domingo, 10 de outubro de 2010

100 anos da queda da Monarquia

Comemorou-se no dia 5 os 100 anos da implantação da República em Portugal de inspiração maçónica, materializado ainda hoje nas cores da actual bandeira nacional "conforme refere Oliveira Marques, em Ensaios da Maçonaria, os Centros Republicanos eram sociedades paramaçónicas, ou seja, sociedades de princípios maçónicos, criadas por maçons. Assim, de acordo com o Dicionário de Maçonaria Portuguesa, segundo o mesmo autor, o vermelho era o "símbolo do fogo, do amor, da inteligência, do sangue, etc." e o verde o "símbolo da água da esperança, da imortalidade, da justiça e da esperança". Acrescente-se que o vermelho era a cor dominante do Rito Escocês Antigo e Aceite que, com o verde, surgem nas insígnias do 15º grau, do mesmo Rito. Mais, segundo o mesmo Dicionário, em Santarém, a Loja da Liberdade, criada em Santarém em [1905] era uma loja maçónica de Rito Francês, mas em 1908 adoptou o Rito Escocês Antigo e Aceite. Por isso, pensamos que essa bandeira pode ter a sua origem na Maçonaria."1 Sim os símbolos são muito importantes, mas apenas para aqueles que os conhecem, e como estes são de carácter muito subjectivo as interpretações são muitas, mas a inspiração histórica fica sempre como a genuína! No entanto hoje dificilmente alguém associa as cores aos ideais maçónicos a não ser é claro os maçons, ainda que a cor vermelha ainda hoje carrega muito a marca revolucionária, que é melhor definida na história da antiga União Soviética.. Hoje temos uma interpretação mais global do simbolismo das respectivas cores no qual duvido que haja alguém que não a aceite, cujo o vermelho representa os mártires e heróis da nação Portuguesa e o verde a esperança cuja inspiração remonta ao positivismo dos inícios do século XX, esperança que certamente não é a mesma, por exemplo entre os maçons e Católicos do passado e do presente. De facto as interpretações de hoje são diferentes das genuínas e por isso erradas, porque a origem dos símbolos permanece sempre como a verdadeira chave de interpretação, assim a nossa República estará sempre marcada pela vitória da ideologia maçónica enquanto Portugal carregar os símbolos da 1º República que anuncia no presente a vitória de há 100 anos, aos que hoje vivem e descendem tanto dos vitoriosos como dos derrotados ainda que possam ser Republicanos. Assim os símbolos da 1º República permanecem sempre como uma fonte de divisão, uma fonte de demarcação entre os vencedores e os derrotados, que mais cedo ou mais tarde podem despontar outra vez em fricções, quanto maior for a consciência do significado desses símbolos e da história que representam.
Os derrotados podem aceitar os símbolos dos vencedores, quando a sorte muda? Dúvido, mesmo que a interpretação tenha mudado ao longo do tempo, há sempre uma nova ideia a anunciar, que os símbolos passados não conseguem reproduzir.

No caso da Cruz, símbolo de ignomínia, vergonha, opressão, horror e desprezo no mundo antigo, utilizado pelo império romano para executar a escória da humanidade, proibido por isso mesmo, a crucificação de qualquer cidadão Romano, os Cristãos sempre o anunciaram "para escândalos" de uns "e loucura" de outros, isto porque Deus elevou a Cruz a símbolo de salvação, apesar da miséria e sofrimento que provoca e que simboliza aqui na terra.. Toda esta aversão e peso, que especialmente naquela época o símbolo da Cruz tinha, não foram suficientes contra o poder de Deus, assim os Cristãos anunciaram-na a todo o império e os Romanos acabaram por aceitá-lo como símbolo da nova Religião Oficial do Império, que para os Cristão (a Cruz) sempre significou Esperança e Salvação. Se o Império saiu derrotado e os Cristão saíram vencedores, estes últimos venceram não pela força das armas mas sim pela força do Amor de Deus. A Cruz Espiritual de Amor de Salvação, de Redenção venceu a Cruz temporal da dor, de sofrimento, de miséria. Os Romanos derrotados por Deus no sinal da Cruz aceitaram humildemente esta transcendência do símbolo da Cruz, pois até então utilizado por eles, para oprimir e esmagar, que define para todos os tempos, como símbolo do poder temporal, mas pelo poder Deus 'transmutou-se' no símbolo do poder Espiritual de Paz e Salvação! Apenas o povo Judeu e os povos Orientais é que demoram-se em converter e vergar a cruz temporal à Cruz Espiritual, os primeiros converter-se-ão no fim dos tempos segundo S. Paulo, os últimos julgo eu, é obra para nossos dias (Sou optimista). (Quanto às sociedades Ocidentais, estão a correr rumo à decadência que espero eu, curarão muitas feridas, como é o caso por exemplo dos símbolos acima descritos que representam as cruzes temporais)

