sexta-feira, 3 de julho de 2009

Paganismo II

Continuação da anterior Postagem!

Este texto foi retirado do meu outro blog e este retirado do livro "History of the Christian Church" de Philip Schaff.

Não obstantes este facto essencial, a apostosia da verdade e da santidade, o paganismo era uma religião, crescendo atrás do “deus desconhecido”. Pela sua superstição traiu a necessidade da fé. Seu Politeísmo descansou num ofuscante fundo de Monoteísmo. Sujeitou todos deuses a Júpiter(Zeus), e o próprio Júpiter a uma misterioso destino. Teve uma voz da consciênçia, e um sentido obscuro, que não era mais do que o sentido da culpa. Por isso sentiu a necessidade de reconciliação com Deus, e procurou esta pela a oração, penitençia, e pelo o sacrifiçio. Muitas das tradições e usos das religiões pagãs, eram ecos fracos da religião primodial. Os seus sonhos mitológicos com a mistura dos deuses e semi-deuses com os homens, eram profeçias inconscientes e antecipações mundanas das verdades cristãs.
Isto sozinho explica a grande prontidão com que os pagões abraçaram o envagelho, à vergonha dos Judeus64.
Havia um espírito Judaico dispersado por todo o mundo pagão, que nunca recebeu a circunçisão, mas a circunçisão do coração despercebida ao homem e feita pelo mão do mesmo espírito foi derramada em abundançia e recebida, pois não está vinculada a nenhuma lei e recursos humanos. O Antigo-Testamento fornece diversos exemplos do verdadeiro devoto, mas fora da comunhão visível com o Judaísmo, nas pessoas de Melchisedec, o amigo de Abraão, sacerdote real prefiguração de Cristo. Jethro, sacerdote de Midian, Rahab, a mulher Cananeia e hospedeira de Joshua e Caleb, Ruth, o Moabitess e ancestral do nosso Salvador, Rei Hiram, o amigo de David, a Rainha de Sabá, que veio para admirar a sabedoria de Salomão, o Sírio Naaman, e espeçialmente Job, o sublime sofredor, que se regozijou com a esperança do Redentor65.
Os elementos da verdade, moralidade, e piedade espalharam-se durante todo o paganismo antigo devido a três fontes. No primeiro lugar, o homem, mesmo em seu estado de pecador, reteve alguns traços da imagem divina, um conhecimento de Deus,66 embora fraco, um sentido moral ou de consciênçia,67 e um anseio de união com Deus para a verdade e a Justiça.68 Nesta perspectiva, com Tertuliano, nós podemos ligar as belas e verdadeiras sentenças de Socrates, de Platão, de Aristóteles, de Pindar, Sófocles, Cícero, Virgílio, Séneca, Plutarco, “os testemunhos da alma constitucional cristã”69 de uma natureza predestinada ao cristianismo. Em segundo lugar, algumas observações devem ser feitas às tradições, costumes e recordações, embora caídas, vindas das revelações feitas desde Adão até Noé. Mas a terceira e mais importante fonte do paganismo, para antecipar e descobrir a verdade, é a providênçia do Todo-Poderoso Deus, que nunca se deixou sem uma testemunha. Particularmente devemos considerar, nos Pais do Grego Clássico, a influênçia do Logos divino ,antes da sua encarnação70, que era o regente da humanidade, a luz original da razão, brilhando na escuridão e iluminando cada homem, o semeador espalhando no solo do paganismo as sementes da verdade, da beleza, e da virtude71. A flor do paganismo, com os quais estamos tratando aqui, aparecem nas duas grandes nações da antiguidade clássica, a Gréçia e Roma. Com a língua, a moralidade, a literatura, e a religião destas nações, com que os Apóstolos entraram directamente em contacto, e toda a primeira idade da Igreja se move na base destas nações. Estes juntamente com os Judeus foram as nações escolhidas do mundo antigo. Os Judeus foram escolhidos para as coisas eternas, para manter o santuário da verdadeira Religião. Os Gregos preparam os elementos naturais da cultura, da ciênçia e da arte, para a utilização da Igreja. Os Romanos desenvolveram a ideia do direito, e organizou o mundo civilizado num império universal, pronto a servir a universalidade espiritual do evangelho. Ambos Gregos e Romanos eram inconscientemente servos de Jesus Cristo, “O Deus desconhecido”.
Estas três Nações, por natureza inimigas entre si, uniram as mãos na inscrição na Cruz, onde o nome Santo e o título Real de Redentor estavam escritos, pela ordem do pagão Pilatos “em Hebraico, Grego e Latim”72.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Paganismo

Como já vimos na anterior postagem, o Homem é um ser Religioso, porque é um Animal Racional, assim o Paganismo foi mais uma manifestação da religiosidade natural inerente ao homem no mundo antigo, este ajuda-nos a entender um pouco sobre o fenómeno religioso, a busca do infinito por parte do homem finito, que revelam as suas persistentes fraquezas, e por isso, lança luzes sobre a necessidade de redenção por parte deste! E por isso vamos conhecer um pouco do Paganismo, que revela a incapacidade da força Humana de subir até Deus!

Este texto foi retirado do meu outro blog e este retirado do livro "History of the Christian Church" de Philip Schaff.

