilização até aos dias de hoje, existe uma doutrina chamada Gnose, que continua a influênçiar o pensamento do homem, que afirma que Deus, ou o criador do Universo é mau, assim sendo a criação também é má, contrariando a Bíblia que diz "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom;" Génesis 1:31 Para resolver esta questão, primeiro precisamos saber o que é o Bem, e o que é o Mal, coisa que fazemos todos os dias com o nosso senso comum, como por exemplo ao avaliar a vista de um cego, dizemos que é má, ao contrário, a vista de uma pessoa que vê, é boa. Aqui mesmo, sem precebêmos, já dissémos o que é o bem e o que é o mal, de uma forma muita sintetizada, o Bem neste caso é a vista, e o mal é não ter vista, ou seja a existênçia da vista é um bem, comparado com a não existênçia da vista num determinado ser, nesta caso no homem, podia ser num animal qualquer, que era a mesma coisa.. assim concluíremos que é um bem a existênçia de uma determinada perfeição, como ouvir, sentir, cheirar, força, energia, podemos descer nas perfeições, mas concluíremos que é bom igualmente ter dinheiro, casa, carros, ou então subir nas perfeições e vêmos que também é bom sermos justos, inteligentes, corajosos, etc.. Assim vemos que existe uma hierarquia de Bens, o Homem como tendo mais perfeições do que um animal, pois este não é racional, o Homem em si é um bem maior, pois é um ente com mais perfeições, do que qualquer animal, é melhor ser Homem do que apenas animal, e assim São Tomás de Aquino chegou a Deus, o Ser por excelênçia no qual existem todas as perfeições, assim Deus é o Bem, pois é o que existe. Não podia ser o mal, pois o mal é o que não existe, e o que não existe jamais pode originar existênçia, assim não existe mal absoluto, porque o mal absoluto é nada, tudo o que chamámos de mal, como a cegueira, é apenas a falta de vista, falta deste bem, como são as trevas falta de luz, ou o frio falta de calor, etc.. Agora a existênçia do mal no nosso mundo que só pode ser mal relativo, existe devido ao livre Arbítrio que o Homem possui, e o mal(relativo) entra no mundo quando o Homem escolhe um bem menor do que um bem maior, assim quanto mais o Homem afasta-se do Bem por excelênçia, Deus, maior mal existirá no mundo, pois menores são os bens, longe de Deus. Por exemplo, sabemos que existe uma Lei Natural, e por existir é boa, mas quando o homem não obedece, como no caso dos homosexuais, a ordem do bem é de tal ordem violada, pois tamanha é a diferença do bem, entre as duas escolhas, que o mal feito é muito grande, e é assim entre muitos exemplos que o mal entra no mundo. Assim vemos que a criação é boa, porque existe, seria má se não existisse, mas não teria lógica porque não existiria no primeiro lugar. Agora a Gnose, crê num mundo dualista, com dois absolutos, o Bem e o Mal, sendo que o criador deste mundo era mau, criando-o para nos preendermos na matéria, no entanto nós evoluíriamos até alcançarmos a verdadeira divindade, se negássemos a verdade, a bondade, e a beleza deste mundo, porque este nos engana e nos prende. Mas como a recta razão diz e visto acima, isto são apenas fábulas, mas eles dizem que a razão também nos engana, pois é por meio dela que o Criador nos engana, e só nos libertaríamos pela a intuição e experiênçias 'místicas'. Agora só falta ver um ponto, porque Deus permitiu que o Mal entrasse no Mundo? Como diz Santo Agostinho "Do mal dos pecadores Deus extrai um bem maior" ou como um pintor utiliza o contraste das cores para destacar a sua obra, Deus utiliza-se do mal dos pecadores, para fazer sobressair os Bons! Assim nem os maus fogem à ordem querida por Deus.. pois são como fogo que purifica os Bons, como este purifica o Ouro!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Homem pode conhecer Deus

"Porquanto, o que de Deus se pode conhecer está à vista deles, já que Deus lho manifestou. Com efeito, o que é invisível nele, o seu eterno poder e divindade - tornou-se visível à inteligênçia, desde a criação do mundo, nas suas obras. Por isso, não se podem desculpar." Romanos 1,19:20