Já desviado e muito do caminho inicial previsto, retomo ao assunto que me propus escrever e que é o motivo desta postagem. Não vou aqui discutir as intenções, simplesmente tentar explicar do meu ponto de vista, porque hoje e sempre, é melhor uma Monarquia do que uma Republica ainda que considere as duas legítimas dentro de certos limites. Existem vários tipos de Monarquias na história Ocidental, as Monarquias Católicas que nasceram em toda a Cristandade a atingiram o seu apogeu no séc XII e XIII, as Monarquias Absolutas que evoluem das anteriores e cujos primeiros traços vão aparecendo já no séc XIV e cujo apogeu é atingido no séc XVI e XVII, depois as Monarquias Liberais cujo Rei jura uma constituição. Hoje existem as chamadas Monarquias Democráticas cujo o Rei funciona mais como um símbolo da unidade, da história, da vontade da Nação, mas sem poder. Todas elas perduraram no seu tempo, o que indica, que em certa medida foram claras imagens da mentalidade da sua época, e por isso foram considerados bons regimes para as pessoas d'então. As Monarquias Católicas têm como Pai, Chefe e 1º senhor aqui na terra o Papa, representante do Senhor dos Exércitos, do Ceú e da Terra, Jesus Cristo. A instituição do Papado, como representante e chefe de toda a Cristandade (Europa Ocidental) é de facto um avanço civilizacional até hoje nunca conseguido, mas hoje tentado na sua forma laica na forma da União Europeia..2 Não era senhor pelas armas, mas sim pelo direito de Deus, que todos os Reis criam, e por isso foi sempre um intermediário, uma autoridade moral,e principal juiz no direito internacional. Com o desenvolvimento das Monarquias Absolutas os Reis deixam de ser os primeiros senhores da Nação e passam a ser o próprio Estado, na ordem internacional o Papa foi perdendo prestígio, principalmente depois de a cátedra de Pedro ter emigrado para a Avinhão entre 1309 e 1377 depois da famosa esbofetada de Felipe IV o Belo ao Papa Bonifácio VIII em Anagni, durante esse êxodo, o Papado foi perdendo muita da autoridade internacional pois estava submetido ao Rei de França. Depois disto o Papa torna-se muitas vez até à contra-reforma, como mais um senhor temporal cujos interesses competiam com os outros Estados. Com as Monarquias Absolutas já não há também a submissão do poder temporal ao poder Espiritual, acontece o inverso nos países Católicos, cuja a hierarquia eclesial vê-se novamente invadida por pessoas seculares sem vocação, principalmente da esfera dos Reis, apenas interessadas nos rendimentos eclesiásticos. As Monarquias Liberais ou Constitucionais, conseguem separar o Rei e o Estado, sendo o primeiro uma figura institucional do último, no qual (o Rei) se submete à lei fundamental do Estado, nascendo as constituições. A evolução dos regimes e do direito como podemos ver, começou por uma visão sacra até à laicização, basicamente isto resume a história do poder da civilização Ocidental, que iniciou-se com um regime de relações pessoais e individuais numa hierarquia que ia do servo mais pequeno até ao Senhor Absoluto (Deus), passando por servos, lavradores, mercadores, artesãos, Barões, Nobres, Bispos, Reis, Papa, etc.. vocações, que como moedas têm diversas faces diferentes, mas partilham no verso uma face em comum, o dever de servir. Cuja antítese foi atingida no nosso tempo, no regime materialista e igualitarista comunista, anticristão por excelência pois totalitário tendo apenas dois estados - o alto e o baixo , duas moedas - as de liga de ouro e as de liga de lata, as elites diabólicas estatais e as massas loucas , que tem como face iguais o direito de serem servidos, e por isso os primeiros têm poder absoluto sobre as últimas.

