sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A luta de Bento XVI

Já estamos a ficar habituados às temerosas expectativas, sempre que o Papa viaja, para logo em seguir ele romper todas as imagens e ilusões com o brilho da pregação Católica, para arrebatar as almas e inteligências desses afortunados países como já aconteceu em Portugal que como Pai acalenta e deixa saudades. E tal como os soldados caíram quando Cristo disse-lhes quem É, o mundo silencia-se perante as palavras do Papa, cessando os seus ataques. Não nos surpreende, o mundo sempre atacou a Igreja, simplesmente não há novidade nisso, ela nasceu na perseguição com Cristo a ser rejeitado em Belém e a morrer crucificado, com os primeiros centenas de milhares cristãos a seguirem-no..

Mas hoje os membros da Igreja (não falo dos novos Judas que estão na Igreja), são os primeiros desalentados porque temerosos, e por isso deixam-se vencer pelo mundo. Basta olhar quanto o Papa foi atacado em todo o mundo, e em particular, nos países que visita, e no tempo que precede esta (a visita), porque não há uma defesa eficaz da Igreja por parte dos Bispos desse País, e nem os Párocos conseguem ou tentam contrariar a imagem negativa que as pessoas ganham pelos media, mesmo nos Católicos, como aconteceu em Portugal antes da visita do Papa, com os media sempre a comparar este Papa com o anterior, pois sabiam que a opinião destes (católicos) não era favorável ao actual Papa.

Será que os Bispos não conhecem a mensagem de Bento XVI, ele sucessor de Pedro, que tem as Chaves do Reino de Deus, não conhecem a luz Católica que ele transporta.. mas qual é a fé que têm estes bispos, para não conhecerem o Pastor de todo rebanho e o garante da sua Fé, não conhecem a sua mensagem ainda por cima num mundo tão relativizado e por isso cheio de perigos para a sua Fé! Porque os bispos recusam em beber da fonte fresca no deserto? A apostasia destrói a Igreja, mas a Fé de Bento XVI levanta montanhas e rompe mares, no secularismo e ódio actual.

Os Bispos não percebem que quem formou a Igreja não foram os homens, como o Papa ainda há pouco afirmou! a Igreja não é uma empresa, nem nenhuma organização mundana, ainda que esteja cheia de homens mundanos temerosos pois pensam como o mundo, como se vê perante a fraqueza destes em responder ao ódio anticlerical, sempre em fúria antes do Papa chegar, caindo a seus pés quando este se Revela.. Porque os membros da Igreja não cerram fileiras atrás do Papa?? Ele que está sempre sozinho a conquistar as almas!!

Hoje a Igreja está em crise, e isso é evidente para uma alma que se preocupa com as coisas de Deus.. Mas como o próprio Papa Bento XVI disse, as piores perseguições dão-se dentro da Igreja, pois são as que a destroem, como hoje acontece. Os pastores de almas, comportam-se como pastores dos corpos, preocupam-se com o que não devem, eu que vou à Missa todos os domingos desde que me lembre nunca ouvi pregarem sobre os Novíssimos, nem na catequese...

Há lobos, sim, sempre os houve como Judas, mas são poucos. Servem pouco de desculpa para apostasia geral da Igreja e das nações, o importante principalmente aos mais fracos como eu, tanto para leigos como para religiosos, é meter antolhos nos olhos como os cavalos, e seguir o Papa cegamente, e defende-lo acerrimamente, infelizmente vê-se poucos a fazer isso, e o Papa bem o pode dizer! Confirmando o papel do Papa, como Jesus Cristo na Terra, hoje sofredor.. Não há ninguém que se preocupa com Cristo na Cruz. Aos mais fortes que são poucos, e certamente não são a maioria dos bispos e cardeais de hoje, tal a crise de fé actual, devem sempre discernir os sinais dos tempos e defenderem e corrigirem os seus irmãos na Fé e Caridade.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sancta Missa II

Um vídeo, dividido em dois por ultrapassarem o limite do tempo do youtube, que fiz durante a semana que passou, que têm como objectivo verem um pouco das missas que foram rezadas em Fátima durante o workshop ..




1º Nota: A música que está no vídeo à exepção de algumas partes, não teve que ser necessariamente tocada naquele exacto momento da missa que o vídeo mostra, no entanto todas as músicas do vídeo foram gravadas nas missas!

2º Nota: A Salve Rainha são duas versões como se pode ouvir, isto porque não a gravei completa no final da missa, mas também a parte inicial dela foi adulterada pela minha voz lol, e por isso tive que meter outra versão durante o inicio e o final!

3º Nota: O vídeo da consagração não é meu (não sei quem gravou, mas devia estar ao meu lado, porque o ângulo donde gravou é quase o mesmo ^^) , fiz o download aqui: http://www.youtube.com/watch?v=oaiosZ7MR50&feature=player_embedded do utilizador fratesinunum, nem as imagens da recepção da Eucaristia foram tiradas por mim, que tirei-as do blog: http://missatridentinaemportugal.blogspot.com/2010/09/historicas-fotos-que-testemunham-missa.html tudo o resto fui eu que gravei e tirei!




Nota1: A música ouvida pertence ao vídeo!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sancta Missa

Tive a graça de poder ir ao Workshop em Fátima sobre a Missa Gregoriana1 segundo o Missal de 1962, e por isso vou tentar descrever um pouco da minha experiência, só o faço agora porque não tive tempo (Setembro - inicio de aulas) . Os momentos altos de todos os dias foram sem dúvida as missas Gregorianas, com excepção de um dia, que foi rezada a missa segundo o rito Bracarense, que à primeira vista aparenta ter poucas diferenças com o rito gregoriano, principalmente para quem não conhece um pouco de latim, no nosso caso tivemos a sorte de ter sido dedicada uma conferência sobre o rito Bracarense antes da missa, que elucidou-nos sobre as diferenças e a sua história. Uma diferença que ficou-me na memória é uma oração inicial dirigida à nossa Santa Mãe logo no inicio do rito Bracarense, que o rito Gregoriano não têm.
Antes de mais tenho que dizer, que foi a primeira vez a assistir ao rito Bracarense, mas mais importante ao rito Gregoriano que pertence à Igreja Universal, e foi logo 3 missas deste último, e ainda bem, pois para uma pessoa habituada a assistir à Missa segundo o Novus Ordo Missae, que é o caso da grande maioria dos Católicos, dificilmente alguém conseguiria em tão pouco tempo adaptar a sua compenetração a este novo rito, ou melhor dizendo - antigo rito, que é muito profundo.. a diferença, não sei se exagero, parece-me igual aquela que é descrita por Platão, no mito da caverna no qual o homem habituado a ver na escuridão da caverna iluminada por um feixe de luz, tem que adaptar a visão quando sai da caverna e depara-se com a luz solar fechando os olhos para os não danificar, demorando ainda um pouco a poder contemplá-la em toda a sua beleza.
Comigo aconteceu um pouco isso, a verdade é que a 1º missa que assisti no rito gregoriano, logo no 1º dia fiquei incomodado pelo "muito tempo" de silêncio, que na altura pensei ser demasiado, pois como já disse estou habituado ao Novus Ordo Missae. No entanto por coincidência, logo no dia a seguir, numa conferência no qual o Rev. Cón. Frank Philips falava sobre a história da sua comunidade, que foi salva pela liturgia do rito gregoriano voltando a encher a sua Igreja de fiéis, disse que normalmente os fiéis que estão habituados ao Novus Ordo Missae e assistem pela 1º vez ao rito gregoriano, acabam por ficar incomodados com o silêncio que não estão habituados na nova liturgia e muito menos na nossa sociedade de barulho, e por isso nesses momentos de silêncio mais longos não sabem muito bem o que fazer. Assim clarificou a minha dúvida sem saber, dissipando as minhas nuvens com a sua explicação.
Mas que ninguém se engane por estas pequenas nuvens, a transcendência que imana do rito gregoriano irradia como o sol, a começar pela arte humana, como os gestos e reverência cuja a dignidade destes, nenhum Rei da Terra a tem, da arte musical com o canto gregoriano que não tem descrição tal a pureza e paz que transmite, da beleza dos paramentos e os seus símbolos explicados ao longo do workshop, a elevação do incenso ao céu que lembra-nos as nossas orações dirigidas a Deus, e o seu cheiro que convida à continência e temperança.. e o silêncio do mistério que nos convida a orar para Deus. Quanto à arquitectura e o embelezamento interno das Igrejas feitas para o rito gregoriano e do rito novo, em Fátima qualquer um pode contemplar as diferenças, olhando para o Santuário de Fátima e para trás, para a feia Igreja da Santíssima Trindade, com capacidade para 3175 lugares, só não tem para lugar para Cristo e o seu sacrário tal como aconteceu em Belém.
Por último não podia faltar o latim, e como os cónegos disseram nós temos uma vantagem em relação aos nossos avós, é que sabemos as traduções da maior parte do que o Padre reza com pequenas diferenças, tanto em voz alta e mesmo o que reza para si, pois o ouvimos todos os domingos nas missas do Novus Ordo Missae já há quase meios século. Mas a importância do latim deriva, de ser a língua da Igreja e por isso do Reino de Deus, ser a língua que rezada na liturgia em todo o mundo, conserva melhor a unidade da Igreja, e permite uma maior obediência dos Padres ao canon da Igreja no que se refere à liturgia.
Assistir a estas 4 missas, foi por isso como um subir de escadas, um sair da caverna, pois cada vez mais mergulhava mais profundo na sua essência, cada vez mais a contemplava melhor, cada vez mais parecia que atingia um novo céu! Não saberia onde iria parar se continuasse a assistir todos os dias, sei apenas que os Santos ao longo dos séculos continuamente a assistiram e continuamente mergulharam na sua profundidade, mas ainda assim para eles, permaneceu o mistério do Deus Homem que se faz Pão e Vinho, tal é a Sua Grandeza, Profundidade e Brilho que nem todas as vidas humanas chegariam para desvendar este mistério, que apenas se revela no Céu, quando o virmos Face a Face!