O Paganismo é uma religião que cresceu no solo da natureza caída dos Humanos, um escurecimento da consciênçia original de Deus, uma divinização da criatura racional e irracional, e com uma contínua corrupção do sentido moral, dando a permissão da Religião aos víçios naturais e anti-naturais63.
Mesmo a Religião Grega, que, como um produto de imaginação de um artista, foi dominada justamente como a religião da beleza, foi deformada pela a moral distorcida. Falta-lhe a verdadeira concepção do pecado e consequentemente a verdadeira concepção do sagrado. Considera o pecado não como perversão da vontade e uma ofensa contra Deus, mas como uma loucura do entendimento e um crime contra os Homens. Muitas vezes até vindo dos próprios deuses; Para a “Infatuation”, ou Cegueira Moral, é a “filha de Júpiter”, e uma deusa, e embora pertencendo ao Olímpo, é a fonte de todos os males da Terra. Homer não conhece o diabo, mas colocou um elemento satánico nas divindades. Os Deuses Gregos e os Deuses Romanos, que foram copiados do anterior, são meros homens e mulheres, no qual Homer e a fé popular adoraram as fraquezas e víçios do carácter Grego, assim como as suas virtudes em magníficas formas. Os Deuses nascem mas nunca morrem. Eles têm corpos e sentidos, como mortais, apenas em proporções maiores. Eles comem e bebem, apesar de ser apenas néctar e ambrósia. Eles estão acordados mas adormecem. Eles viajam, mas com a rapidez do pensamento. Eles se misturam no campo da batalha. Eles coabitam com os seres humanos, produzindo heróis ou semi-deuses. Eles estão limitados no espaço-tempo. Apesar de alguma vezes serem venerados com os atributos de omnipotentes e omniscientes, e chamados de santos e justos, ainda assim são sujeitos à certeza do destino (Moira), caem em desilusão, e repreendem-se com crimes e insensatez. A sua felicidade parisidíaca é pertubada pelos os mesmos problemas da vida. Mesmo Zeus ou Jupíter, os pratiarcas da família olímpica, são enganados pelas suas irmãs e mulherers Era(Juno), com quem tinha vivido trezentos anos de uma união secreta, antes de ter proclamado sua Mulher e rainha dos deuses, e é mantido na ignorançia dos eventos de Tróia. Ele ameaça os seus subordinados com golpes de morte, e faz tremer o Olímpo quando se ira. Marte é abatido com uma pedra de Dionísio. Neptuno e Apolo têm que trabalhar mas são enganados. Hefesto faz trabalho de limpeza e provoca uma gargalhada. Os deuses estão envolvidos pelos os seus casamentos em perpétuos ressentimentos e brigas. Eles estão cheios de inveja e ira, ódio e cobiçam homens para o crime, e provocam-se mutuamente ao encontro da crueldade, perjúrio e adultério. A ìliada e Odisseia, os poemas mais famosos do génio helénico, são escandalosas crónicas dos deuses. Daí Platão bani-los da sua cidade ideal. Píndar, Ésquilo, Sófocles, igualmente as suas ideias acerca dos deuses eram mais elevadas nobres e puras pois respiravam uma pura atmosfera moral, mas eles representavam a crença excepcional de poucos, enquanto Homer expressou a crença popular. Verdadeiramente nós não temos nada contra Scilher por “Deuses Gregos” mas juntar-mos-íamos ao poeta nas suas acções de graças: (continua)

"Einen zu bereichern unter allen,
Musste diese Götterwelt vergehen."

O que é a Religião?

Já vimos que o Homem, naturalmente identifica o criador na criação, (os agnósticos gostam de jogar ao quarto escuro), por isso naturalmente, as Religiões estiveram sempre presentes nas sociedades, já agora o nome da Religião vem (do latim: "religio" usado na Vulgata, que significa "prestar culto a uma divindade", “ligar novamente", ou simplesmente "religar"), ou seja, a Religião tem como principal objectivo, ligar o homem a Deus ou melhor dizendo, religar, pois Deus tudo cria Bom como já vimos e como diz a Bíblia, "e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus". No entanto, qual a Religião que faz melhor esse papel, de ligar o Homem a Deus, pois são tantas! Podemos por começar a dizer, que todas as religiões são iguais, mas não me parece! As Religiões são mais verdadeiras, quanto mais próximas estiverem do Ser por Excelênçia que a razão humana prevê, assim já dizia Sócrates ao morrer "Causa das causas, tem pena de mim", no entanto, como já dizia Platão no mito da caverna , o homem tem que se libertar dos grilhões que o prendem à caverna que só o deixam ver as sombras! como neste caso, onde chegam a afirmar "Que o orgasmo é Deus"... Só podemos dizer "Tende Misericórdia de nós Senhor"... Mas ainda há aqueles, que com sacríficio se libertam dos grilhões que o prendem na caverna, e saíndo desta, o Homem devido à Luz, desviará os olhos para não se magoarem, e aos poucos terá "necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos."1 Assim a sua Religiosidade será mais verdadeira pois o homem estará mais próximo daVerdade, de Deus!
Outra questão que podemos discutir, é sobretudo a questão da utilidade da existênçia das Igrejas que representam as várias Religiões, que hoje tanto os homens discutem! e porque será? Tal como o Estado, a Igreja nasce naturalmente do meio da comunidade.. O primeiro porque os homens têm em vista um Bem comum, o segundo, porque tem uma verdade comum, e como já dizia Aristóteles, o Homem é um animal político, pois a Política têm como finalidade de procurar o bem, assim também se pode dizer que o Homem é um animal Religioso, pois a Religião tem como finalidade procurar a verdade, e já Sócrates morreu por não acreditar nos deuses pátrios, pois já o sabia, que Deus só havia um, como a recta razão o diz, e mais um passo foi dado na busca da verdade, na religiosidade do mundo... Concluíndo, a Igreja tal como o Estado, existem pois o Homem é um ser social, pois têm em comum o Bem, Verdade e o Belo, que a razão vê. Visto isto, então porque será que hoje muitas pessoas arrogam-se de não ter nenhuma Igreja, mas têm a sua religiosidade, a sua espiritualidade. A resposta mais provável, é de que fazem do seu próprio ventre o seu próprio Deus, mas pior cego é aquele que não quer ver, e a Verdade está aí para quem quiser procurar! comum a todos..
Mas olhando hoje para o mundo, quanto está afastado da recta razão, até os próprios políticos precisam de levar a ética à política, quando a própria natureza da política é a ética... assim a degradação do mundo, prova mais uma vez, faz brilhar mais uma vez, a Religião Católica, e mais uma vez vêmos a incapacidade do Homem de se elevar até Deus, (existem poucos homens como Sócrates), mas foi o próprio que "Que, sendo Deus, .. aniquilou-se a si mesmo tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." (Fp 2.6-8) para nos redimir... "porque Deus é amor."(1 João 4:8)