As constituições actuais que materializam o direito laico, substituem e absorveram o espaço do direito divino acreditado por todos, ainda hoje (os Católicos ainda são a maioria) no espaço público. Antes de dizer porque prefiro a Monarquia em vez da Republica, queria dizer qual a Monarquia que defendo. Primeiro defendo um Estado Católico, porque o povo é Católico, mas também a tolerância em nome da Ordem Pública. O Rei como representante do Estado, deve submeter-se ao Papa no que diz respeito às questões de Fé e Moral, pois como vigário de Cristo guarda as chaves da revelação Divina, tal como as leis laicas justamente submetem-se às leis divinas que podemos apreender pelas leis naturais.
O Rei Católico crendo intimamente nesta constituição Divina materializada no direito Canónico, observaria também uma Lei fundamental ou constitucional que diz respeito às questões temporais e laicas sempre submetidas ao direito Divino. São duas espadas queridas por Deus para governo do mundo, e eficazes contra todos os totalitarismos, se devidamente ordenadas. E como é óbvio segundo a complexidade da administração do estado actual, é necessário um governo técnico encarregado de administra-lo, que democraticamente poderia muito bem ser escolhido dentro do quadro do direito laico e canónico e as suas relações. Estas ideias não diferem muito das Monarquias actuais democráticas, excepto no facto de que os Estados não são Católicos.
Como vimos, a evolução dos regimes Ocidentais, começou com a boa relação dos poderes temporais com o poder Espiritual reconhecendo a superioridade do poder espiritual do Papa, degenerou-se para o absolutismo régio, que teve como reacção, o crescente liberalismo da sociedade e a consequente limitação dos poderes régios ou mesmo a sua destruição em muitos países, no qual desembocamos na história actual, cujas Monarquias existentes estão limitadas em poder, naquilo que elas têm de único, a razão de não terem sido destruídas e é o seu seguro de saúde, e por si só justifica a minha escolha.
Discutir quais dos regimes Ocidentais actuais: Monarquia Democrática, República Presidencialista ou Parlamentar, é o melhor em termos puramente materiais, como a tentativa de mostrar pelo qual se governa melhor, é estéril e infundada. A questão essencial são os símbolos e as verdades que levantam, o que representam, as mentalidades que fortalecem, e historicamente o partido que tomam (como já disse acima, não vou discutir intenções).
A República glorifica mais, o desenvolvimento do direito temporal e do estado, destacando o governo do Homem. Enquanto a Monarquia mais o direito natural e a verdade natural, destacando o governo de Deus, sendo obviamente mais universal e por isso mais verdadeira.
A Republica é mais optimista em relação ao homem, mais positivista e por isso mais progressista, isto é evidenciado pela abertura universal da magistratura maior do Estado a todos os cidadãos em harmonia com a igualdade natural de todos os homens. Por outro lado, devido a mutabilidade inerente à natureza da República pois fundamenta-se em maiorias que estão sempre a mudar, acaba por sofrer legalmente da corrupção e liberalismo dos homens, que vão corroendo o Estado pelos interesses individuais, podendo mesmo transformar-se numa republica de um tirano se este conseguir-se apoderar da magistratura maior como aconteceu na Alemanha de Hitler apoiado por uma maioria. É claro que para prevenir isto de acontecer, podemos sempre acrescentar elementos monárquicos como uma constituição imutável, que não se possa mudar pelo direito, apenas pela revolução ou seja força. Se um estado e o povo forem Católicos, a revolução perde muito da sua força devido à mentalidade Católica.
O Regime Monárquico Católico, submetido e garante das duas espadas acima descritas, delegaria o poder executivo e legislativo segundo eleições democráticas, (quanto ao poder judicial é uma questão mais complexa, tendo em conta a importância da sua autonomia). Seria nestes termos muito sintetizados, que preferiria a monarquia devido à sua transcendência no que diz respeito às questões temporais, e por isso mesmo garante da continuidade da Nação e do Direito.
Monarquia é símbolo da Verdade, pois esta última, pela sua própria natureza não muda e transcende opiniões, é una e permanece imutável. Representa todos e não alguns, não se corrompe por poder, dinheiro ou outro tipo de vícios, pois está acima de qualquer disputa, é intocável. A existência do Rei só tem sentido para servir, e não para ser servido para glória individual, nasce Rei morre Rei, garante do bom funcionamento do Estado, cujo interesses são iguais ao dos cidadãos, glória de Nação, glória de Deus no estado Católico e diferente dos políticos que buscam a própria glória - faz parte da nossa natureza. Está acima de toda a partitocracia corrupta, que apenas busca os seus próprios interesses e não os da nação, imune a qualquer chantagem política, disciplina e fiscaliza os políticos para bem da Nação, condecora ou castiga, corrige ou elogia, sempre acima de qualquer interesse.
Ambas são bons governos, mas considero melhor a Monarquia, devido ao simbolismo que emana desta, que aponta sempre para a imutabilidade da Verdade3 e a sua Transcendência que materializa-se no patriotismo e na fé, à qual somos sempre chamados mesmo quando caímos, mesmo quando o País cai, erguemo-nos e o País ergue-se por saber que Ela permanece transcendente a todos os problemas temporais, e é nesses momentos que os Reis aparecem materializando esta Verdade Universal aos homens. A vocação do Homem transcende este mundo.