Segundo a Bíblia, o Homem criado à imagem e semelhança de Deus, consegue por meio da sua inteligênçia chegar ao conhecimento de Deus, até ao ponto de não haver desculpa para quem o ignorasse. Pois o Homem, ser Racional, consegue entender a harmonia e ordem, como a beleza e o bem das coisas criadas, porque
"Deus tudo fez com medida, número e peso."(Sab. XI, 21) até ao ponto de Jesus dizer "Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados." (Mt 10.30.) , de tal modo é a Inteligênçia de Deus, que Albert Einstein disse "As leis do Universo revelam uma inteligênçia de uma tal superioridade, que comparado com ela todo o pensar humano é insignificante" e Prof. Plinio Correia de Oliveira ao louvar a sua sabedoria disse "Deus fez os astros suficentemente grandes para mostrar o seu poder, mas os colocou suficientemente distantes para que fossem proporcionais aos Homens, e assim mostrou a sua sabedoria." além de ser tudo belo, pois tudo tem medida e proporção como diz Santo Agostinho "Quando a razão percorre o céu e a terra, descobre que nada lhe agrada fora da beleza; e na beleza, as figuras; nas figuras as dimensões; nas dimensões os números" (cf. Santo Agostinho, "De Ordine", II, XV, 42). e Platão mostra no seu livro da República que os objectos tangíveis, são uma imagem do intangível, ele percebeu que o Sol falava de Deus, ao associá-lo à ideia de Bem, ele leu o universo pois este é como um livro que fala sobre o transcendente. Santo Tomás de Aquino seguindo os passos de Aristóteles, demostra através da razão que é possível provar a existênçia de Deus, com as suas famosas 5 vias que são o Primeiro Motor Imóvel, a Causa Primeira, Ser Necessário, Ser Perfeito e Inteligênçia Ordenadora. Como diz William Paley "Se alguém andando por um campo encontrar um relógio no chão, não lhe passará pela cabeça, que tenham sido as forças da natureza que o produziram. Atribuirá sua existênçia, sem sombra de dúvida ao trabalho de um relojoeiro e considerará de débil mental quem opte pela primeira hipótesse. Nesse relógio, cada peça tem sua função, e se uma só delas faltar ou estiver deslocada o relógio não funcionará correctamente. Ora a ordem do universo inaminado e dos seres vivos é incomensuravelmente mais complexa do que um relógio, logo um inteligênçia superior a desenhou".

"pela grandeza e formosura da criatura se pode visivelmente chegar ao conhecimento do seu criador" (Sab., XIII, 3 e 5)


sábado, 6 de junho de 2009

Vocação de Portugal

"E o homem Português?" De facto o homem português foi se moldando ao longo da sua história por interesses comuns, aspirações comuns sonhos comuns, foi sempre um povo, e só por isso que justifica a existência do Estado Português, e principalmente quis a providencia! Assim bradaram os nossos antepassados "Real ! Real ! Por Afonso, alto rei de Portugal!" em Ourique , depois da vitória impossível (D. Afonso Henriques, com 10.000 infantes e 1.000 cavalos, a 400.000 maometanos, isto pelo cômputo de quem mais abate este número, que outros o sobem a 600.000(1)) contra os inimigos da Cruz, representada na nossa bandeira pelas quinas!

Quis a providencia fundar Portugal "Sobre ti e tua descendência, estabelecerei um império meu, por cujo meio seja publicado o meu nome entre as Nações mais estranhas" (Cristo,Ourique) para levar fé a novos mundos, pois para Portugal "Ser Luz do mundo nos outros homens, é só privilégio da graça, nos portugueses é também obrigação da natureza(2)" mas uma vocação não nasce sem tremor, mas Deus a confirmou por meio de S. Nuno de Santa Maria, o Condestável, expulsando os Castelhanos, que não compreendem Portugal, pois "Deus quer, os homens sonham, a obra nasce!"(F. Pessoa) assim Portugal lançou-se na epopeia "Ó mar salgado, quanto de teu sal são lágrimas de Portugal ! Por ti Cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram,quantas noivas ficaram por casar para que tu fosses nosso, ó mar ! Valeu a pena ? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena ! Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor ! Deus, ao mar, o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu!" (Fernando Pessoa, Mar Português) "E por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra; para nascer Portugal, para morrer o mundo. Perguntai a vossos avós quantos saíram e quão poucos tornaram? Mas estes são os ossos de que mais se deve prezar o vosso sangue.(2)"
E Hoje, onde estão os ventos de Ourique, que levaram as caravelas a "dar novos mundos ao mundo(2)"com a Cruz nas suas frontes que Portugal tão heroicamente carregou, para a levar aos povos, pois nossa vocação é "Ser luz do mundo" pois já o nosso nome o diz "LUZitânios" assim seremos Portugueses, mas é este Portugal que hoje agoniza e com ele nós todos. Mas o Autor da Graça, convida-nos a combater, foi por isso que Nos deu as suas cinco chagas as suas cinco armas, as quinas que desde o nascimento de Portugal, as carrega para lutar contra os inimigos da Fé, assim se faz Portugal "Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem(2)"

(1) http://ascruzadas.blogspot.com/2009/05/as-armas-portuguesas-contra-os.html
(2) P. António Vieira - Sermões de Santo António

(2) P. António Vieira - Sermões de Santo António

Juízo Final IV

Continuação do livro Juízo Final, capítulo as "As Querelas de Bizâncio ou o Retorno do Destino" parte IV e última parte.