1-Républica, Platão

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sereis como Deuses? II

Como já tinha escrito, a Gnose e o Panteísmo, são antagónicos, e dialécticos, na medida que cada um leva ao outro, assim torna-se como uma prisão para o Homem! Mas qual a razão do homem, cair então nestes dois ramos de pensamento, que o aprisionam! Antes de qualquer coisa, podemos tentar perceber a predisposição do homem ao aderir a estes dois sistemas, antes de entrámos nas questões filosóficas! Como já disse, quando falei da Gnose, o homem 'odeia' o Mundo, e por meio deste 'odeia' o Criador, esta é a consequência final da Gnose no Homem, mas também de certeza foi o motivo inicial que os Homens tiveram, ao construíram o sistema Gnóstico, e por isso a conclusão é aquela (A Gnose é Dualista, para ela existem dois absolutos, o Bem e o Mal). Mas além disso, aos afirmarem o mal do universo, indicam o caminho para se unirem à divindade boa, libertando-se das prisões que a Divindade má fez para o homem, ou seja, para ele tudo o que é bom é mau, e tudo o que é mau, é bom, assim não libertariam a substancia divina contida no ser humano pela razão, mas sim por experiências irracionais.
No Panteísmo ao contrário da Gnose, está mais em foco a divindade da natureza, a nossa divindade, aqui o homem atiçado pelo o orgulho e soberba e por amor injusto a si mesmo, começou a conceber a natureza como Deus e por consequência nós próprios seríamos Deus.
Sabemos que a cobiça, escureceu a razão de Adão e Eva, assim os defeitos que apontei em cima, predispõem o Homem a aniquilar a sua razão, para ser como Deus, apesar na prática afastar-se mais, como aconteceu com Adão e Eva, e hoje a nossa sociedade comprova. Vimos o que poderá levar o homem a predispor a trancar-se nesta prisão, agora iremos ver o porquê de trancar-se, pois este tenta sempre justificar-se antes e depois de fazer o mal. Assim o principal problema que a razão Humana encontra e talvez o mais importante, e que origina todos estes problemas na harmonização, entre matéria e a consciênçia ou alma, entre o empirismo e idealismo, entre razão e fé, entre moral e felicidade, entre outros muitos problemas deste tipo, dialécticos... é a questão primeira da harmonia entre o universal e o particular, há muito discutida pelos filósofos.
Não que a razão humana seja incapaz de a resolver, no entanto o homem como já vimos obscurece a razão, primeiramente antes, para buscar uma mentira atiçada pela cobiça "Sereis como Deuses", e depois para se justificar do mal que ele fez, no entanto esta questão há muito que foi resolvida!

Artigo retirado do site da Montfort, sobre a Pseudo-Solução do problema dos Universais e as suas consequências, e a sua solução!