1-http://correiodoribatejo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=226%3Asantarem-viu-desfraldar-a-bandeira-verde-e-rubra&Itemid=130

2- O império Romano foi construído pela força, e não pelo direito e vontade dos povos, ao contrário da Cristandade constituída por vários Estados, que tinham na Fé Cristã o primeiro direito.

3- Entenda-se por Verdade, não apenas a Verdade Universal, mas também a verdade particular do País, a verdade da sua história, a verdade da sua cultura, a verdade do seu crer, a verdade dos seu sentir, no fundo a Verdade Universal inesgotável e por isso conhecida e iluminada pela riqueza individual do sujeito Estado. Por exemplo os mitos nacionais que mostram ideias de sentir, de crer, que transformam-se em verdades, porque representam faces mentais da sua história. (Fenomenologia que em termos filósofos não é muito ortodoxa, mas os povos não são filósofos)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Parabéns Brasil

Os Católicos e outros grupos de cristãos Brasileiros, pela intercessão de Nossa Senhora obtiveram da graça de Jesus Cristo, já uma estrondosa vitória nestas eleições ao levarem-nas para a 2º volta.. pois puseram na agenda eleitoral, as questões básicas para que em consciência um Católico possa votar, ou seja, as questões que dizem respeito à sacralidade da vida, e aos valores morais que a defendem! Parece pouco, para a complexidade da política nacional e internacional, mas é de suma importância, pois são estes valores básicos que definem um País, e a influência do evangelho no intelecto dos povos.
Se os Estados infelizmente já não são Católicos, é pela força dos valores da vida num determinado País que podemos ver a quantidade de pessoas que ainda podem beber da fonte da água da Vida, que cada vez torna-se num bem escasso, quando Deus é substituído pelo homem na liturgia..
O voto religioso foi o principal responsável pela 2º volta, ao ponto da Dilma dizer que defende a vida, segundo esta notícia, mas sabemos que não é a vida do feto. Os Brasileiros como Nação Católica deram-nos uma lição de Fé e Esperança, a nós, irmãos Portugueses, que nestes últimos anos vimos a agenda da morte avançar em 1º classe até ao nosso País, sem incómodos de maior, cujo Presidente Católico como o próprio justificou, preferiu o reino temporal e os seus interesses, aos valores fundamentais do reino de Deus que ele professa, sem saber, materializou a imagem cheia de fracturas, da alma católica actual.. coisa que os Brasileiros conseguiram impedir! Segundo o que leio, não foram as elites da CNBB, nem as da Canção Nova que contribuíram para vitória, muito pelo contrário, foram pedras de tropeço. O que é incrível, é que Cristo institui as autoridades Eclesiásticas para iluminar e não para escurecer (o Papa está sozinho), e as ordens com os respectivos dons e vocações, pudessem levar os consagrados a dedicarem-se aos negócios de Deus e não da Terra, coisa que a Canção Nova não fez. Se isto acontece para que servem? Como bom Católico só queria relembrar a todos os religiosos mesmo para os que não crêem, que o pior lugar do inferno está reservado para os Sacerdotes, que ao lado de Judas traem Cristo e a sua Igreja.