1- Mais conhecida incorrectamente por Missa Tridentina ou rito Tridentino

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ateu desmente mito de "sacerdotes pedófilos e estupradores"

.- Um reconhecido colunista ateu denunciou que a imprensa secular inglesa desinforma os seus leitores ao afirmar que nos últimos 50 anos 10 mil pessoas sofreram um estupro por parte de sacerdotes.

"É verdade que 10 mil crianças nos Estados Unidos e outros milhares mais na Irlanda foram realmente violados por sacerdotes católicos? Em uma palavra, não", escreveu Brendan O’Neill, editor da revista de humanidades Spiked.

"O que aconteceu é que no cada vez mais agressivo e quase inquisitorial mundo do lobby ateu e anti-Papa, toda acusação contra um sacerdote católico foi catalogada sob o título de ‘estupro’ e foi descrita como verdadeira sem importar se isso terminava em juízo ou em uma condenação", explica.

Para O’Neill, "a frase ‘sacerdote pedófilo’ se converteu em parte habitual do jargão cultural quotidiano e faz que muitos, quando leram no jornal Independent (da Inglaterra) na semana passada que "mais de 10 mil crianças saíram à luz para dizer que foram violadas (por sacerdotes católicos), pensaram provavelmente, ‘sim, é possível’. Mas o certo é que isto não é verdade".

O colunista explicou que das 10,776 acusações entre 1950 e 2002 contra 4,392 sacerdotes nos Estados Unidos, só 1,203 foram consideradas violações (estupros). O jornalista questionou a manipulação das cifras que faz o diário Independent e precisou que para o lobby ateu e anti-Papa "todo sacerdote é culpado daquilo que o acusam sem importar se ele assim foi julgado ou não por uma corte".

O’Neill também sustenta que "em 2009 a imprensa irlandesa e britânica divulgou que ‘milhares de crianças foram estupradas’ por sacerdotes católicos e religiosos em escolas da Irlanda. A realidade é que 242 homens apresentaram 253 informes sobre abusos sexuais nestas escolas ante a Comissão que investiga o tema. Destas, só 68 resultaram ser estupros".

"Uma vez mais, não todas as alegações resultaram em condenações. Alguns informes envolvem sacerdotes que já tinham morrido, e dos 253 informes resulta que 207 eram anteriores a 1969 e 46 deles às décadas de 70s e 80".

"Como então 68 acusações sobre violação feitas contra o pessoal de escolas irlandesas em um período de 59 anos se podem traduzir em titulares que falam de milhares de estuprados?" questiona O’Neill e ele mesmo responde: "uma vez mais, tudo o que estava relacionado com golpes, abusos ou maus tratos –que sofreram milhares de irlandeses em escolas– foi colocado junto à palavra estupro, criando a imagem de ser uma instituição religiosa que estupra crianças diariamente".

O editor do Telegraph Blogs e perito em religião, Damian Thompson, comentou a coluna de O’Neill e assinala que ele "nos fez um serviço ao escrever este artigo na véspera da visita do Papa (ao Reino Unido). E, por favor, não é necessário que me recordem os vis actos que foram cometidos contra crianças por alguns do clero católico. Eu os conheço. Eu escrevia artigos sobre o escândalo dos sacerdotes pedófilos no princípio dos anos 90 quando nem a Igreja nem a opinião pública parecia tão interessadas no tema".

Por essa época, prossegue Thompson, "também eu escrevia cepticamente sobre o ‘ritual satânico do abuso’. Lembram disto? Para explicá-lo brevemente, muitas acusações sobre ‘abusos rituais’ resultaram ser infundadas. Entretanto, quem se negasse a ‘acreditar nas crianças’ era denunciado por apologia da pedofilia".

Thompson assinala que "claramente uma pequena minoria de sacerdotes eram abusadores, enquanto que a evidência de adoradores do demónio e pedófilos é virtualmente inexistente" e acrescenta que nos anos 90 "os académicos ou jornalistas que faziam perguntas estranhas sobre as bases empíricas das acusações de satanismo eram calados por um grupo cujos membros eram secularistas que odeiam a religião e protestantes extremistas. Podem me chamar de paranóico, mas parece que esta antiga aliança tornou novamente às andanças".

sábado, 11 de setembro de 2010

Sermão -- O Santo Sacríficio da missa, fonte de beleza e reverência

Organização Sancta Missa
Missa Votiva em honra de Nossa Senhora de Fátima, 10 de Setembro de 2010
Rvdo. Pe. Scptt A. Haynes, SJC, Cônegos Regulares de São João Câncio, Chicago

Quando os emissários de Vladimir, príncipe de Kiev voltaram após assistir a Divina Liturgia na Catedral de Santa Sofia em Constantinopla no século X, escreveram em seu relatório: "Não sabíamos se estávamos no céu ou na terra, pois certamente tal esplendor e beleza não existe em outro lugar da Terra. Não conseguimos descrevê-lo; só sabemos que Deus lá habita entre os homens, e que o seu serviço ultrapassa a cerimónia de todos os outros lugares. Sua beleza é simplesmente inesquecível".

O amor da beleza e sua expressão em obras de arte não é a beleza em si mas manifesta uma homenagem a Deus, pois, segundo Santo Tomás de Aquino, "a beleza é um dos nomes de Deus". Assim, quando a Igreja é convocada para celebrar os divinos mistérios, ela emprega todas as artes que tocam os sentidos, porque aquilo que é verdadeiramente belo nos agrada quando o contemplamos.

É por isso que Santa Teresa d'Avila declarou: "Fico sempre profundamente tocada pela grandiosidade das cerimónias da Igreja". A capacidade única do canto gregoriano para evocar em nós o espírito de oração contemplativa, os paramentos festivos, o uso do incenso, velas, objectos de ouro e prata, água benta etc. - tudo isso nos auxilia na adoração do Deus Uno e Trino, que criou a beleza, a sustenta, a redimiu e é Ele mesmo a própria beleza. A Igreja sempre envolveu o Santo Sacrifício da Missa num ambiente de reverência e mistério. Ao utilizar os bens da Criação, em sua transcendente existência, Ela leva seus filhos a Deus; e pelos mesmos meios, Deus desce a eles. Na Idade Média colocava-se grande ênfase na sagrada beleza da Missa. Hoje, devemos novamente tomarmos consciência dela.

O Cardeal Joseph Ratzinger uma vez lamentou-se: "Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja voltou as costa à beleza". Palavras ousadas. E se forem verdadeiras? Se verdadeiramente nos empobrecemos neste aspecto, deixando-nos vitimar por uma mentalidade iconoclasta, talvez tenha sido porque "vivemos em uma época sem imaginação", como disse certa vez Paul Claudel. Ao reflectir sobre a visita dos representantes do príncipe Vladimir de Kiev a Constantinopla, o Papa Bento XVI observou que a delegação e o príncipe aceitaram a verdade do Cristianismo não pelo poder de persuasão de seus (conhecimentos) teológicos mas pela beleza do mistério de sua Sagrada Liturgia. Se estamos falhando na divina missão que o Senhor nos confiou de converter o mundo à nossa fé, talvez devamos começar por restaurar a reverência, o silêncio, a adoração e uma atmosfera de sagrada beleza em nossa santa liturgia. Se nossas Igrejas não forem os lugares mais sagrados da Terra, a verdadeira reverência e beleza tampouco podem existir noutro lugar.

Na Epístola de São Paulo aos Hebreus, Cristo é chamado leiturgos, o "Liturgista" que preside a todos os nossos rituais, em que Ele mesmo celebra a Liturgia. Visto que Cristo é o leiturgos e a Beleza Encarnada, toda beleza deve reflecti-lO e dEle fluir na Liturgia. Cristo, o Verbo feito carne é a suprema obra-prima. Cristo é a mais perfeita sinfonia. Cristo é a mais bela pintura. Cristo é o ritmo cósmico no poema eterno. Disse São João da Cruz: "Deus passa través do matagal do mundo e por onde quer que deite seu olhar, transforma todas as coisas em beleza". São Paulo escreveu a Timóteo: "Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Sua imortalidade habita numa luz inacessível". Contudo, na Divina Liturgia da Missa, ousamos aproximarmos-nos daquele que habita na luz inacessível.

A fim de celebrar a Sagrada Liturgia com a devida reverência e beleza, a Igreja deve ser capaz de "distinguir entre o sagrado e o profano". Quando falsas "inculturações" poluem o culto litúrgico, devemos estar atentos às palavras do Papa Paulo VI em 1971: "nem tudo é válido, nem tudo é lícito, nem tudo é bom". O Santo Sacerdote afirmou em seguida que as coisas seculares, baratas, de inferior qualidade e sem valor artístico "não são destinadas a cruzar o limiar do templo de Deus". Como católicos, devemos sobretudo contemplar a beleza de Cristo na Sagrada Liturgia que o Vaticano II chama de "acção sagrada que ultrapassa todas as outras". Isto começa com nossa fidelidade externa às rubricas, mas nos leva à intima união com Cristo, pois "aqueles que O adoram devem faz~e-lo em espírito e em verdade".

Aqui em Fátima, o Anjo da Paz apareceu pela primeira vez a Francisco, Jacinta e Lúcia em 1916 para preparar o terreno para as aparições de Maria. Ao aparecer pela terceira vez, com deslumbrante beleza diante dos três videntes, segurava na mão esquerda um cálice e, com a mão direita sobre o cálice segurava uma hóstia da qual via-se gotas do preciosíssimo Sangue de Cristo cair no sagrado Cálice. Deixando hóstia e cálice suspensos no ar, prostrou-se o anjo tocando o chão com a testa. Disse então, três vezes, a seguinte oração: "Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente. Ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação por todos os ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E peço, pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e pela intercessão do Imaculado Coração de Maria, a conversão dos pobres pecadores."