O nominalismo
O nominalismo é uma pseudo-solução para o problema dos universais. Segundo Aristóteles: “Há coisas universais e coisas particulares, e denomino universal isso cuja natureza é a de ser afirmada de vários sujeitos, e de particular o que não pode tal, por exemplo, homem é um termo universal, e Cálias um termo singular.”.[27] Ou seja, existem indivíduos e universais, sendo que esses últimos podem ser afirmados de vários indivíduos. Por exemplo: existe o indivíduo Lulu, o cachorrinho de minha vizinha, mas existe também ‘cachorro’, que no meu intelecto é um conceito universal, embora exista em Lulu, em Rex e em qualquer outro cão. É evidente que todos nós utilizamos o tempo todo termos universais e particulares. Todavia, passando um pouco além dessa evidência, surge uma dificuldade. Como afirmam Aristóteles e os tomistas: tudo que é real é individual. Portanto, o universal pelo seu carácter de generalidade não parece corresponder a nada de real. Neste sentido é que surge a famosa pergunta feita por Porfírio no Isagogo: os universais são realidades em si mesmas, ou apenas simples concepções do intelecto? Simplificando: quando dizemos ‘homem’ (universal), isso que dissemos existe realmente ou apenas no meu pensamento?
A – Solução
Para compreendermos melhor o nominalismo e suas consequências, é importante expormos rapidamente a solução da dificuldade apresentada acima.
A resposta a essa questão de Porfírio não poderia ser mais evidente. O que dissemos (‘homem’) existe realmente, porém, individualizado. Como explica Joseph Kleutgen S.J: “L’universel est défini par Aristote, et avec raison, tantôt comme l’un qui peut être énoncé de beaucoup, tantôt comme l’un qui peut exister en beaucoup d’individus. (...) Dans la première definition, Aristote parle, par conséquent, de l’universel logique, tandis que, dans la seconde, il a en vue l’universel métaphysique. Or il est évident que, d’après cette définition, l’universel n’existe pas seulemnt dans nos représentations, mais encore dans les choses.”.[28][O universal é definido por Aristóteles, e com razão, tanto como algo que pode ser enunciado de muitos, como algo que pode existir em muitos indivíduos. (...) Na primeira definição, Aristóteles fala, por consequência, do universal lógico, ao passo que na segunda, ele tem em vista o universal metafísico. Ora, é evidente que, segundo esta definição, o universal não existe somente nas nossas representações, mas também nas coisas]. Portanto, o universal ‘homem’ que existe em nosso intelecto, é o mesmo que existe em Pedro, José ou Francisco. Contudo, em Pedro ele existe com as determinações particulares de Pedro, as quais o individualizam.
Esse fato torna-se mais evidente quando consideramos a verdade de nossas afirmações. Uma proposição é verdadeira quando diz o que a coisa é. Por exemplo, pego algo e digo: isto é um lápis. A minha afirmação é verdadeira, obviamente, se o objecto que estou segurando for realmente um lápis. Se digo ‘isto é um lápis.’, enquanto considero uma galinha que seguro entre as mãos, certamente estou louco ou mentindo. E não adianta tentar escrever com a galinha ou almoçar o lápis, pois isso só confirmaria minha loucura. Para que eu não passe por lunático ou por mentiroso, devo saber que, quando afirmo ‘é’, expresso uma identidade; aquilo que existe em meu intelecto de modo imaterial (universal) é o que está individualizado pela matéria no objecto. Por exemplo, consideremos o termo universal ‘homem’. Se afirmo ‘Pedro é homem.’, indico que fora de mim existe ‘homem’. Isso é evidente. Se negássemos essa evidência, e disséssemos que esse universal (‘homem’) não existe realmente em Pedro, nossa primeira afirmação seria mentirosa ou louca, visto que atribuímos existência a algo que só existiria em nosso intelecto. Desse modo, nós jamais poderíamos dizer ‘é’, chegando assim à negação do conhecimento humano. Ora, como podemos perceber, isso é um absurdo. É preciso deixar claro que quando digo ‘é’, indico algo real, existente em acto. Logo, os universais existem no intelecto e nas coisas; no intelecto existem sem as determinações particulares da matéria, nas coisas são individualizados por elas.
B – Pseudo-solução nominalista
Para os nominalistas, entretanto, o universal não passa de um nome. Os universais seriam apenas termos inventados pelo nosso intelecto para abarcar um grupo de indivíduos. Para Guilherme de Ockham, o pai do nominalismo moderno: “... o único real é o particular, ou, as únicas substâncias são as coisas individuais e suas propriedades. O universal existe na alma do sujeito cognoscitivo, e somente nela. Teremos de nos perguntar em que medida podemos atribuir-lhe uma existência no pensamento, mas deve-se colocar, de fato, que não há nenhuma espécie de existência fora do pensamento: omnis res positiva extra animam eo ipso est singularis.”[29] Poderíamos afirmar que as “ideias gerais são palavras arbitrariamente escolhidas para designar as coisas”[30], mas não passam disso.
Certamente, a muitos parecerá que tais questões filosóficas, muito abstractas e difíceis, têm pouca importância para nossa vida prática. Ledo engano. Os princípios que surgem desses problemas são os fundamentos de uma visão de mundo. Ora, mudando-se a visão de mundo dos homens, muda-se também a vida dos homens.
C – As Consequências
O nominalismo pode nos levar a consequências bem graves. Tomemos, para facilitar a explicação, um princípio qualquer das ciências naturais. Por exemplo: todo corpo tende a permanecer parado ou em movimento a não ser que receba alguma força. Este é – simplificando – o famoso princípio da inércia de Isaac Newton. Consideremos essa afirmação. Notemos, por exemplo, os termos ‘corpo’ e ‘força’. Evidentemente, estes são termos universais. Sendo assim, uma questão se impõe: se eles só existem no intelecto e não na realidade, como esse princípio poderia ser uma explicação do mundo? Ele versaria apenas sobre ideias criadas pelo sujeito e não sobre as coisas do mundo.
Com efeito, para Ockham e os nominalistas, “os géneros e espécies não são nada fora do pensamento.”.[31] Ora, se não há na realidade algo que é comum a diversos indivíduos, ou seja, o universal, os temos universais não corresponderiam a nada real. O homem permaneceria preso em sua subjectividade e não conheceria o mundo.
Podemos notar, deste modo, que o nominalismo nos abre um caminho lógico tanto para o subjectivismo quanto para o idealismo. É verdade que Ockham afirmava a existência dos indivíduos externos ao ‘eu’, declarando, entretanto, que a “única realidade que corresponde aos universais é, pois, a dos indivíduos.”.[32] Sendo assim, Ockham defende a existência de indivíduos, mas identificando-os com os universais. Eis aí um dos grandes equívocos do nominalismo. Para Ockham, então, nosso intelecto teria a função de relacionar as imagens dos indivíduos percebidos pelos sentidos, ou melhor, os objectos de nossa inteligência não seriam os universais, mas os particulares. Ora, isso é confundir percepção sensível e imaginação – coisas puramente materiais –com conhecimento intelectual![33] Deste modo, vemos como o nominalismo também pode levar ao materialismo, negado a espiritualidade da alma e fazendo do homem um ser puramente material. Exactamente por isso, ao estudar o nominalismo chega-se à conclusão de que essa “théorie sur l’origine des idées ressemble beaucoup au matérialisme des philosophes grecs.” [essa teoria a respeito da origem das idéias se assemelha muito ao materialismo dos filósofos gregos].[34]
Poderíamos, assim, identificar algumas consequências mais imediatas do nominalismo:
A) As ideias, isto é, os universais, seriam invenções do intelecto (subjectivismo).
B) O idealismo.
C) O materialismo. [35]
D) O cepticismo.
É certo que o idealismo, negando o conhecimento do mundo, já poderia ser tomado por pai do ceticismo. Contudo, embora o nominalismo conduza logicamente ao idealismo, não é uma afirmação explicita do mesmo, sendo também susceptível de um desenvolvimento materialista. Todavia, como o que nos interessa nesse artigo são os fundamentos do iluminismo, que é tido como racionalista, cientificista e materialista, importa-nos saber como o materialismo leva ao cepticismo.
Para compreendermos bem como o materialismo leva ao cepticismo, é importante que saibamos o que é o conhecimento científico. Podemos definir ciência como: “o conhecimento certo das coisas pelas suas causas.”[36] Vejamos um caso concreto. Vendo um corpo que em um determinado momento estava em repouso e depois se encontra em movimento, posso concluir que ele recebeu uma força para executar esse movimento, pois do contrário ele permaneceria imóvel. Portanto, posso afirmar que o movimento ocorre por causa de uma força e isso não poderia ser de outra maneira, sendo necessário que esse corpo para se mover tenha recebido uma força. Quando eu raciocino dessa forma, conhecendo e explicando o movimento pela sua causa e verificando a necessidade desse fato, eu conheço cientificamente o movimento. Eu conheço, como Newton, a lei da inércia. Essa lei serve para todo corpo, independente de eu ter contacto experimental ou não com ele; basta ser corpo para estar submetido a essa lei.
Agora vejamos. Todo meu raciocínio, toda minha explicação e mesmo a própria definição da lei física em questão, são formados por universais (‘corpo’, ‘força’, ‘movimento’ etc.). Ora, como para os nominalistas os universais são apenas sinais que fazem, no discurso, às vezes dos indivíduos que percebemos pelos sentidos, essa relação universal de causa e efeito, que estabeleço na lei física, não existe realmente. Essa relação foi perceptível sensivelmente nas experiências que tive, mas só nelas, pois eu só percebo indivíduos, e por isso não posso nunca afirmar que o que aconteceu nessa experiência acontecerá com outros indivíduos. Como estes indivíduos não possuem natureza comum, ou seja, como não há universal existente no indivíduo, a relação de causa e efeito é uma verificação experimental, mas, cessada a experiência, essa relação não pode ser atribuída a outros indivíduos.[37]
Como nos lembra Gilson, analisando a doutrina de Nicolau de Autrecourt, discípulo de Ockham: “Uma vez terminada a constatação experimental, resta a simples probabilidade de que os mesmos efeitos se reproduzirão se as mesmas condições forem de novo dadas.”.[38] Para Nicolau: “A proposição ‘aproximo o fogo da palha e não há nenhum obstáculo, logo a palha pegará fogo’, não é evidente: é apenas uma probabilidade baseada na experiência.”.[39] A ciência, portanto, apresenta-se como uma mera descrição e enumeração de eventos individuais particulares, mas não como conhecimento das coisas pelas causas.
É certo, portanto, que essa confusão nominalista entre sensibilidade e conhecimento intelectual, negando o conhecimento intelectual e reduzindo o homem a um simples animal provido apenas de experiência sensível, conduz ao materialismo e ao cepticismo.
Alguém, diante de nossa exposição tão sucinta e esquemática, poderia ter dificuldade para compreender como um mesmo princípio poderia levar a doutrinas opostas como idealismo e materialismo. Erwin Panofsky, analisando essa questão, faz um comentário que poderia ajudar-nos na compreensão do problema. Segundo ele:

manifesta-se aí novamente o eterno problema do empirismo: já que a qualidade do ‘real’ só se aplica ao âmbito do que pode ser apreendido pelas notitia intuitiva, isto é, às coisas individuais directamente percebidas pelos sentidos e aos estados e processos psíquicos específicos (alegria, tristeza, querer, etc.), que se conhece pela experiência interior, então tudo o que é real, a saber, o mundo dos objectos físicos e o mundo dos objectos psíquicos, jamais poderá ser racional, ao passo que tudo o que é racional, a saber, os conceitos que se extraem desses dois âmbitos, através da notitia abstractiva, jamais poderá ser real. É por isso que todas as questões metafísicas e teológicas – inclusive a existência de Deus, a imortalidade da alma e, pelo menos em um caso (Nicolau de Autrecourt), mesmo o problema de causalidade – só podem ser discutidas com base no conceito de probabilidade.”.[40]
O nominalismo estabelece uma separação absurda entre o ‘eu’ com suas ideias e o mundo externo dos indivíduos. Diante de tal problema, diferentes pessoas, de caracteres diferentes e graus de compreensões distintos, poderiam optar pelo mundo do ‘eu’ ou pelo mundo dos indivíduos. Num caso seria idealista, no outro materialista. Mas em ambos casos seria céptica.


http://montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=iluminismo&lang=bra

Assim como vimos, neste artigo a pseudo solução dos universais, o Nominalismo tanto leva ao Idealismo como ao Empirismo, tanto o idealismo pode representar a Gnose, pois ambos negam a realidade e por isso acabam por ser irracionais. E por outro lado o Empirismo representa o Panteísmo ao virar-se para natureza negando o universal submete o ser à razão e por isso racionalista, mas as duas incapazes de satisfazer o homem, e por isso também são dialécticas, pois um empirista ao negar a capacidade do homem de conhecer o universal, apenas o particular, impossibilitando o conhecimento do mundo como está explicado no artigo em cima, o homem vira-se para o seu 'Eu', para o seu mundo que acaba por transformar-se numa realidade subjectiva pois separada do particular, e por este próprio motivo um idealista afasta-se da realidade podendo voltar outra vez para o empirismo, e assim dialecticamente o homem fica prisioneiro. O idealismo não corresponde à realidade, o Empirismo aniquila a verdade submetendo a realidade da existência do mundo à razão, e assim destroem toda a harmonia do mundo, a harmonia do homem, ao separar a razão da realidade, por isso, como diz o artigo são ambas cépticas!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sereis como Deuses?