Já acabar então queria dar os parabéns a todos os Brasileiros leigos, iluminados não sei se por raros religiosos, ou por muito estudo e dedicação à Santa Igreja Católica, conseguindo consciencializar os Católicos e através desta rede mundial ainda pescar muitas almas!

O vídeo censurado pela Canção Nova - vale a pena ouvir a pregação:



Uma Avé Maria para que Cristo reine no Brasil e em Portugal. Avé Maria cheia de Graça..

Nota: Segundo o mundo a Dilma provavelmente vai ganhar, apesar de ainda ter esperanças que não! Mas a 1º volta foi uma batalha ganha, o que evidencia muitas virtudes e graças no mundo Católico Brasileiro, numa Guerra desde o início decidida pela vitória de Cristo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O triplo cânone da injúria

Já saiu na segunda, mas ainda vai a tempo :D

Por João César das Neves

Há dias a imprensa trazia o título: "Banco do Vaticano sob investigação de 'lavagem de dinheiro'." Quem entende a lógica da perseguição religiosa deve sorrir: começou a segunda fase.

Durante milénios as lutas contra a religião nasciam de razões religiosas. A fé é central na vida e, embora inaceitável, é humano lutar pelo que se acha importante. Isso persiste nos combates entre confissões, como na Índia e Sudão, ou em países que exterminam crenças diferentes da oficial, como Arábia Saudita ou Coreia do Norte. Na nossa sociedade livre, tolerante e secular isto é impossível, mas a perseguição religiosa permanece, revestida de formas mais subtis.

Inicialmente as forças anticlericais justificaram os seus assaltos com acusações de violência. O mito da Igreja sangrenta na Inquisição e Cruzadas foi dominante no século XIX. Mas é ridículo atacar pessoas pacíficas e serenas por histórias de séculos antigos. Não só os católicos actuais não pretendem tribunais ou invasões mas até os velhos casos invocados foram bastante mais complexos e ambíguos que a vulgarização maçónica quis fazer crer. Também as calúnias de a religião ser contra a ciência ou o progresso não pegam.

Afastadas essas desculpas, as arremetidas anticatólicas reduzem- -se ao triplo cânone da injúria, que já vem de Lutero: dinheiro, sexo e poder. É sempre disto que se acusam bispos, padres e fiéis. Omite-se Cristo e os santos, despreza-se a doutrina, ignora-se a vasta e diversa presença na comunidade, esquece-se a espantosa acção social. A atenção limita-se a um punhado de casos, dissecados à exaustão, sempre em questões financeiras, eróticas ou políticas.

A situação é irónica porque a Igreja sempre foi a principal promotora da virtude nesses campos. A "perfeição evangélica" - que todos os católicos devem respeitar, de forma conveniente ao seu estado, e os religiosos consagrados cumprem rigosamente - baseia-se nos votos de pobreza, castidade e obediência. Estes são valores cristãos centrais, que as sociedades pagã e secular sempre criticaram como vícios, cobiçando riquezas, praticando a lascívia, cultivando a rebeldia. Na injúria, o Diabo cita a Escritura sem cumprir.

Mas não serão graves e reais as acusações, como no caso dos padres pedófilos ou agora no Banco do Vaticano? Isso é algo para polícia e tribunais determinarem. Mas os factos concretos têm pouco que ver com a campanha mediática que os acompanha, e que não visa a justiça particular. Estas manobras jornalísticas são clássicas e tradicionais, como nos lembra o centenário da República. E repetem-se em ciclos.

As acusações de pedofilia, tema dos anos 1990 em meados do pontificado de João Paulo II, ressurgem agora sem razão aparente, sempre citando factos antigos onde a morte ou prescrição tornam já impossível fazer justiça. Ninguém nega o horror dos crimes reais e a necessidade de acudir às vítimas e punir os culpados. Mas porquê falar agora? Porquê assim? Porque desaparece tudo debaixo da obsessão pelo tema?