O Anjo então levantou-se e tornou o Cálice e a Hóstia em suas mãos. Deu a Hóstia em comunhão a Lúcia e o conteúdo do cálice a Jacinta e Francisco, dizendo: "Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus pecados e consolai o vosso Deus". A seriedade com que Francisco (tomou) estas palavras foi demostrada nos poucos anos de vida que lhe restaram. Assim Francisco foi de tal maneira trespassado com o amor do que ele chamou de "Deus oculto", que muitas vezes passava horas de joelho em silenciosa adoração diante do sacrário.

A beleza espiritual da Sagrada Eucaristia deve transformar a vida dos católicos do mesmo modo que transformou os pastorinhos de Fátima. Disse o Papa Bento XVI que "o encontro com o belo pode se tornar a ferida da flecha que nos atinge o coração e abre assim os nossos olhos". Esta beleza espiritual forma no cristão um coração semelhante ao de Cristo em termos de beleza moral. E quando a beleza espiritual da Sagrada Liturgia transforma uma alma, o homem torna-se capaz de criar coisas belas tais como arte, arquitectura, poesia e música. Esta beleza humana, formada pela beleza de Cristo na Sagrada Liturgia, imita o génio criativo de Deus, que deu a este mundo uma inerente beleza natural.

Quando o rosto belo e radiante de Cristo, nosso Salvador se torna o centro do culto sagrado, toda a criação anseia por clamar com o salmista: "toda a obra, que Ele faz é cheia de esplendor e beleza". A beleza na liturgia resulta da ordem. É por isso que a Liturgia, por sua própria natureza, exige a ordem e não pode existir sem rubricas ou cerimónias. A beleza brilha através dos gestos da Sagrada Liturgia. Assim, os actos de culto exterior, como persignar-se, fazer genuflexão, ajoelhar e inclinar-se, tornam-se meios de interiorizar reverência e beleza em nossas vidas humanas. Disse certa vez o antigo mestre-de-cerimónias do Papa: "Todo gesto litúrgico, sendo um gesto de Cristo, é chamado a expressar a beleza".

Assim, se estamos a celebrar o Santo Sacrifício da Missa na forma ordinária ou extraordinária do Rito Romano, quer o façamos em português, inglês, francês, latim ou em qualquer outro idioma, devemos celebrar a Missa com beleza e esplendor. Se queremos evitar uma ruptura na celebração da sagrada Liturgia, devemos manter a reverência e beleza inerente à celebração da Eucaristia. Para cumprir o que Cristo nos ordena: "Sede Santos, porque Eu sou Santo"1, devemos preservar a hermenêutica da continuidade em relação ao ritos sagrados e cerimónias e garantir a sanidade da Missa, não só aderindo às rubricas mas atendo-nos às as antigas tradições litúrgicas para preservar o sentido do sagrado, evitando a doentia mania moderna de fazer tudo que se quer. O Cardeal Joseph Ratzinger, em suas meditações sobre a Via Sacra em 2004, afirmou que "quando a liturgia se transforma em uma festa que a comunidade dá a si mesma, num festival de auto-afirmação", ela se torna análoga à adoração idólatra de Israel ao bezerro de ouro, um culto de auto-afirmação do ego.

Entre as diferentes maneiras em que a liturgia manifesta o senso do sagrado, uma das mais subtis é o uso de véus para cobrir os vasos sagrados usados para conter o Santíssimo Sacramento. Refiro-me ao sacrário, ao cálice, ao cibório, e à custódia. E mesmo quando o véu é removido do cálice, a liturgia prevê outras formas de ocultar a Sagrada Hóstia. A cada momento da dupla consagração, quando o celebrante pronuncia as palavras que trazem Nosso Senhor ao altar sob as espécies do pão e do vinho, ele se inclina sobre o pão e o vinho e coloca os braços sobre o altar, símbolo de Cristo. Tal gesto destina-se a mostrar a união do sacerdote com Cristo naquele momento, ao mesmo tempo ajudando o sacerdote a concentrar toda sua atenção na consagração. Do ponto de vista físico, o sacerdote a essa altura cobre literalmente as espécies, velando-as, por assim dizer, e produzindo o mesmo efeito que qualquer outro véu, a saber: manifestando a sacralidade do momento da Consagração. Nesta simples rubrica, a cerimónia da Santa Missa na forma extraordinária suavemente incute nos fiéis uma atitude de respeito, reverência e senso do sagrado com relação a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento.

Caros amigos de Jesus e Maria, ao chegarmos ao banquete de núpcias do Cordeiro de Deus para receber a Sagrada Eucaristia, façamo-lo com boas disposições, livres do pecado mortal e fervorosos. Saudemos a Cristo, Esposo de nossas almas, com beleza e reverência, envolvidos no verdadeiro senso do sagrado da mesma forma como o santo Anjo de Fátima explicou às crianças a importância de rezar e fazer sacrifícios em reparação pelas ofensas cometidas contra Deus, Ele lhes disse: "Ofereçam tudo como sacrifício a Deus num acto de reparação pelas pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores".

Viemos hoje a Fátima para iniciar a conferência litúrgica "Sancta Missa" sobre a forma extraordinária do Rito Romano a fim de que, com nosso Santo Sacerdote o Papa Bento XVI, possamos nos servir a fundo dos tesouro de graça da Igreja na medida em que acolhamos as tradições litúrgicas de nossos antepassados. Ao celebramos aqui em Fátima esta Missa solene segundo o Missal Romano de 1962 por ocasião da festa da Natividade de Nossas Senhora , pedimos humildemente que a beleza e reverência da Santa Missa em sua forma extraordinária seja uma tremenda fonte de graças para a Igreja na conversão dos pecadores, e que o zelo, a espiritualidade e o ministério dos sacerdotes seja revigorado por esta antiga forma da Missa em latim, que produziu tantos sacerdotes santos através dos séculos. Gratos a Deus pela corajosas liderança do Papa Bento XVI, apresentamos estas e todas as nossas súplicas a Nossa Senhora de Fátima com amorosa confiança, pois ela é nossa Mãe! Queira Deus que sejamos fiéis e obedientes filhos seus.

1 - 1 Pedro 1:13-16

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ajuda - Contra Impugnantes

O Contra Impugnastes é talvez o blog que chega aos mais altos píncaros no que toca à harmonia e completariedade entre a Fé e a razão, não podia deixar de ser, pois são fidelíssimos ao seu mestre, que também é mestre comum ou melhor dizendo Doctor Communis de todos os Católicos.
Tal é a grandeza da sua obra, que tornou-se dever de todo o Católico com possibilidades, em estudar a doutrina de São Tomás de Aquino cuja obra é o coroar do pensamento Católico dos tempos da Cristandade, cuja síntese, razoabilidade, realismo a torna universal e um clássico para todos os tempos pois fidelíssima à Verdade. Ainda por cima neste caso junta o útil ao agradável, pois ao mesmo tempo que estuda, ajuda financeiramente num momento delicado esta grande obra, o que acaba por ser um acto de caridade, que como sabemos cobre uma multidão de pecados. Assim não deixe de ajudar!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sobre algumas ficções da história

Falsificação da história por João César das Neves

A tentativa de cortar as raízes da civilização europeia, que tem ocupado alguma intelectualidade nos últimos 250 anos, é um fenómeno único na história humana. Desde o Iluminismo que uma ingénua arrogância luta, em nome do mundo novo, para substituir as tradições cristã, judaica, muçulmana, celta, germânica, greco-romana por uma ficção pseudo-científica que alimenta o corropio de ideologias. Em resultado, empirismo, utilitarismo, positivismo, marxismo, nazismo, existencialismo, pós-modernismo têm-se sucedido, degradando uma elevação cultural que modelou o mundo.

Peça central desse esforço é uma esmagadora falsificação histórica, indispensável na luta contra a tradição. Filósofos, propagandistas, pseudo-especialistas esforçam-se por manipular a verdade do passado, criando mitos oportunos para as suas doutrinas. Distorções dessas não são sustentáveis e foram há muito denunciadas pela historiografia séria. Mas vivemos a fase paradoxal em que, apesar disso, as tolices persistem nas vulgarizações mediáticas.

Exemplo gritante é o das Cruzadas, de que o grande sociólogo Rodney Stark acaba de publicar uma desmistificação. O caso é candente porque, além de servir há décadas para humilhar a Igreja, a ficção é hoje usada no suposto choque de civilizações entre Islão e Ocidente. O livro God's battalions; the case for the crusades (Harper One, New York, 2009), não traz dados novos. Limita-se a compilar resultados da vasta literatura científica que destroem por completo a visão popular vigente.

Os erros são múltiplos. Os inimigos dos cruzados não eram os muçulmanos, mas os turcos, recém-convertidos ao Islamismo e invasores recentes da Terra Santa. Muitos árabes, oprimidos pelos conquistadores, aplaudiram as expedições ocidentais. Assim as Cruzadas não foram um capricho irracional mas nasceram de "séculos de tentativas sangrentas de colonizar o Ocidente e súbitos novos ataques aos peregrinos cristãos e aos lugares santos" (p. 8).

Também a imagem comum de bárbaros ocidentais atacando os sofisticados e tolerantes muçulmanos é falsa. O preconceito anticristão pós-iluminista exaltou os feitos islâmicos e glorificou Saladino desprezando os soldados europeus. Pelo contrário, havendo atrocidades de parte a parte, regra na época, a superior técnica cruzada permitiu, face a enorme desvantagem numérica, manter um reino e rica cultura "que, pelo menos ao longo da costa, durou quase tanto quanto os EUA são uma nação" (p. 245).

É falso ainda que a motivação fosse o ganho, colonização ou conversão à fé cristã. "As Cruzadas não foram organizadas e dirigidas por filhos excedentários, mas pelas cabeças de grandes famílias que estavam perfeitamente conscientes que os custos de ir em cruzada excederiam largamente os muito modestos benefícios expectáveis: a maior parte partiu com imenso custo pessoal, alguns conscientemente arruinando-se para ir." (p. 8) A finalidade, incompreensível para os materialistas actuais, era espiritual: "Eles sinceramente acreditavam servir nos batalhões de Deus." (p. 248)

As manipulações são muitas mais, servindo os mais variados propósitos. Por exemplo, "as actuais memórias e fúria muçulmanas sobre as Cruzadas são uma criação do século xx." (p. 247)

Este é apenas um tema entre muitos. Apresentando como factos incontroversos os preconceitos mais boçais, historiadores de pacotilha têm-se esforçado por exaltar os seus heróis, denegrindo opositores. Isto leva o público informado a ter do passado uma caricatura grotesca.