O Panteísmo identifica a criação com Deus, ou seja que Deus é imanente ao universo, melhor dizendo faz parte da substância do universo! Assim o Panteísmo tem em comum com a Gnose, a mentira na qual Adão e Eva caíram "Sereis como Deuses..". Adão e Eva deviam saber que os caminhos da serpente não são rectos, mas esta também é astuta, assim tocou-lhes no mais profundo da alma, ao dizer "Sereis como Deuses", seduzindo Eva, que quis ser enganada, por tamanha cobiça! É pois de não estranhar, que o Panteísmo e a Gnose apesar de serem em principio antagónicos, diferentes à primeira vista, como por exemplo o Panteísmo proclamar o bem do universo, ao contrário da Gnose, estes acabam por se levar um ao outro, são quase que dialécticos, sem saída, ficámos presos, até à morte consumada na boca da serpente provocada por sua língua bifurcada, qual símbolo que a Gnose e o Panteísmo representam! Bom mas já falámos na Gnose, noutras postagens, agora vamos falar no Panteísmo!
Como já dissemos para o Panteísmo Deus seria o Universo, e o actual estado deste, seria apenas um estágio até à evolução final, até à manifestação Divina deste! Assim o Universo seria determinista, optimista, que apontava para o futuro brilhante até à redenção final do homem pelo próprio homem! Pois a matéria, mineral, evoluí até surgir o vegetal, depois veio o animal até aparecer o homem, animal racional, e este dará à luz a inteligência pura, ou matéria espiritualizada, no qual compreenderá e dominará todo o universo! De facto hoje vivemos numa sociedade de conhecimento, dominada pela técnica, progresso, e o olhar no futuro, mas nem sempre foi assim, porque ao contrário destes ideais, o homem sempre observou na natureza ciclos que regiam-na, desde as estações, até à própria vida, e talvez seja daí que surgiu a ideia da reencarnação. Tudo o que existe e existirá, voltará a existir, e nada haverá de novo na história pois o que é novo viverá e o velho perecerá, velhos impérios cairão e novos ressurgirão. O mundo antigo partilhava destes pensamentos, até o mundo Grego que nos legou parte do pensamento. Mas foi com o Cristianismo que esta visão mudou pois ao crer-se que tudo o que passa na terra, acontecerá outra vez, então Cristo não morreria uma, mas várias vezes e ressuscitaria várias vezes, e o Reino de Deus futuro nunca aconteceria na história, pois era inalcançável na História cíclica, no entanto a crença no "Eterno Retorno" era irreconciliável com a Fé Cristã pois nas próprias palavras de Santo Agostinho "Deus proibiu que acreditássemos no [Eterno Retorno]. Uma vez que Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, e ressuscitando depois, não torna a morrer" A concepção linear no tempo pelo Cristianismo e Judaísmo, introduziu no mundo a ideia do progresso, pois já no judaísmo a glória do Povo Judeu não era o passado glorioso do Rei David e Salomão, mas sim o futuro Reino instituído pelo Messias no qual não terá comparação em glória e Poder, tal é o seu brilho. Com o Cristianismo o futuro também será risonho, pois a segunda vinda de Cristo, agora em glória e Poder, será seguida pela criação de novos Céus e nova Terra onde o último inimigo a ser vencido será a morte, e não haverá mais dor nem tristeza! esta é a cultura que nasceu nas sociedades Judaico-Cristã. No entanto o progresso, foi desvirtuado (devido à aniquilação do Homem, do Mundo e de Deus), num progresso material que a ciência protagonizou, e por isso, passou da esfera da Religião para a Ciência, e esta os carrega, pois agora o homem procura a sua redenção nesta, transformando -a quase que numa religião, pois a matéria é o seu objecto de estudo, e o Panteísmo divinizou-a. Assim também se compreende o crescente número de ateus, que se podem considerar panteístas. Mas o que significa o progresso humano? hoje o homem é visto como mera máquina, já não é contemplando com a plenitude do seu ser, o próprio conhecimento foi eliminado pois a verdade tornou-se subjectiva, focalizando a razão apenas na técnica e não na verdade, assim a sua vontade, sem estes dois, cai nos instintos e paixões! Consequentemente, hoje a identidade do homem como de qualquer objecto é apenas a sua utilidade num materialismo repugnante, e talvez por isso houve um tremendo progresso na técnica, mas no homem aparentemente não houve nenhum, hoje somos quase que animais que vivem de instintos e desejos, mas em vez de pedras para atirar aos outros, temos bombas que podem provocar o fim do mundo! Hoje a ciência pode construir máquinas com muita mais capacidade de memória e processamento do que o homem, máquinas que poderão dominar o universo, mas este ‘Deus’ que pode prolongar a espécie humana no tempo do universo está muito longe de ser a plenitude humana, porque o homem não é uma máquina inteligente que pode criar outras máquinas mais inteligentes ou pelo menos não é só isso. O Homem é um ser racional que pode contemplar as perfeições do universo, contemplar o ser por excelência, e buscar as suas perfeições, para chegar à plenitude que Deus quis. O Homem não pode abdicar da sua plenitude, Ser, razão e vontade, porque se não corremos o risco de auto-destruímos com a técnica desenvolvida, porque sem a plenitude do verdadeiro progresso, que qualquer homem pode alcançar! Como Cristo disse “Sede, pois, perfeitos, como também vosso Pai do céu é perfeito"
Mas o Panteísmo ao declarar que o Universo é Deus, este tinha que ter as qualidades de Deus, coisa que não têm pois teve um inicio. No entanto agora existe uma teoria, na qual o Homem depois de construir ‘Deus’, tipo uma máquina universal, esta antes do universo colapsar segundo a teoria do Big Crunch, ordenaria o Universo para que o nascimento do próximo Universo, com um novo Big Bang, estaria concebido para criar a vida, tal com este em que vivemos e isto assim infinatemente. Mas mesmo que os universo colapsassem segundo a teoria do Big Crunch, o Deus que o Homem construiria estava muito longe de ser a plenitude do homem, simplesmente era a plenitude do engenho humano, e também voltaríamos à situação do ‘Eterno Retorno’ contrário à Fé Cristã!

domingo, 21 de junho de 2009

Deus é Bom ou Mau? II

Como já vimos, o uso do bom senso e da recta razão, permite ao homem dizer que a vida é um bem, e que a morte é um mal, que o universo é bom não só porque existe, mas também porque permite que a vida humana exista, assim contemplando as perfeições do universo, chegamos a Deus o bem por excelênçia, pois é o ser que existe por si donde provêm todas as perfeições que conhecemos, todos os outros seres, são entes que participam do Ser por excelênçia, que chamamos Deus. Porque do nada não provêm nada, assim ninguém pode negar Deus. No entanto muitos dos seres Humanos negam a bondade do universo, desprezam a ordem do universo, por último chegam ao ponto de dizer que é mau. Isto acontece principalmente devido à limitação que nós todos temos, não somos infinitos como Deus, mas estes cegos julgam ter o direito de julgar na mesma Deus, e começam com a sua obra! O homem soberbo e orgulhoso, ama-se injustamente, pois ama-se como se um Deus trata-se, cego pois o seu EU está mais inchado, que tapa a Luz que a razão lhe dá. Assim quando a vida inevitavelmente e naturalmente o acaba por limitar a sua 'divindade', eles revoltam-se contra a vida e negam a sua bondade pois desprezam a ordem querida por Deus. Começam então a fabricar vâs filosofias, como transformar os sentidos em construtores da realidade e não receptores das imagens da realidade, isto tudo para alcançarem a ideia que pretendem, declarar que o universo é mau, não tem sentido! Eles não se suícidam, apesar de ser a conclusão final, porque sabem que estas filosofias são apenas fábulas, são apenas marketing de um general perdedor no final da guerra, logo inicialmente perdida! Outra desordem que provocam no mundo do homem, é o desprezo que tem pela a ordem do criador, (mesmo que hoje saibamos que o universo está minuciosamente ordenado para o nascimento da vida, sendo a sua preservação muito delicada), pois esta os limita, assim fabricaram outras vâs filosofias, destruíram a razão, já antes o tinham feito ao ser, e a verdade já só dependeria da vontade do homem, de ser útil ao homem, agora o homem tornou-se escravo, porque vontade sem razão são paixões e instintos, pois aquilo que o homem decaído, sem razão deseja, é aquilo que provoca sua queda, mas é um bem pois provêm dos desejos do homem! Pior cego é aquele que não quer ver. Depois disto tudo, o homem já sem ferramentas para olhar o universo, sente-se preso, pois as consequênçias finais, é a incapacidade do Homem compreender o outro eu, de compreender o mundo, de compreender Deus. O Universo torna-se uma gigantesca prisão no qual o Homem terá que libertar a centelha 'divina' inerente a este, assim o orgulho fez com que o homem tapasse os olhos, os ouvidos, a boca, o nariz, a razão, para nos tornámo-nos como Deuses. O mais incrível é que essas pessoas que odeiam o mundo, são as elites que já dominam grande parte do poder mundial, mas não se contentam, querem MAIS, querem ser Deuses, por isso odeiam o verdadeiro Deus, e por isso, nem as suas sobras dão, mesmo que pudessem acabar com grande parte dos problemas mundiais, como a fome!
A imagem acima é de um filme que se chama matrix, (a maior parte das pessoas já o devem ter visto) no qual representa o mundo como o conheçêmos, apenas uma ilusão, criada por um 'Deus- robôs' mau, uma grande mentira em que as pessoas viviam, tudo o que existia era um mal, pois prendía-nos da verdadeira realidade, do bem! É claro que a única forma de salvar-mo-nos, era ganhármos consciênçia da mentira do universo, e assim suicidar-mos, como acontece a uma personagem na curta-metragem Animatrix sobre o mundo Matrix, e assim ganharíamos consciênçia no verdadeiro mundo! É óbvio que ninguém inventa estas fábulas, se não odiar o homem, o mundo e por fim Deus. A Gnose, é um suposto conhecimento oculto da realidade, para o homem poder tornar-se Deus.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Criação segundo a Ciênçia II