A verdadeira questão é o sucesso do pontificado de Bento XVI. Morto João Paulo II, esperava-se que o Papado caísse numa apatia que dispensaria ataques. Nos primeiros anos as notícias apenas tentavam ridicularizar a figura de Ratzinger. Mas ele começou a marcar pontos. Viagens difíceis - Turquia, EUA, Terra Santa -, encíclicas e livros profundos, decisões sábias e serenas traziam nervosismo aos inimigos. Sobretudo o Ano Sacerdotal exigia uma resposta, e ressurgiu a pedofilia.

O Papa visitou há dias a Grã-Bretanha, viagem cheia de significado histórico, manifestações espantosas, intervenções memoráveis. Os jornalistas devem ter-se sentido ridículos, omitindo tudo excepto as estafadas referências ao escândalo arcaico. Isso mostrou como o tema está a ficar esgotado. Era preciso passar à fase seguinte, e apareceu o caso do Banco, reposição de um enredo dos anos 1980. Se este não pegar, iremos ouvir críticas ao reconhecimento da Santa Sé pela ONU ou ao poder excessivo de cardeais. Começará a terceira fase do cânone da injúria.

domingo, 3 de outubro de 2010

Quem vota em Dilma?

Como podem ver aqui, são os Católicos quem mais votam em Dilma, candidata pelo PT, partido que confunde o assassinato de crianças no útero da mãe, com direitos humanos..
O que leva esses católicos a votar em Dilma?? aqui em Portugal acontece a mesma coisa, nas últimas eleições José Sócrates, defendeu assumidamente o casamento gay, e apesar de mais de 80% da população portuguesa ser católica ganhou! Dificilmente a ignorância pode ser usada como uma desculpa, quando a Igreja é atacada pela elite mundial 'ferozmente' todos os dias, por defender a vida, caluniam-nA como rétrogada nos media que acedemos e vemos também todos os dias.
Nós como membros da Igreja, como pedras vivas do Templo do Senhor, somos a imagem das fissuras, rachaduras, de pedras partidas e colunas frágeis da Igreja actual. Trocámos o Reino de Deus, por um reino temporal, tal como Cerinto, porque não conhecemos os Bens de Deus, não cremos neles, não suportámos a Cruz. Quem vive e age como Católico na vida pública sem que pareça um louco, nem as autoridades da Igreja conseguem agir como Católicos publicamente, e tremem quando o Papa tem a coragem de o fazer. Hoje toda a vida Católica está confinada à vida privada, fomos chutados para dentro das nossas casas e temos medo de sair destas como os Apóstolos antes da efusão do Espírito Santo. Os Católicos votem em partidos cuja doutrina é contrária à da Igreja, porque o Reino de Deus, submeteu-se ao Reino Secular, e por isso já não é prioritário. A secularização das sociedades, cuja vertiginosa velocidade ocorreu depois do Concílio Vaticano II com o contributo dos membros da Igreja, explicam muita destas mudanças de prioridade. Deus submeteu-se a César, na vida pública Deus não entra, é esse o Espírito do Concílio, e a intenção do Demónio, o mais triste é que isto não deveu-se a nenhuma ingenuidade por parte das autoridades da Igreja, eles sabiam muito bem o que queriam. É na vida pública, na pólis, que os homens discutem sobre os princípios, os meios e os fins, tudo o que à vida racional diz respeito, será que Deus pertence ao campo do irracional?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pelos valores da vida

por Luís Botelho Ribeiro

É por minha culpa, por minha grande culpa que o mesmo mundo que, desde o início de Agosto, acompanha com ansiedade a evolução das operações de salvamento da Vida Humana de 33 mineiros chilenos, prossegue indiferente ao abortamento da Vida Humana de 40 a 50 milhões de bebés concebidos em cada ano.

Cada dia que a perfuradora encrava ou retoma a sua actividade... as famílias sobressaltam-se ou recobram esperança. As redacções agitam-se, as televisões fazem directos e o cidadão comum vai seguindo o drama transformado numa novela que cada vez mais, felizmente, se desenha com final feliz para aqueles 33 seres humanos como nós, embora escondidos do nosso olhar directo, lá na sua mina a 700 metros de profundidade . No entanto, durante a mesmíssima paragem da máquina, há outros 120.000 seres humanos como nós que ninguém quer salvar lá do interior da sua pequena "mina".