Em particular, a Igreja tem sido alvo preferencial da falsificação histórica. Exagerando males, omitindo virtudes, generalizando aberrações, a Igreja é acusada de tudo. Cruzadas, Inquisição, heresias, Papado, Escolástica, mosteiros, relações com a ciência e democracia, como agora a dignidade dos sacerdotes, tudo tem sido infectado por esta magna falsificação. Nem se compreende como entidade tão perversa pôde sobreviver e prosperar. A ponto de muitos cristãos devotos caírem na esparrela, vivendo envergonhados da história da sua fé.

naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Hawking e Deus

Hoje, em diversos jornais, nomeadamente nos seus sites online, vem a notícia «Hawking diz que Deus não criou o universo». Não querendo precipitar o meu juízo do livro, nem das várias citações sem contexto, do novo livro que ainda sequer, não foi lançado, mas que já foram citadas, a meu ver imprudentemente pelos media, Hawking diz:

1 - "Não há lugar para Deus nas teorias da criação do universo."

2 - "A criação espontânea é a única explicação para a existência do universo" afirma Hawking no livro, explicando que o universo não precisou de um deus para ser criado, ao contrário daquilo em que acreditava Sir Isaac Newton, que defendia que o universo não poderia ter nascido apenas do caos."Isto faz parte das coincidências da nossa condição planetária - um único Sol, a feliz combinação na distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - menos notável e muito menos convincente do que a Terra foi cuidadosamente desenhada apenas para agradar aos humanos", argumentou, citando a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbitava uma estrela além do Sol. "Por haver uma lei como a da gravidade, o universo pode e irá criar-se do nada", acrescentou.

3 - "criação espontânea é a razão por que há algo em vez do nada, porque o universo existe por nós existimos. Não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar".

O que tenho a dizer sobre estas citações, sendo apenas um leigo no que diz respeito à ciência, apesar de já ter lido algumas obras, e por coincidência o best seller de Stephen Hawking - Uma breve história do tempo no qual a notícia cita «Em 1988, ano em que saiu o seu best-seller Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking parecia aceitar o papel de Deus na criação do universo: "Se descobrirmos uma teoria completa, esse será o derradeiro triunfo da razão humana - e por isso devemos conhecer a mente de Deus", escreveu na altura.» uma posição diferente da actual aparentemente, pois agora diz que "não há lugar para Deus nas teoria da criação do universo", e o que me deixou um pouco confuso nesta frase, é o uso da palavra criação, que cientificamente está correcta porque o universo não é infinito pois teve um inicio, no qual tempo e espaço foram criados com a matéria no big bang, mas a palavra criação envolve sempre um criador, ou seja os cientistas têm que inventar uma palavra que signifique o mesmo que criação, ou seja, coisas que nascem, mas que não envolvam um sujeito exterior, nem as próprias coisas que nascem, porque ainda não nasceram, a ciência tem que explicar isso melhor, ou já desistiu da observação e experiência, que eu saiba nunca foi observado matéria "criada" sem nenhuma causa, aliás toda a matéria que existe foi criada no momento do Big Bang!
Quanto à segunda frase "A criação espontânea é a única explicação para a existência do universo", a palavra criação já vem junto com a palavra espontânea, agora temos que saber o que significa a palavra espontânea cientificamente. O que dá entender pelo contexto inerente «Deus não existe» é que significa que a matéria nasceu por si própria, mas isso é irracional e ilógico, pois nada que exista, existe por causa de si próprio como a razão e a ciência dizem.. e podem perguntar, então Deus também foi criado? O conceito de Deus nasce como necessário, nessa potencialmente infinita sucessão de causas para que aja existência e aparentemente há (senão não estava aqui a escrever), para melhor entenderem o argumento podem ver esta clarificadora aula, então vocês perguntam, porque a matéria não pode fazer esse papel de Deus que é causa não causada? simplesmente pelo facto de ela ter começado a existir num dado momento, e por isso não infinita, qualidades de Deus que sempre existe eternamente (está fora do tempo) e é infinito pois transcende a matéria e não é inerente a ela, pois tanto espaço e tempo não são absolutos, mas atributos do universo, tal como Einstein pela teoria da relatividade e depois Georges Lemaître Padre Católico, com a teoria do Big Bang que veio a comprovar o que o Catolicismo já cria. Já St. Agostinho dizia que o tempo é uma criatura de Deus!
A seguir Hawking fala das coincidências, as tão famosas coincidências que deram origem ao principio Antrópico, como por exemplo A energia libertada no Big Bang, para que o universo expandir-se de modo ordeiro como o conhecemos, teria que ter uma precisão na ordem dos 10 elevado a 120, ou seja 120 zeros a seguir ao número 10, se a energia fosse uma fracção maior, não se formariam galáxias e dispersaria, se fosse uma fracção menor, consumir-se-ia num gigantesco buraco negro, o que equivaleria há hipótese de atirar uma seta ao acaso para o espaço e ela atravessar todo o cosmo e ir atingir uma alvo com milímetro de diâmetro localizado na galáxia mais próxima. O argumento do acaso, simplesmente não sei o qualificar pois apenas demonstra por parte de quem o usa, que quer que Deus não exista!
A última frase, a "criação espontânea é a razão por que há algo em vez do nada, porque o universo existe por nós existimos. Não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar", acho que ele contradiz a própria ciência, tentando aliar-se à filosofia moderna, a ciência diz que o universo tem à volta de 15 a 13 mil milhões de anos, os homens pelo menos os sapiens apareceram à volta de 200 mil a 150 mil anos, e ele vem dizer que o universo existe porque o homem existe e pensa-o?? Se o universo existe por causa do homem, como é que o homem existe?? Posso ter percebido mal, talvez ele queira dizer que a finalidade da existência do universo é o homem tal como a Religião Católica diz, mas tudo que tem uma intenção ou uma finalidade, é precedido de uma razão e de uma vontade, como Santo Tomás de Aquino explica muito bem, cuja razoabilidade e lógica aparentemente fazem muita falta hoje. Depois diz "não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar" então o que significam as leis do universo, acaso o universo é governado pelo acaso.. se sim então porque existe ciência?? foi precisamente porque a sociedade Ocidental acreditou no contrário, em consonância com a fé Católica. ‘Dispusestes tudo com medida, número e peso’ Sabedoria (11,20)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cardeal Ratzinger e o Concílio Vaticano II

Patrick Bahners e Christian Geyer: Para terminar, Eminência, voltemos a falar da teologia à escala mundial. No inicio do novo milénio, tem-se a impressão de que as dificuldades de entendimento entre as posições teológicas singulares dentro do cristianismo se tornaram tão clamorosas que levam a falar, não já de diferentes polaridades pertencentes a um mesmo espectro, mas de constelações realmente distintas, cada uma das quais convive ao lado das outras de modo mais ou menos independente. nesta situação, constata-se a exigência de convocar um novo Concílio ou um sínodo geral para pôr sobre o tapete, e possivelmente, resolver de comum acordo os conflitos subsequentes às resoluções do Concílio Vaticano II.

Cardeal Ratzinger: Conheceis porventura a anedota de que se conta acerca de Gregório de Nazianzo, Bispo e Padre da Igreja. Convidado pelo imperador a tomar parte no Concílio de Constantinopla, respondeu-lhe numa carta - Nunca mais participarei num Concílio, porque aí vi apenas lutas, hostilidades e conflitos intermináveis. Os Concílios servem para piorar as coisas - esta foi a foi a experiência conciliar de Gregório no século IV e, do ponto de vista da perspectiva histórica de curto raio, temos de lhe dar razão. Todavia, numa visão mais ampla, é justo dizer que aqueles Concílios tiveram uma importância fundamental e favoreceram positivamente a obra de clarificação desenvolvida pela Igreja perante a sua fé. Mas, no tocante àquela carta - que Lutero citará com predilecção, exprimindo assim também a sua própria desilusão frente ao Concílio - pois bem, ela atesta que um Concílio representa sempre uma dura intervenção no organismo da Igreja, algo qe eu comparo a uma perigosa operação cirúrgica, no sentido de que, por vezes, a intervenção drástica é efectivamente necessária para a saúde de um organismo. Mas, justamente, importa ter também presente que qualquer intervenção cirúrgica comporta, antes de mais, debilidade e complicações, e não equivale necessariamente à cura.
Em suma, constatamos - e ninguém pode seriamente negá-lo no plano empírico - que o Concílio Vaticano II comportou uma enorme perturbação na Igreja Católica e também em toda a Cristandade (A Igreja acolheu no seu seio o modernismo humanista que endeusa o homem, o liberalismo dos Estados laicos, o protestantismo ecuménico). Pessoalmente afirmo que, enquanto este mal-estar não for de todo ultrapassado, uma outra intervenção desta natureza traria actualmente mais sofrimento do que uma melhoria. Considero, pelo contrário, necessário incrementar os mecanismos de consulta e de encontro; o sínodo dos bispos é apenas um deles. Creio que as formas de confronto menos centralizadas e menos espectaculares são as mais fecundas, porque permitem um debate mais aprofundado (é o que aparentemente acontece hoje no pontificado de Bento XVI, com o diálogo silencioso com a FSSPX, mas muito importante para a barca de Pedro), recebem menos pressões do exterior e podem, inclusive, levar a processos de maturação mais ponderados. Na minha opinião, deveriam, hoje, buscar-se modelos mais amplos de participação do episcopado mundial, capazes de garantir, por seu turno, a ligação entre as diferentes realidades regionais. Realizar-se-ia assim, a longo prazo, algo como um Concílio ecuménico, mas que teria a vantagem de uma lenta maturação e da consciência histórica.