Boa Leitura!


Para além de tudo, paira o problema mais grave. Assume maior seriedade, como se procurou sublinhar nas páginas que ficam para trás, a crise moral que os Portugueses atravessam, Como se manifesta? Por mil modos: pela recusa de ver os múltiplos perigos que os ameaçam; pela aceitação e procura constante da opção mais fácil; pela indiferença perante valores nacionais, sejam língua ou as fronteiras, sejam a cultura ou a história, sejam a própria soberania e a independência; pela convicção generalizada de que é irreversível e inevitável (como se em história houvesse o que quer que fosse de irreversível ou de inevitável, salvo o que depender de uma vontade firme) fazer o que os outros pretendem, ou legislam, ou recomendam; pela aplicação de conceitos que os grandes países imaginam ou propõem (mas que não aceitam para si mesmos); pela submissão passiva e inconsciente, e até alegre e eufórica aos interesses de terceiros (como se já fossem também os interesses dos Portugueses); pela insensibilidade perante quanto destrói ou pode destruir a raiz portuguesa e põe em causa o próprio cerne da nacionalidade; e enfim pela euforia, tão pueril quanto oportunista, tão crédula quanto materialista, com que se deixa arrastar na onda do internacionalismo, do integracionismo, na suposição de que os outros também o fazem, e sobretudo na crença de uma vida fácil e rica, que o será sempre e sem esforço, e seja qual for a origem da riqueza, seja qual for a subordinação criada. E neste transe os Portugueses parecem esquecer três aspectos fundamentais: Portugal não tem tipicidade suficiente para enfrentar sem defesa forças que atingem o seu cerne, e resistir-lhes, e sobreviver, continuando a ser Portugal; tem uma vulnerabilidade de interesses vitais que lhe consente apenas muito reduzido espaço de manobra, pelo que o seu comportamento perante terceiros tem que ser cauteloso e não pode sofrer desvios de monta; e não pode por isso cometer erros históricos, sob pena de ser esmagado e absorvido pelo turbilhão de forças exteriores. Tudo quanto Portugal perder, ou alienar, ou lhe for tomado, é irrecuperável: em termos territoriais, políticos ou económicos. Por outro lado, tanto que se prolonga esta viragem, de que se ocupam os Portugueses – na sua vida colectiva e na sua intervenção política? Afigura-se exacta esta síntese: empenhando-se em tudo que é imediato ou pessoal, ou de grupo, ou de partido; e transformando em problemas nacionais o que não passa de subtileza adjectiva. E deste modo parece de dizer que ou retornamos às raízes e retomamos a linha segura do nosso destino – ou seguimos pelo caminho de Bizâncio – substituindo os factos nossos pelos mitos dos outros.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Juízo Final III parte 2

Continuação do livro Juízo Final, capítulo as "As Querelas de Bizâncio ou o Retorno do Destino" parte III, parte 2 (devido ao tamanho)

Boa Leitura!