Será que o universo é fruto do acaso, talvez o leitor ache interessante uma afirmação feita por um cientista da NASA, altamente qualificado nesses assuntos. É muito mais provável — dizia este professor — que uma lagartixa, um camundongo e um pardal façam por acaso (só passeando, arrastando e deixando à toa pedacinhos de metal, areia, etc.) um computador de última geração, do que o pretenso surgimento do universo — desde as galáxias até às borboletas — sem que tenha havido como causa de tudo uma Inteligência suprema, criadora, ordenadora e providente, ou seja, sem Deus.(a)

Este texto que se segue foi retirado do livro "Fórmula de Deus", escrito por José Rodrigues dos Santos, que aconselho a comprar, pois o escritor tem o mérito de explicar a um leigo, as teorias da física mais avançadas.

Boa Leitura!

1-A energia libertada no Big Bang, para que o universo expandir-se de modo ordeiro como o conhecemos, teria que ter uma precisão na ordem dos 10 elevado a 120, ou seja 120 zeros a seguir ao número 10, se a energia fosse uma fracção maior, não se formariam galáxias e dispersaria, se fosse uma fracção menor, consumir-se-ia num gigantesco buraco negro, o que equivaleria há hipótese de atirar uma seta ao acaso para o espaço e ela atravessar todo o cosmo e ir atingir uma alvo com milímetro de diâmetro localizado na galáxia mais próxima.

2-Quando ocorreu a grande expansão criadora não havia matéria. A temperatura era imensamente elevada, tão elevada que nem os átomos se conseguiam formar. O universo era então uma sopa escaldante de partículas e antipartículas, criadas a partir de energia e sempre a aniquilarem-se umas às outras. Essas partículas, os quarks e os antiquarks, são idênticas umas às outras, mas com cargas opostas, e, quando se tocam, explodem e voltam a ser energia. À medida que o universo se ia expandindo, a temperatura ia baixando, e os quarks e antiquarks foram formando partículas maiores, chamadas hadrões, mas sempre a aniquilarem-se umas às outras, Criou-se assim a matéria e antimatéria. Como as quantidades eram iguais e ambas se aniquilavam mutuamente, o universo apresentava-se constituído por energia e partículas de existência efémera e não havia hipótese de se formar matéria duradoura.
O que se passou, no entanto, foi que, por uma razão misteriosa, a matéria começou a ser produzida numa quantidade minusculamente maior do que a antimatéria. Para cada dez mil milhões de antipartículas, produziam-se dez mil milhões e umas partículas.
10000000000 Antipartículas
10000000001 Partículas
Isto é por dez mil milhões de partículas eram destruídas por dez mil milhões de antipartículas, mas sobrava sempre uma que não era destruída, juntando-se a outras sobreviventes nas mesmas circunstâncias, formou a matéria. Mais um acaso extraordinário.

3-Outra questão onde o universo requer uma incrível afinação é a sua homogeneidade. A distribuição da densidade da matéria é muito homogénea, mas não é totalmente homogénea. Quando ocorreu o Big Bang, as diferenças de densidade eram incrivelmente pequenas e foram sendo amplificadas ao longo do tempo pela instabilidade gravitacional da matéria. Outro golpe de sorte. O grau de não uniformidade é extraordinariamente pequeno, na ordem de um para cem mil, exactamente o valor necessário para permitir a estruturação do universo. Nem mais, nem menos. Se fosse marginalmente maior, as galáxias depressa se transformariam em densos aglomerados e formavam-se buracos negros antes de estarem reunidas às condições para a vida. Por outro lado de não uniformidade fosse marginalmente mais pequeno, a densidade da matéria seria demasiada fraca e as estrelas não se formariam.

4-A própria existência das estrelas com uma estrutura semelhante à do Sol, adequada à vida resulta de um novo golpe de sorte… Repare, a estrutura de uma estrela depende de um equilíbrio delicado no seu interior. Se a irradiação de calor for demasiado fraca, a estrela transforma-se numa gigante azul e se for demasiado fraca a estrela torna-se uma anã vermelha. Uma é excessivamente quente e outra excessivamente fria e ambas provavelmente não têm planetas. Mas a maior parte das estrelas, incluindo o Sol, situa-se entre estes dois extremos, e o que é extraordinário é que os valores para além destes são altamente prováveis, mas não ocorreram. Em vez disso, a relação das forças e a relação das massas das partículas dispõem de um valor tal que parecem ter conspirado para que a generalidade das estrelas se situe no estreito espaço entre os dois extremos, assim a possibilitando a existência e predominância de estrelas como o Sol. Altere-se marginalmente o valor da gravidade, da força electromagnética ou da relação de massas entre o electrão e o protão e nada do que vemos no universo se torna possível.