Em o Cristianismo para lá da tradição do Livro: Existe Deus? Um confronto sobre verdade, fé e ateísmo - edição Pedra Angular

Nota: O negrito fui eu que pus. E o que está entre parêntesis são comentários meus!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Templários contemporâneos

Notícia curiosa que diz respeito à extinta ordem dos templários, que afinal foi apenas suspensa. Não sabia que a ordem dos templários ainda existia, e que a sua sede ficava em Portugal desde 1942, e tenha há volta de 20 mil membros em todo o mundo, tenho que confessar que fiquei surpreendido e agradado com a notícia, pois em termos históricos e civilizacionais foi de enorme importância para Portugal, como já registei nestas postagens, e por isso espero que tenham sempre presente os valores que estão na origem na sua criação, e os actos heróicos levados a cabo pelos seus membros no passado.

Claudino Marques, o organizador do evento da reunião magna dos templários em Coimbra diz que esta é uma organização que defende uma visão ecuménica, como se pode ler: "A Ordem dos Templários é uma organização independente, apolítica, religiosa, ligada ao cristianismo e, em particular, à Igreja Católica, mas que defende sempre uma visão ecuménica e o diálogo inter-religioso, de abertura a cristãos não católicos", disse Claudino Marques, também responsável do Bailiado das Beiras (que reúne várias comendadorias da região). Se com visão ecuménica, este quer dizer a visão contemporânea do ecumenismo, que sacrifica a verdade em prol da unidade, desembocando não na Paz de Cristo, mas sim na do Anti-Cristo, a ordem acaba por transformar-se numa caricatura do seu passado, mas julgo que não posso fazer aqui juízos.
Apenas desejo que os membros contemporâneos da ordem, e que são muitos, sejam dignos sucessores dos seus antepassados!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

São Paulo

Um vídeo sobre São Paulo, que fiz durante este fim de semana.. Aconselho a todos a verem este filme que está dividido em 2 partes de 1h:30m do qual tirei as cenas para fazer este pequeno vídeo. Podem-no ver no youtube ou arranjarem o dvd (posso fazer o uppload do dvd, para quem quiser) porque há filmes que são imprescindíveis, e por isso são obrigatórios em termos em casa, e este é um deles! Se não gostarem do vídeo, garanto-vos que o filme é incomparavelmente melhor e por isso vale a pena verem! Só queria dizer uma coisa em relação há musica, que acrescento ao que já está na descrição, devido ao estilo desta chegar um pouco ao rock, ainda assim, considerei que não seria má escolha, simplesmente devido à violência da conversão de São Paulo, que em certo sentido, a música acaba por transmitir um estado espírito imitativo do estado espírito de São Paulo até certo ponto, logo após a revelação de Cristo, cuja violência e impacto fez com que ele não comesse e nem bebesse durante os 3 dias seguintes, e o renovasse e o transformasse de um perseguidor, para se tornar um dos grandes homens da história mundial, ao ponto de ser considerado a seguir a Cristo, a pessoa mais importante do cristianismo!









Nota: Desde 2007, que a música estava disponível no youtube de Portugal, sem nenhuma censura de copyrights, no entanto, por coincidência, a música foi bloqueada por motivos de direitos de autor, quase à mesma altura em que fiz este vídeo... Só tenho que esperar que a situação mude rápido, e passa a estar disponível aos visualizadores de Portugal, no qual eu me inclui-o!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Credo quia absurdum

Este texto é de um ateu, que no entanto revela precisamente uma das causas da apostasia da fé, a transformação da essência da fé como Verdade, para uma fé de sentido e utilidade individual, consequência do liberalismo na Igreja, ou seja, a primazia da consciência do individuo sob todas as coisas..
E como o autor diz e dá o título a esta postagem a fé tornou-se um absurdo, mudança que a hierarquia da Igreja tarda em reconhecer para a combater no seu cerne, voltando a Fé à sua essência, aquilo que é próprio dela, a Verdade.

Retirado do livro: Existe Deus? - Ateísmo e Verdade - Paolo Flores DÁrcais

E então, se uma religião já não é verdadeira/falsa, mas válida segundo o sentido-consolação que consegue fornecer à existência, como separar a palha do grão, como distinguir entre uma grande religião e uma mesquinha superstição? Porquê o Cristianismo, e não a astrologia, já que no tocante ao «sentido» esta ( a astrologia), aparentemente, funciona bastante melhor como «fé» de massas, pelo menos a julgar pela facturação do ramo, cujo crescimento é exponencial? O critério do sentido é inexorável, leva ao subjectivismo mais radical, à fé como unguento e bálsamo da alma: a cada qual a sua maquilhagem religiosa, substituível segundo a moda e a necessidade, contando que nesse momento reaja bem com a pele da existência. Uma religião do sentido (e não da verdade) já não é uma religião de pessoas, mas de simples consumidores (de sentido).
Não basta. Se o critério da religião fosse o sentido, a saber, qualquer sentido com a condição de que funcione, prescindindo da verdade, teria razão Freud: a religião é uma ilusão (e inclusive Marx: é ópio dos povos - e, porventura, dos indivíduos). O «respeito»pós-moderno da religião enquanto inconsciência (obscuridade na consciência:obscurantismo!). Quanto mais ilusões tivermos tanto melhor porque de facto, só assim poderá a ilusão funcionar de modo pleno. Mas o niilismo mais radical, que a religião imputa a todo o relativismo moral, declarando-o assim invivível, celebraria assim o seu sabat imparável. Semelhante religião não pode funcionar. Quem aceitaria uma ilusão, sabendo que é tal? Para a aceitar, é necessário tê-la por verdadeira, exigir que pertença ao âmbito que é avaliado segundo as categorias de verdadeiro e falso, e que de facto constitua o seu núcleo. A religião como mero «sentido» está sempre exposta à possibilidade de se desmoronar. Não tem fundamento nem sequer raiz. Como vimos, é por natureza frívola e giróvaga. É a moda elevada a religião. E se consegue fazer um espectáculo maior ou menor do que a religião maior ou menor do que a religião da moda, é todavia só na concorrência entre homólogos.
Toda a religião quer ser verdade, e não pode renunciar a tal pretensão. Deve ser verdade. De outro modo, também o «sentido» se desvanece. o que grande parte da filosofia hermenêutica pode admitir e, inclusive, teorizar a partir de fora, a religião não o pode aceitar a partir de dentro. Portanto, a filosofia que «reconhece» a religião, desprezando as objecções «vetustas» e toscas dirigidas contra as verdades que a religião considera demonstráveis, toma a religião por aquilo que ele não pode, de forma alguma, admitir o que é. Não a honra, mas pisa-a, interpreta-a no abismo do equívoco consigo mesma, na absoluta opacidade, torpeza e inconsciência de si mesma. E a religião, ao favorecer esta filosofia como interlocutor privilegiado, como o pensamento com que estabelece um diálogo, aceita ser precisamente o que na essência deve recusar ser, se ambiciona continuar a ser.
Tanto mais que o sentido-consolação só tem razão de ser como resgate da dor terrena na vida eterna. Mas esta só tem sentido se for indubitável. Se a dúvida conseguir instalar-se de modo razoável, qualquer distracção terrena, qualquer divertissemente, se aperceberá facilmente dessa incerteza. Só é possível mudar de vida, em relação às quimeras do mundo, se o finito se encarar perante o certo eterno, não se pode pôr a circular a suspeita de que também a religião é incerteza, divertissemente - e, porventura, o mais sublime - para se distrair dos horrores do mundo. De outra forma, as quimeras do mundo cobrarão juros, porque o finito é, por agora, a «totalidade» certa que o homem experimenta. Por isso, se a filosofa convencesse os crentes de que o valor da religião reside no sentido, e não na verdade, eles deixariam de acreditar e, desta forma, desapareceria a fé, cujo sentido a filosofia pretende interpretar. Se não desejar perder este seu «objecto», a filosofia deve, pois, interpretar a fé nos termos da sua pretensão de verdade. Em suma, que os conteúdos de verdade de uma religião sejam verdadeiros ou falsos continua a ser essencial. Por isso, há que demonstrá-los, e o ónus da prova - incontrovertível, porquanto está em causa a existência no seu conjunto - cabe a quem os enuncia.
A não ser que se opte pelo caminho rigoroso da fé como pura fé, da fé que se esquiva radicalmente à argumentação racional. Mas que renuncia, assim, a todo o saber e, inclusive, a toda a comunicação discursiva. uma fé absolutamente vertical, singular, ilógica. Que talvez só a teologia de Barth, no século XX, tentou tomar a sério. Uma fé que, no sentido mais amplo, nada tem a dizer à razão e que, por isso, nada pretende raciocinar para converter. Que se expressa (e comunica) porventura nos comportamentos e nos gestos, e no rigoroso silêncio do logos. Com uma consequência óbvia: nenhuma pretensão de impor nada seja a quem for, utilizando Deus - e os «argumentos» da fé - como argumento em qualquer deliberação pública. Mais uma vez: credo quia absurdum.

sábado, 21 de agosto de 2010

A melhor constituição segundo Aristóteles

Segundo Aristóteles o melhor governo para a sociedade dos homens é o regime moderado, tem que estar organizado de tal maneira para que todos os indivíduos tenham a possibilidade de participar, ainda que praticamente ser impossível participarem todos ao mesmo tempo.. tal como a virtude, que Aristóteles considera como o meio entre dois vícios, como que um circulo perfeito se tratasse, assim se este definha ou aumenta de tamanho, este (o circulo) perderia a sua forma perfeita, apenas um pequeno exemplo, entre muitos dado por Aristóteles «Quem está aquém das marcas distintivas do magnânimo é pusilâmine, quem as ultrapassa é um vaidoso.1» assim o melhor governo e o mais virtuoso, seria aquele mais moderado entre os dois vícios habituais da sociedades humanas, a tirania de um só homem, e a tirania da multidão, que são as formas degenerativas da monarquia e da democracia. Por isso Aristóteles enfatiza a importância da classe média numa sociedade composta invariavelmente por homens pobres, ricos e os de média fortuna que devem ser pelo menos mais de um terço da população ou idealmente dois, para que as outras duas classes juntas não conseguissem ser a maioria, pois estes têm a vantagem da semelhança do seu estado individual e civil, fazendo fruir a amizade entre eles, necessária para o êxito de qualquer comunidade e estado, não desejando bens alheios como os pobres nem excitando a inveja de ninguém.
Constrói então a sua constituição através de elementos democráticos (governo dos pobres) ou oligárquicos (governo dos ricos), para que destes elementos dialecticos, acabassem por criar uma síntese virtuosa ou um justo meio, que ele chamou de república (rex+ publica) que poderia ser mais democrática ou mais aristocrática (espécie de monarquia com vários homens), consoante o numero de elementos imbuídos na constituição de cada forma governamental.. o essencial seria ordená-los para que ninguém se visse prejudicado e principalmente para que o vicio da tirania não se despontasse nem dos pobres nem dos ricos.. Assim é essencial para a sobrevivência de um estado ter elementos democráticos, aristocráticos/monárquicos.. e uma classe média para os proteger quer dos ricos quer dos pobres!