- Porque razão se nos prende o olhar à televisão quando o telejornal nos mostra imagens daquela mina.. e nos afastamos quando nos mostram a vida humana intra-uterina que estamos a matar?
- Por que razão nos solidarizamos com os mineiros chilenos, mais ou menos jovens, e recusamos abrir o nosso coração a sentimentos de solidariedade para com os mais jovens dos portugueses?
- Por que razão, se preciso fosse, nos quotizaríamos para acelerar aquela perfuradora e antecipar a libertação dos mineiros... mas votámos conscientemente(?) no sentido de que uma parte das nossas quotizações ao estado seja usada para fazer com que 20.000 bebés portugueses jamais vejam a luz do dia?

Por isso reconheço que só pode ser "por minha, por nossa grande culpa", de todos os que nos dizemos pela Vida, que a nossa convicção não é proclamada mais alto à sociedade portuguesa. Só pelo nosso silêncio e passividade ainda se não tornou evidente para todos os portugueses que... se temos um coração humano que também bate pelos outros, temos de afirmar sempre e em qualquer lugar, oportuna e inoportunamente, que nenhum homem tem o direito de parar um coração humano!

A dignidade da Vida Humana não tem prazo de validade inicial ou final. E só quando a respeitarmos nos outros podemos esperar Justiça também para nós. Até lá, a luta continua e continuará sempre, sem medo nem cansaço. A próxima batalha está aí - vamos às presidenciais.

Está escrito que o presidente garante a constituição e também que a constituição garante a inviolabilidade da vida humana. Letra morta que temos hoje a possibilidade de transformar em letra viva! Tal é o compromisso que assumo consigo e em nome do qual peço que nos ajude a reunir 7500 declarações de apoio devidamente assinadas: que o estado português se oriente para a Vida, para a Família, para a Justiça, assumindo de forma consequente, no espírito, na letra e na prática, os valores da solidariedade cristã que, desde a fundação em Guimarães, sempre nos nortearam.

Guimarães, 30 de Setembro de 2010

NB - vd. notícia no jornal «público» de hoje, 30.09.2010, na pág. 14

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Para rir

Não consegui resistir em meter este vídeo, rir faz bem! ainda que o protagonista seja o Ministro das Finanças Suíço no parlamento do seu País, cuja o momento insólito (ver vídeo) mostra-nos que ele não deixa de ser humano como todos nós! Aparentemente ele ri-se ao ler a lei, devido à diligência que esta trata, acerca de um prato tradicional de comida Suíço!
Quando o estado legisla sobre estas coisas, acontece isto xD!

domingo, 26 de setembro de 2010

Que Direito?

O nosso primeiro-ministro José Sócrates encerrou o seu discurso na abertura da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas com esta pérola “O meu país é um país que acredita no primado do direito". Certamente a noção de direito que ele tem, não é a mesma que a minha, mas o primeiro-ministro que legalizou o aborto, o casamento homossexual e é favor da adopção destes, a favor de uma forma de eutanásia, certamente não acredita no primado da vida, pois decapitou em Portugal o direito à vida, nos momentos mais frágeis desta. E o que adianta defender o primado do direito, quando este direito é logo encapotado na sua origem, e já não falo de Deus, causa primeira da vida, mas na negação da primazia da vida humana, e da sua sacralidade, pois nenhum homem a criou.
O direito fundamenta-se e originou-se na história humana, devido à capacidade do homem de conhecê-lo e ter consciência deste, ao contrário de todos os outros animais que inconscientemente o obedecem, por isso jamais homem algum ou sociedade alguma, têm poder ou autoridade sobre o direito natural, sem se auto-destruir e aniquilar-se como hoje acontece. A vida existe antes de qualquer direito humano, e homem algum tem poder ou autoridade sobre Ela, só Deus que a criou.

Nota: Quando falo aqui em Vida, refiro-me principalmente às vidas humanas dentro do útero, que são sempre inocentes, e por isso uma barbaridade matá-los, ou aos suicidas legais, que escolhem acabar com a sua própria vida, como se fossem proprietárias da vida, e esta não tivesse sido dada. Quanto à questão do direito de uma sociedade poder executar alguém culpado segundo as leis positivas alicerçadas sob o direito natural, isso é outra questão mais complexa.