De passagem, os Bispos portugueses aludem à solidariedade europeia e à contribuição que Portugal pode dar. Depois sublinham: “Vamos ter necessidade de fazer um renovado esforço para avivar a consciência do valor insubstituível da nossa personalidade colectiva e do nosso património cultural: a história, a língua, a morigeração e o humanismo dos costumes, o folclore, o carácter hospitaleiro, a existência de uma larga rede de voluntariado patente na vida pastoral e em instituições como as Misericórdias e outras associações humanitárias: numa palavra, a nossa cultura e designadamente a nossa religião católica”. E depois, em resposta à carta pastoral dos Bispos comunitários, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinha aspectos que considera positivos – solidariedade entre países europeus, cooperação no plano tecnológico, outros ainda – e acentua seguidamente: “Não será sem riscos que se irá realizar a integração de Portugal (e de Espanha) na Comunidade Europeia”. Mais além. “Vós chamais com razão a atenção para o perigo que constitui para a nossa identidade nacional a entrada no Mercado Comum”. E todo o problema europeu é referido com mais pormenor em nota pastoral de Sua Eminência o Cardeal de Lisboa, Senhor Dom António Ribeiro, de 24 de Junho de 1985. Em súmula, que traços fundamentais foram destacados? Em primeiro lugar, qual o verdadeiro significado da unidade da Europa? Responde-se: “A Europa sonhada pela Igreja, a Europa sonhada pelos cristãos, não se limita a uma parte da Europa; é, sim, a Europa toda, na sua totalidade geográfica e na sua integridade humana e espiritual; nem se limita a algumas das experiências e organizações hoje existentes para prosseguir o ideal europeu, sem prejuízo do apreço que muitas delas merecem. Nesta perspectiva, as iniciativas de unidade europeia, que podem ser positivas, não observam nem esgotam a ideia e o ideal da Europa, que histórica e culturalmente abrange – e exige – a Europa Ocidental de S. Bento e a Europa Oriental evangelizada por S. Cirilo e S. Metódio, como vem acentuando o Papa João Paulo II. Nunca haverá verdadeira unidade europeia enquanto à Europa e aos seus valores faltar algum povo europeu, enquanto barreiras internacionais se erguerem entre os europeus”. Mais adiante, sublinha-se: “A unidade da Europa exige e determina, deste modo, a criação de um espaço comum de respeito pela vida, pela verdade, pela liberdade, pela solidariedade e pela justiça, no serviço das pessoas e da sua dignidade e na comunhão fraterna”. Depois: “O que não será possível enquanto, numa parte do continente, prevalecerem o materialismo prático e o egoísmo radical da civilização do prazer individualista, do bem-estar material ou da civilização do consumo e da libertinagem moral, numa sociedade alheia a valores éticos e, noutra parte, se afirmar a negação da liberdade religiosa, o totalitarismo do Estado, o materialismo militante ideologicamente imposto”. Mais além, a Nota Pastoral toca um ponto essencial: “A unidade da Europa não tem base geográfica, histórica, económica ou política, sem prejuízo da importância de tais dimensões”. E qual a grande divisão da Europa? Aquela que se produziu “entre os que se reclamam do Evangelho, consumada a partir da Reforma, foi o grande escândalo que dividiu entre si os Europeus”; e “refazer a unidade, no diálogo e na verdadeira fé, é assim caminho necessário da recristianização futura, reconstruindo acasa divida””. E torna-se assim mais clara a atitude que o Papa João Paulo II assumiu no final da década de oitenta e inícios da de noventa, e do papel decisivo que a Santa Sé Apostólica desempenhou no colapso ideológico da Europa de Leste.
Neste contexto, e quanto aos Portugueses, que nos ensina a Nota Pastoral? Logo em abertura, diz-nos isto: “Portugal é essencial à Europa e só no respeito dos valores nacionais contribuirá para a construção de uma Europa unida”. E não se pense que “alguns valores ou ideais da Comunidade virão substituir ou suprir os seus valores próprios. Sem dúvida, o diálogo de civilização e o intercâmbio cultural são importantes; mas devemos antes aprofundar as características peculiares da maneira de ser portuguesa e cultivar as nossas diferenças regionais, que só enriquecem o património comum”. E então sublinha a Nota Pastoral: “Para que assim suceda, e para que o choque dos próximos anos estimule em vez de estorvar ou destruir, é necessário cultivar as virtudes do patriotismo são, adequando os nossos valores tradicionais às necessidades do futuro”. Só “seremos bem a Europa e bem a construiremos se nela nos afirmamos como os portugueses que somos. A maior abertura ao exterior não pode traduzir-se na perda da capacidade de tomarmos decisões por nós mesmos e segundo os nossos critérios, com independência e originalidade. Erro grave seria pensar que uma maior integração europeia pode substituir as respostas nacionais; antes as reclama mais vincadas e pronunciadas. Erro seria também pensar que a Europa se constrói na uniformização, quando ela exige a afirmação concordante e harmoniosa das diversidades”. E os Portugueses são ainda prevenidos contra outros perigos. Designadamente a burocracia e o economicismo tecnocrático da Comunidade. E não devem os Portugueses estar na Europa sem “a definição clara dos projectos nacionais sem saber o que querermos só nos empobreceremos, a nós e à construção europeia; pois tais respostas, se não as encontrarmos, ninguém as dará”. E enfim “não deve esquecer-se que a actuação em Portugal das instâncias comunitárias dá voz suprema, em muitos domínios, a órgãos supranacionais. Acresce o risco de que a crise do sistema produtivo e o livre acesso à propriedade de bens de produção transfira largamente a propriedade e a decisão, em muitas unidades do sistema produtivo, para entidades estrangeiras ou multinacionais, frequentemente agindo fora do território português. A difícil compatibilidade dos interesses e do poder de decisão do povo português com situações de dependência coloca uma questão que tem de ser responsavelmente enfrentada. A cooperação internacional é um bem, mas só se for exercida – repetimos – no respeito pela identidade nacional”.