Nota:Portugal, país de 10 milhões de habitantes, mais de 4 milhões de pessoas estão dependentes do Estado, e a classe média está continuamente a perder força.. por isso não é de admirar que os demagogos sejam eleitos, e destruam ainda o que resta dos valores nobres de Portugal como a vida..

1- Aristóteles - Ética a Nicómano, editora Quetzal textos clássicos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Combate e descanso..

Eu não tenho escrevido muito, porque encontro sempre textos mais sábios, referentes aos assuntos que gosto de tratar, e mete-os no blog. Por isso só venho aqui dizer, que o blog no mês de Agosto, não será actualizado, pelo menos durante as duas primeiras semanas, quanto às semanas finais de Agosto talvez ainda poste qualquer coisa referente aos erros do liberalismo.. mais uma vez, quase de certeza que serão textos retirados de livros que eu tenho lido, como o do Mons. Marcel Lfebvre, Do Liberalismo à Apostasia, no qual os últimos textos que tenho postado foram retirados.. Aproveito também para escrever, e relembrar o motivo no qual o blog foi feito, tentar reunir jovens portugueses que tenham amor à Santa Igreja, e por isso combatam todas as heresias do qual hoje a Igreja sofre, num mar muito turbulento que é a imagem do mundo de hoje.. Agradeço a Deus e a Maria Santíssima, que apesar dos meus pecados e quedas, que são muitos e que me acompanham a mim, mas também a vida deste blog, ainda assim tem desenvolvido devagar, mas saudável e sem perigo de morte.. Que o Espírito Santo inspire muitas almas para o combate cristão, contra os erros e pecados, para a glória da Santa Igreja, para a glória de Jesus Cristo, para glória de Deus! Quem partilha deste 'sentimento', ou muito melhor, quem partilha a submissão da sua razão à autoridade da revelação divina, que é a Fé, pode sempre comunicar-me comigo pelo mail: chamadourique@gmail.com, nem que seja só para abrasar e aquecer os nosso corações na fé, pois a fé é como o fogo que incendeia e aumenta a sua chama quando junta-se a outras, e nos dias mais frios precisamos sempre de vigia-la com mais cuidado, para que não morra!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Objecção Liberal contra a Cidade Católica

Pelo que foi dito acima, creio que se compreende bem que na história não há nenhuma lei imanente do progresso da liberdade humana, da emancipação da cidade temporal quanto à submissão a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas dizem os liberais como o Príncipe Alberto de Broglie em seu livro "A Igreja e o Império Romano no séc. IV", o regime que desejais da união da Igreja e do Estado, que foi a dos Césares cristãos e germânicos sempre conduziu a uma submissão da Igreja ao Império, a uma molesta dependência do poder espiritual ao temporal. Diz o autor: " a aliança entre o trono e o altar nunca foi durável, nem sincera, nem eficaz"1. Como consequência a liberdade e independência destes dois poderes tem valor.
Deixo ao Cardeal Pio, o cuidado de responder a estas acusações liberais; ele não tem dúvida em qualificar estas afirmações temerárias como trivialidades revolucionárias:

"Se vários príncipes ainda neófitos e ainda não desligados dos costumes absolutistas dos Césares pagãos, desde o princípio trocaram a protecção legítima por opressão; se procederam com rigor contrário ao espírito cristão (geralmente lutando por uma heresia, a pedido de bispos hereges), houve na Igreja homens de Fé e de valor como Hilário, Martinho, Atanásio e Ambrósio, para chamá-los ao espírito de mansidão cristã, para repudiar o apostolado da espada, para declarar que a convicção religiosa jamais se impõe pela violência e finalmente proclamar com eloquência que o cristianismo, que se havia propagado apesar da perseguição dos príncipes, podia prescindir de seus favores e não devia se colocar sob nenhuma tirania. Nós conhecemos e temos pesado cada palavra destes nobres atletas da Fé e da liberdade de sua Mãe a Igreja. Mas tendo protestado contra os abusos e excessos e censurado as acções intempestivas e falta de inteligência que às vezes atentavam contra o princípio e as regras da imunidade sacerdotal, nenhum destes seus chefes têm o dever de professar publicamente a verdade cristã, harmonizar com ela seus actos e instituições e também proibir com leis quer preventivas ou repressivas, segundo as disposições do tempo e dos espíritos, os atentados que deram carácter de patente impiedade e introduziram a inquietação e a desordem no meio da sociedade civil e religiosa"2

É um erro, ao qual foi dado destaque e que este trecho do Cardeal esclarece bem, dizer que o regime de "só liberdade" seja um progresso em relação ao regime de união das duas potências. A Igreja nunca ensinou que o sentido da História e o progresso consistem na tendência inevitável para a emancipação recíproca do temporal em relação ao espiritual. O sentido da História de Jacques Maritain e de Yves Congar não passa de um contra-senso. Esta emancipação que descrevem como sendo um progresso, não passa de um divórcio ruinoso e blasfemo para a cidade e Jesus Cristo. Foi necessária a falta de vergonha de "Dignitatis Humanae" para canonizar este divórcio, e isto, suprema impostura, em nome da verdade revelada!
Por ocasião da conclusão da nova concordata entre a Igreja e a Itália, João Paulo II declarava: "nossa sociedade se caracteriza pelo pluralismo religioso", e dava a consequência: esta evolução demanda a separação entre a Igreja e o Estado. Mas em nenhum momento João Paulo II pronunciou um juízo sobre esta troca mesmo sendo para deplorar a laicização da sociedade, ou simplesmente dizer que a Igreja se resignava a uma situação de facto. Não, sua declaração como a do Cardeal Casaroli, louvava a separação da Igreja e do Estado, como se fosse o regime ideal, o resultado de um processo histórico normal e providencia, contra o qual nada se pode dizer! Dito de outra forma: "Viva a apostasia das nações, eis aí o progresso!" Ou então: "Não devemos ser pessimistas! Abaixo os profetas de calamidades! Jesus Cristo já não reina? Que importância têm? Tudo bem! De qualquer modo a Igreja marcha rumo ao cumprimento de sua história. E depois de tudo Cristo vem, aleluia!". Este optimismo simplista enquanto já se acumulam as ruínas, este fatalismo, não são os frutos do espírito de erro e descaminho? Tudo isto me parece absolutamente diabólico.

1 Op. cit., T.IV, pág. 424, cit. Pelo P. T. De St Just,pág. 55.
2 3º instrução sinodal sobre os principais erro do tempo presente, Obras, T-V, pág. 178.


Texto retirado do livro: "Do liberalismo à Apostasia - a Tragédia Conciliar"
Autor: Mons. Marcel Lefebvre Editora Permanência

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sentido da História para os Liberais

Senso ou Contra-Senso

Para os católicos chamados liberais, a história tem um sentido, ou seja, uma direcção. Na terra, esta direcção é imanente: a liberdade. A humanidade é empurrada por um sopro imanente para um consciência crescente da dignidade da pessoa humana, para uma liberdade cada vez maior de livre de toda a coacção. O Vaticano II se fará eco desta teoria dizendo, a exemplo de Maritain (Católico Liberal):

"Em nosso tempo, a dignidade da pessoa humana é objecto de consciência cada vez mais viva; são cada vez mais numerosos os que reivindicam para os homens a possibilidade de agir de acordo com suas próprias opiniões e segundo sua livre responsabilidade"1

Ninguém discute que seja desejável que o homem se encaminhe livremente para o Bem; mas é muito discutível que nossa época ou mesmo o sentido da história em geral, estejam marcados por uma consciência crescente da dignidade e liberdade humana. Somente Jesus Cristo ao conferir aos baptizados a dignidade de filhos de Deus, mostra aos homens em que consiste sua verdadeira dignidade: a liberdade de filhos de Deus de que fala São Paulo (Rm 8, 2). Na medida em que as nações se submeteram a Nosso Senhor Jesus Cristo, viu-se com efeito o desenvolvimento da dignidade humana e um sã liberdade; mas desde a apostasia das nações com a instauração do liberalismo, é forçoso verificar que, pelo contrário, se não reina Jesus Cristo "as verdades diminuem entre os filhos dos homens" (Sl 11, 2), a dignidade humana é cada vez mais desprestigiada e achatada, e a liberdade fica reduzida a um tema sem vazio sem qualquer conteúdo.
Em alguma época da história já se viu um empreendimento tão radical e colossal de escravidão, como a técnica comunista de escravizar as massas?2 Se Nosso Senhor nos convida a "ver os sinais dos tempos" (Mt. XVI, 4), então foi necessária uma cegueira voluntária dos liberais e um concluio absoluto de silêncio, para que um concílio ecuménico reunido precisamente para ver os sinais de nosso tempo3, se calasse acerca do sinal dos tempos mais evidente, que é o comunismo. Este silêncio basta por si só para cobrir de vergonha e reprovação este Concílio, diante da História, e para mostrar o ridículo do que alega o preâmbulo de "Dignitatis Humanae", que lhes citei.
Por conseguinte, se a história tem um sentido, não é certamente a tendência imanente e necessária da humanidade para a liberdade e a dignidade; isto não passa de uma invenção "ad justificandas justificationes suas", para justificar seu liberalismo, para cobrir coma máscara enganosa do progresso o vento gelado que fazem soprar sobre a cristandade, há dois séculos.