5-Duas constantes da natureza, justamente a proporção das massas dos electrões e protões, designada constantes Beta, e a força de interacção electromagnética, designada constante da estrutura fina, ou Alfa, alterando os valores, e calculando as consequências de tal alteração. Faça-se um pequeno aumento do Beta que determina as posições bem definidas e estáveis dos núcleos dos átomos e que obriga os electrões a moverem-se em posições bem precisas em torno desses núcleos. Se o valor do Beta for marginalmente diferente, os electrões começam a agitar-se de mais impossibilitam a realização de processos muito precisos, como a reprodução do ADN, Por outro lado, é o actual valor de Beta que, em ligação com Alfa, torna o centro das estrelas suficientemente quentes para gerarem reacções nucleares. Se Beta exceder em 0,005 o valor do quadrado de Alfa, não haverá estrelas. Sem estrelas, não há Sol, sem Sol, não há Terra nem vida. E se o Alfa aumentar em apenas quatro por cento, o carbono não poderá ser produzido nas estrelas. E se aumentar apenas 0,1 não haverá fusão nas estrelas. Sem carbono nem fusão estelar, não haverá vida. Ou seja, para que o universo possa gerar vida, é necessário que o valor da constante da estrutura fina seja exactamente o que é. Nem mais, nem menos.
Também a força Nuclear forte, aquela que provoca as fusões nucleares nas estrelas e nas bombas de hidrogénio, descobriu-se que ao aumentar a força forte em apenas quatro por cento, isso faria com que, nas fases iniciais após o Big Bang, todo o hidrogénio do universo se queimasse rápido de mais, convertendo-se em hélio 2. Isso seria um desastre, porque significaria que as estrelas esgotariam depressa o seu combustível e algumas se transformariam em buracos negros antes de existirem condições para a criação da vida. Por outro lado, se reduzisse a força forte em dez por cento, isso afectaria o núcleo dos átomos de um modo tal que impediria a formação de elementos mais pesados, um dos quais é o carbono, não há vida, … ou seja o valor da força forte dispõe de apenas um pequenos intervalo para criar as condições para a vida e, como que por providencial milagre é justamente nesse estritíssimo intervalo que a força forte se situa.
Aliás, a conversão de hidrogénio em hélio, crucial para a vida, é um processo que requer absoluta afinação. A transformação tem de obedecer a uma taxa exacta de sete milésimos da sua massa para energia. Se baixar uma fracção, a transformação não ocorre e o universo só tem hidrogénio. Se aumentar uma fracção, o hidrogénio esgota-se rapidamente em todo o universo.
0,006% - Só hidrogénio
0,008% – hidrogénio esgotado
Ou seja, para que exista a vida é necessário que a taxa de conversão do hidrogénio em hélio se situe exactamente neste intervalo. E olhe a coincidência situa-se mesmo!

6-Agora repare no carbono. Por diversas razões, e o carbono é o elemento no qual assenta a vida. Sem carbono, a vida complexa espontânea não é possível, uma vez que só este elemento dispõe de flexibilidade para formar as longas e complexas cadeias necessárias para os processos vitais. Nenhum outro elemento é capaz de o fazer. O problema é que a formação do carbono só é possível devido a um conjunto de circunstâncias extraordinárias…. Para formar o carbono, é preciso que o berílio radioactivo absorva um núcleo de hélio, parece simples. O problema é que o tempo de vida do berílio radioactivo se limita a uma insignificante fracção de segundo. 0,0000000000000001 segundos
E, no entanto, é justamente neste período incrivelmente curto que o núcleo do berílio radioactivo tem de localizar, colidir e absorver um núcleo de hélio, criando assim o carbono. A única forma de isto ser possível num instante tão efémero é o das energias destes núcleos serem exactamente iguais no momento em que colidem. E nova surpresa, são mesmo iguais! …. Se houvesse uma discrepância ligeiríssima, mínima que fosse, não se poderia formar carbono. Graças a um brutal golpe de sorte, a energia dos constituintes nucleares das estrelas situa-se exactamente no ponto adequado, permitindo a fusão.

7-Outro golpe de sorte, é que o tempo de colisão do hélio é ainda mais efémero do que o curtíssimo tempo de vida do berílio radioactivo, e isso permite a reacção nuclear que produz o carbono. Para além do mais, há o problema do carbono sobreviver à subsequente actividade nuclear dentro da estrela, o que só é possível em condições muito especiais. E, veja só! Graças a uma nova e extraordinária coincidência, essas condições reuniram-se e o carbono não se transforma em oxigénio.

8-A incrível afinação requerida nas diversas forças, na temperatura do universo primordial, na sua taxa de expansão, mas também as extraordinárias coincidências necessárias no nosso próprio planeta. Por exemplo, o problema da inclinação do eixo de um planeta. Devido às ressonâncias entre a rotação dos planetas e o conjunto dos corpos do sistema solar, a Terra deveria ter uma evolução caótica na inclinação do seu eixo de rotação, o que, como é óbvio, impediria a existência de vida. Um hemisfério poderia passar seis meses a tostar ao Sol, sem nenhuma noite, e outros seis meses a gelar à luz das estrelas. Mas o nosso planeta teve uma sorte inacreditável! … O aparecimento da Lua. A Lua é um objecto tão grande que os seus efeitos gravitacionais moderaram o ângulo de inclinação do nosso planeta, assim viabilizando a vida….
Sabe, todos os pormenores parecem conspirar para viabilizar a vida na Terra. Olhe, o facto de a Terra possuir níquel e ferro magnético imprescindível para defender a atmosfera das letais partículas emitidas pelo Sol. Isso é uma sorte. Outra extraordinária coincidência é o facto de o carbono ser o elemento sólido mais abundante no espaço térmico em que a água é líquida. A própria órbita da Terra é crucial. Cinco por cento mais próxima do Sol ou quinze por cento mais afastada bastaria para impossibilitar o desenvolvimento de formas complexas de vida.

Isto quer dizer que não foi apenas a vida que se adoptou ao universo. O próprio universo preparou-se para a vida. De certo modo, é como se o universo sempre soubesse que nós vínhamos aí. A nossa mera existência parece depender de uma extraordinária e misteriosa cadeia de coincidências e improbabilidades. As propriedades do universo, tal como estão configuradas, são requisitos imprescindíveis para a existência de vida. Essas propriedades poderiam ser infinitamente sem vida. Para haver vida, um grande número de parâmetros teria de estar afinado para um valor muito específico e rigoroso. E o que descobrimos nós? Essa afinação existe. … Chama-se a isto Princípio Antrópico. Princípio Antrópico significa que o universo está concebido de propósito para criar vida.

Einstein disse, e passo a citar: o que realmente me interessa é saber se Deus poderia ter feito o mundo de uma maneira diferente, ou seja, se a necessidade de simplicidade lógica deixa alguma liberdade? Não, Deus não poderia ter feito o mundo de maneira diferente.

(a)http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/6898/Artigo-do-Padre-Francisco-Faus-A-fabulosa-fe-dos-ateus