1 - Declaração sobre a Liberdade Religiosa, preâmbulo.
2- Cf. J. Madirain, "La vieillese du Monde" DMM, Jarzé, 1975.
3 - Cf. Vaticano II, "Gaudium et Spes", nº4 & 1, 11 & 1.


Texto retirado do livro: "Do liberalismo à Apostasia - a Tragédia Conciliar"
Autor: Mons. Marcel Lefebvre Editora Permanência

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Jesus Cristo, Centro da História

Qual é pois o verdadeiro sentido da História? Há por acaso um sentido da História?
Toda a História tem por centro uma pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo, porque como diz São Paulo:" Nele foram fundadas todas as coisas, as dos Céus e as que estão sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, dominações, principiados o potestades. Tudo foi criado por Ele e nEle, e Ele é antes de todas as coisas e nEle todas subsistem. Ele é a cabeça do corpo da Igreja, sendo Ele mesmo o princípio (...) para que em tudo tenha o primeiro lugar. Deus quis que toda a plenitude habitasse nEle, e por meio dEle reconciliar todas as coisas tanto as da terra como as do céu, trazendo a paz mediante o sangue de sua Cruz"1
Jesus Cristo é portanto o centro da História. A História tem somente uma lei: "é necessário que Ele reine" (1 Cor 15, 25). Se Ele reina, reinam também o verdadeiro progresso e a prosperidade, que são bens muito mais espirituais que materiais. Se Ele não reina, vem a decadência, a caducidade, a escravidão em todas as formas, o reino do mal. É o que profetiza a Sagrada Escritura:" Porque a nação e p reino que não te servem perecerão, estas nações serão completamente destruídas" (Is 60, 12). Há excelentes livros sobre a filosofia da história, mas que me deixam surpreso e impaciente ao comprovar que omitem este princípio absolutamente capital ou não o põe no lugar que lhe é devido. Trata-se do princípio da filosofia da História, sendo também uma verdade da Fé, verdadeiro dogma revelado e confirmado centenas de vezes pelos factos!
Eis a resposta à pergunta: Qual é o sentido da História? A história não tem nenhum sentido, nenhuma direcção imanente. Não existe o sentido da história. O que há, é um fim da História, um fim transcendente: a "recapitulação de todas as coisas em Cristo"; é a submissão de toda ordem temporal à sua obra redentora; é o domínio da Igreja militante sobre a cidade temporal que se prepara para o reino eterno da Igreja triunfante no céu. A Fé afirma e os factos o demonstram que a História tem um primeiro centro: a Encarnação, a Cruz, Pentecostes; ela teve seu completo desenvolvimento na cidade católica, quer seja no império de Carlos Magno ou na república de Garcia Moreno; e terminar, chegará a seu centro final quando o número de leitos se completar, depois do tempo da grande apostasia (2 Tess, II, 3); não estamos vivendo este tempo?

1. Cl 1, 17-21

Texto retirado do livro: "Do liberalismo à Apostasia - a Tragédia Conciliar"
Autor: Mons. Marcel Lefebvre Editora Permanência

terça-feira, 13 de julho de 2010

Acção de Judas na Igreja

Tal como Judas que pactuou uma aliança com as autoridades Judaicas para entregar Cristo, os lobos vestidos de ovelha, que como vírus mortal ferem e enfraquecem o corpo de Cristo, venderam-na e pactuaram com os principais inimigos históricos da Igreja.
O Protestantismo que muitas almas retirou à Igreja, os maçons criadores da revolução e os comunistas herdeiros desta, viram - se servidos e satisfeitos no histórico concílio Vaticano II..

O Pacto Triplo

- "Maçons, o que quereis?" O que solicitais de nós? Tal é a pergunta que o Cardeal Bea fez aos Bnai B'rith antes do começo do Concílio: a entrevista foi relatada por todos os jornais de Nova Iorque, onde ela se realizou. Os maçons responderam que queriam a "liberdade religiosa!", o o que quer dizer todas as religi~pes em plano de igualdade. A Igreja, de agora em diante, não há de ser chamada a única e verdadeira religião, o único caminho de salvação, a única admitida pelo Estado. terminemos com este privilégios inadmissíveis e declarai então a liberdade religiosa. Eles o conseguiram foi a "Dignitatis Humanae".

- "Protestantes, o que quereis?" O que solicitais para que vos possamos satisfazer e rezar juntos? A resposta foi: Trocai vosso culto, retirai aquilo que não podemos admitir! Muito bem, lhes foi dito, inclusive os chamaremos quando formos elaborar a reforma litúrgica. Vós formulareis vossos desejos e a eles nós ajustaremos nosso culto! Assim aconteceu: foi a constituição sobre a liturgia "Sacrossanctum Concilium", primeiro documento promulgado pelo Vaticano "", que dá os princípios e o programa detalhado da adaptação litúrgica, feita de acordo com o protestantismo1; depois o "Novus Ordo Missae" promulgado por Paulo VI em 1969.

- "Comunistas, o que solicitais, para que possamos ter a felicidade de receber alguns representantes da Igreja Ortodoxa russa no Concílio? Alguns emissário do K. G. B.!" A condição exigida pelo patriarca de Moscovo, foi a seguinte: " Não condeneis o Comunismo no concílio, não faleis neste tema!". (Eu acrescentaria: sobretudo nada de consagrar a Rússia ao Oração Imaculado de Maria!) e também "manifestai a abertura do diálogo connosco". E o acordo2 se fez, a traição foi consumada: " Estamos de acordo, não condenaremos o comunismo!" Isto mesmo foi executado ao pé da letra: eu mesmo levei, juntamente com Mons. de Proença Sigaud, uma petição com 450 assinaturas de Padres conciliares ao Secretário do Concílio Mons. Felici, solicitando que o Concílio pronunciasse uma condenação da mais espantosa técnica de escravidão da história humana. Depois nada acontecia, perguntei onde estava o pedido. Procuraram e finalmente me responderam com um desenvoltura que me deixou estupefacto: " Seu pedido se extraviou numa gaveta..."3. E não se condenou o comunismo; oumelhor, o Concílio cuja intenção era discernir "os sinais dos tempos", foi condenado por Moscovo a guardar silêncio sobro o mais evidente e monstruosos dos sinais dos tempos actuais!
Está claro que houve no Concílio Vaticano II um entendimento com os inimigos da Igreja, para terminar com as hostilidade para com eles. É um entendimento com o Diabo!


1- Os princípios da revolução litúrgica se encontravam nele, mas de modo que se passaram desaparecidos aos desavisados.

2- Entre o Cardeal Tisserant, mandatário do Papa João XXIII e Mons. Nicodeme, concluído em MEtz em 1962(Cf. Inineraires, Abril de 1963, Fevereiro de 1964, Julho e Agosto de 19784).

3- Cf. Wilgen, pág. 269-274.

Texto retirado do livro: "Do liberalismo à Apostasia - a Tragédia Conciliar"
Autor: Mons. Marcel Lefebvre Editora Permanência

sábado, 10 de julho de 2010

Ordem do Templo, São Bernardo e os Cistercienses na Fundação de Portugal III

Os cistercienses escolheram para capital o vale formado pela confluência dos rios Alcoa e Baça, chamada a essa nova cidade Alcobaça. O castelo sobranceiro à colina, mandado erigir por D. Afonso Henriques para protecção dos monges, foi posteriormente destruído por terramotos e caçadores de tesouros.O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, que além de ser o mosteiro situado mais a sul de entre os 340 que os cistercienses construíram por toda a Europa, a mando de São Bernardo, é um dos cerca de duas dezenas que ainda existem em Portugal. A sua Igreja é, talvez, o mais belo exemplo que resta da arquitectura medieval cisterciense, suplantando mesmo qualquer exemplar da Borgonha, incluindo Fontenay (a igreja dos cistercienses, em Clairvaux, foi transformada em prisão para criminosos loucos).
À semelhança do que acontecia em relação a outras artes, as obras arquitectónicas dos cistercienses tentavam conciliar beleza com simplicidade. Talvez, por isso, alguns especialistas tenham classificado o estilo de «severo» - um termo que, de facto, não parece muito apropiado quando entramos no MOsteiro Alcobaça. Bernardo proibiu o uso de vitrais, dourados e estatuária. Encontramos uma longa nave - que creio ser a maior do país - constituída de pilares brancos esguios que se elevam até aos tectos abobadados, intercalados por feixes de luz que entram através dos vidros transparentes. O padrão e a simetria repetem-se em cada uma das coxias laterais. Mais ou menos a meio da nave encontram-se duas capelas frente a frente, uma com o túmulo de D. Pedro I e a outra com o de sua mulher, D. Inês de Castro. Mulher nobre que integrou a corte portuguesa como a dama de companhia, tendo casado com D. Pedro sem o consentimento do pai deste, que, por vingança, ordenou a sua morte. D. Pedro mandou-a embalsamar e, quando ascendeu ao trono, colocou-a a seu lado, obrigando os cortesãos a beijarem-lhes a mão. Aos pés do túmulo de D. Pedro, existe um baixo-relevo evocando o seu último dia de vida, no leito da morte, alimentando-se de sopa e recebendo o sacramento da unção dos enfermos. Aos pés de D. Inês, está representado o juízo final, com uns, mãos erguidas ao Céu, e outros descendo penosamente o declive rochosos que conduz ao Inferno.
O rei D. Dinis, que ascendeu ao trono em 1279, quando tinha 18 anos, mandou construir o principal claustro ao lado da Igreja. Incluía a projecto a Casa do Capítulo, onde frequentemente se reunia em conselho com o abade e outros membros superiores da ordem, uma câmara real, que, funcionando, em certos períodos, como residência sua e de sua mulher, D. Isabel, aí recebia os convidados, e ainda uma sala tumular real. Considerado como um dos maiores monarcas portugueses de todos os tempos, ligou-se de tal modo aos «irmãos agrónomos» de Alcobaça que os seus cronistas lhe chamaram o Rei Lavrador. Os que arroteavam a terra ficavam isentos de impostos sobre o produto das colheitas, e aos rendeiros que, pondo em prática o conselho dos monges, conseguiam produzir mais e melhor eram concedidos freeholds1 dentro de dez anos.
Foi um projecto pessoal da rainha Santa Isabel desenvolver os pinhais, cuja plantação os monges de Cister tinham iniciado na planície costeira. Os estaleiros, onde os frades construíam navios de madeira, foram também expandidos. Pela primeira vez, desde a era romana, Portugal começava a negociar com o resto da Europa....
No reinado de D. Dinis, Portugal tornou-se um dos primeiros países a inovar nos seguros. Os armadores pagavam taxas à recém-criada Bolsa de Lisboa, que os ressarcia, na eventualidade de um dos seus navios ser assaltado pelos piratas ou afundado numa tempestade. D. Dinis também se notabilizou por ter fundado o ensino superior em Portugal, recrutando para tal professores em Paris. Diz-se que os primeiros estudantes se entregaram de tal modo e tão intensamente aos prazeres citadinos de Lisboa que o rei decidiu transferir a nova universidade para o ambiente mais espartano de Coimbra. Também é referenciado como o pai da literatura portuguesa. Até então, poucos eram os letrado fora da Igreja e quase tudo o que se escrevia era em latim ou borgonhês ( por vezes erradamente chamada provençal). D. Dinis determinou que a língua do povo seria o galaico, tendo procedido a adaptações que a transformaram numa língua distintamente portuguesa. Nela escreveu um grande número de poemas e de trovas. Talvez a sua proeza menos reconhecida a nível internacional tenha constituído na garantia de continuidade dos templários. Todos os livros que conheço sobre esta misteriosa ordem militar dão como certo que ela foi extinta na sequência das perseguições movidas pelo rei Filipe IV de França e pelo Papa Clemente V. Em princípios do século XIV, os cavaleiros templários tinham conseguido em França uma riqueza de tal modo espantos que eram donos de cerca de um terço da cidade de Paris. A família real francesa era uma das muitas que lhes deviam dinheiro. Apesar de tudo, Filipe IV tentou obter um novo empréstimo para financiar a desejada ocupação militar da Bélgica, o que foi recusado pelo grão-mestre, Jacques de Molay. Na sexta-feira, dia 13 de Outubro de 1307, ainda antes do amanhecer, todos os templários, em França, foram detidos por funcionários do rei, que confiscaram, para o tesouro real, toda a riqueza que puderam encontrar. Os monges foram acusados de delitos que iam desde o cuspir no crucifixo à idolatria, e «osculação despudorada». O Papa Clemente V emitiu uma bula dirigida a todos os monarcas da cristandade, a Pastorali Praeminenses, onde se determinava a prisão dos templários nos diferentes países, e a confiscação de tos os seus bens, o que, de acordo com os relatos conhecidos, ditou o fim da ordem.
(Na execução de Molay ele lança a sua famosa maldição, que provoca o fim da dinastia dos capetos, uma das causas para o inicio da guerra do 100 anos, que abre o tempo conhecido pelo outono da idade Média ou a crise dos séculos XIV e XV, açoitado pelo triângulo Maligno constituído pela guerra, fome e peste no qual terão morrido pelo menos 1/3 da população Europeia)
Alguns deles, no entanto, terão escapado à detenção. Diz-se que uma parte considerável do tesouro guardado em Chipre não foi confiscada. Em Portugal, D. Dinis minimizou a carta do Papa. O seu reino, que devia a existência à ordem, precisava agora dos seus membros para guardar a fronteira com a Espanha, ao longo das quais, aliás, tinha mandado construir um conjunto de castelos. Ordenou ao arcebispo de Braga que enviasse uma comissão de inquérito destinada a avaliar as acusações feitas aos templários. Inteiramente ilibados pelo arcebispo, D. Dinis anuiu formalmente às exigências do Papa, decretando a abolição da ordem em Portugal e a confiscação de tos os seus bens, ao mesmo tempo que anunciava a criação de uma nova ordem, a ordem de Cristo, cujo grão-mestre e todos os outros membros eram templários. A eles, na sua nova forma, ofereceu todos os bens e riquezas que lhes tinha acabado de confiscar. Os templários que tinham escapado às perseguições noutros países vieram aqui fixar-se. Crê-se, também, que trouxeram consigo o tesouro de Chipre, que alguns, ainda hoje, tentam encontrar, algures enterrado. Os cavaleiros de Cristo estabeleceram a sua sede em Tomar, nas margens do rio Nabão, perto da c0onfluência com o rio Tejo. Ainda hoje, o seu magnifico mosteiro fortificado domina a cidade. A sua capela é octogonal, uma forma que os templários entendiam que representava a harmonia de Deus com o Homem. Eram da opinião de que o Templo de Salomão tinha sido assim construído. Os monges, para acentuar a sua permanente actividade militar, costumavam assistir à missa, na capela, montados a cavalo.
Os cavaleiros atraíram à cidade artesãos para fabricarem armas, selas, vestuário, peças de olaria, mobília e utensílios agrícolas. Dividiram em herdades grande parte das terras que lhes foram devolvidas pelo rei, entregando-as a uma nova classe de fidalgos, alguns deles, de acordo com os arquivos locais, talvez simpatizantes dos templários vindos de França. Para beneficiar dos freeholds1 tinham de continuar a manter-se em forma como oficiais de cavalaria e, simultaneamente, treinaram os lavradores na arte de cavalgar, tanto em relação ao combate como na arte de esgrimir.
D. Dinis morreu em 1325 e a sua viúva, Isabel de Aragão, retirou-se para um convento, em Coimbra. Casaram quando ela tinha 12 anos, tendo rainha sido mãe muito nova. Pouco dado à monogamia, encheu-se de ciúmes doentios por D. Isabel, mandando-a prender durante algum tempo. libertada, ela mesmo criou, em Lisboa, um refúgio para mulheres vítimas dos maridos e um lar para crianças abandonadas. D. Isabel é actualmente considerada um dos santos mais populares do país. Reza a lenda que, um dia, transportando no avental comida que tinha ido buscar à cozinha real para dar aos pobres, foi interpelada pelo marido, que, gritando, irado, a acusou de roubo. Instada pelo rei a abrir o avental, dele caíram pétalas de rosas.
grande parte da vida da rainha Isabel foi dedicada à resolução de querelas familiares. Dissuadiu o filho a sublevar-se contra o pai, tendo, ainda, em outra ocasião, cavalgado entre os exércitos de pai e filho, desafiando-os a enfrentarem-se primeiros. Depois de suceder ao Pai, o novo rei, Afonso IV, marchou sobre Castela. Ao tomar conhecimento do facto, a mãe abandonou o claustro, galopando a cavalo em direcção ao exército português, conseguindo evitar a guerra, estava ela a começar. Ao regressar a casa terá sido, ao que parece, vitimada pela peste. Com ela acabaram os grandes dias do domínio da Casa de Borgonha em Portugal.

1- Propriedade fundiária normalmente atribuída em regimento perpétuo.

Texto retirado do livro "A Primeira Aldeia Global - Como Portugal mudou o mundo"
Autor: Martin Page - 6º edição Casadasletras

terça-feira, 6 de julho de 2010

A União Europeia e a mulher coroada com Estrelas

Fonte: http://milesecclesiae.blogspot.com/


Corria o ano de 1830 quando Nossa Senhora apareceu para uma jovem irmã vicentina residente em Paris chamada Catarine Labouré. A Virgem, que se apresentou como Nossa Senhora das Graças, pediu-lhe que mandasse cunhar medalhas reproduzindo a imagem que ela via. Assim se fez, surgindo a grande devoção da Medalha Milagrosa.

Num dos lados, a medalha mostra a imagem de Maria com o globo sob os pés e raios saindo de suas mãos e tendo ao redor a inscrição "Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós". Do outro lado, a cruz de Cristo e o M de Maria e dois corações: um coroado de espinhos, outro trespassado por uma espada. E ao redor de medalha, 12 estrelas - lembremo-nos de Apocalipse 12,1: "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de 12 estrelas."

Pois bem, em 1950 o Conselho da Europa, instituição criada para trabalhar pela unidade europeia, promoveu um concurso para escolher a bandeira de uma futura Europa unida. O vencedor foi o desenhista francês Arsené Heitz, que propôs um círculo de 12 estrelas sobre um fundo azul. Anos mais tarde ele explicou que a inspiração surgiu quando adquiriu uma Medalha Milagrosa - ele, que rezava o terço todos os dias. O azul é a cor tradicionalmente associada a Maria desde tempos muito antigos e as estrelas são referência à Coroa da Rainha do Céu.

Curiosamente nunca houve uma associação entre o número de estrelas e o de países componentes da União Europeia, pois quando a bandeira foi oficial adoptada (em 8 de Dezembro de 1955), havia 15 países no Conselho da Europa. Vocês prestaram atenção à data em que a bandeira foi oficializada? 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós). Diante das críticas referentes à diferença entre o número de estrelas e o número de países, Heitz justificava que esse número simbolizava a unidade, pois eram 12 os apóstolos, 12 as tribos de Israel, etc.

A Selecção da Itália e o Manto de Maria

Outra referência oculta a Nossa Senhora está na cor da camisa da selecção italiana de futebol. O azul, que não aparece na bandeira da Itália, vem da antiga bandeira da Casa de Saboia, importante família da nobreza do país. No século XVI a bandeira da família ganhou essa cor para pedir protecção a Nossa Senhora. Esse estandarte familiar foi depois adoptado pela República Italiana como bandeira oficial dos presidentes, mas já era a cor do uniforme da Azzurra.

As informações são de Vittorio Messori no livro Hipóteses sobre Maria.