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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Hawking e Deus

Hoje, em diversos jornais, nomeadamente nos seus sites online, vem a notícia «Hawking diz que Deus não criou o universo». Não querendo precipitar o meu juízo do livro, nem das várias citações sem contexto, do novo livro que ainda sequer, não foi lançado, mas que já foram citadas, a meu ver imprudentemente pelos media, Hawking diz:

1 - "Não há lugar para Deus nas teorias da criação do universo."

2 - "A criação espontânea é a única explicação para a existência do universo" afirma Hawking no livro, explicando que o universo não precisou de um deus para ser criado, ao contrário daquilo em que acreditava Sir Isaac Newton, que defendia que o universo não poderia ter nascido apenas do caos."Isto faz parte das coincidências da nossa condição planetária - um único Sol, a feliz combinação na distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - menos notável e muito menos convincente do que a Terra foi cuidadosamente desenhada apenas para agradar aos humanos", argumentou, citando a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbitava uma estrela além do Sol. "Por haver uma lei como a da gravidade, o universo pode e irá criar-se do nada", acrescentou.

3 - "criação espontânea é a razão por que há algo em vez do nada, porque o universo existe por nós existimos. Não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar".

O que tenho a dizer sobre estas citações, sendo apenas um leigo no que diz respeito à ciência, apesar de já ter lido algumas obras, e por coincidência o best seller de Stephen Hawking - Uma breve história do tempo no qual a notícia cita «Em 1988, ano em que saiu o seu best-seller Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking parecia aceitar o papel de Deus na criação do universo: "Se descobrirmos uma teoria completa, esse será o derradeiro triunfo da razão humana - e por isso devemos conhecer a mente de Deus", escreveu na altura.» uma posição diferente da actual aparentemente, pois agora diz que "não há lugar para Deus nas teoria da criação do universo", e o que me deixou um pouco confuso nesta frase, é o uso da palavra criação, que cientificamente está correcta porque o universo não é infinito pois teve um inicio, no qual tempo e espaço foram criados com a matéria no big bang, mas a palavra criação envolve sempre um criador, ou seja os cientistas têm que inventar uma palavra que signifique o mesmo que criação, ou seja, coisas que nascem, mas que não envolvam um sujeito exterior, nem as próprias coisas que nascem, porque ainda não nasceram, a ciência tem que explicar isso melhor, ou já desistiu da observação e experiência, que eu saiba nunca foi observado matéria "criada" sem nenhuma causa, aliás toda a matéria que existe foi criada no momento do Big Bang!
Quanto à segunda frase "A criação espontânea é a única explicação para a existência do universo", a palavra criação já vem junto com a palavra espontânea, agora temos que saber o que significa a palavra espontânea cientificamente. O que dá entender pelo contexto inerente «Deus não existe» é que significa que a matéria nasceu por si própria, mas isso é irracional e ilógico, pois nada que exista, existe por causa de si próprio como a razão e a ciência dizem.. e podem perguntar, então Deus também foi criado? O conceito de Deus nasce como necessário, nessa potencialmente infinita sucessão de causas para que aja existência e aparentemente há (senão não estava aqui a escrever), para melhor entenderem o argumento podem ver esta clarificadora aula, então vocês perguntam, porque a matéria não pode fazer esse papel de Deus que é causa não causada? simplesmente pelo facto de ela ter começado a existir num dado momento, e por isso não infinita, qualidades de Deus que sempre existe eternamente (está fora do tempo) e é infinito pois transcende a matéria e não é inerente a ela, pois tanto espaço e tempo não são absolutos, mas atributos do universo, tal como Einstein pela teoria da relatividade e depois Georges Lemaître Padre Católico, com a teoria do Big Bang que veio a comprovar o que o Catolicismo já cria. Já St. Agostinho dizia que o tempo é uma criatura de Deus!
A seguir Hawking fala das coincidências, as tão famosas coincidências que deram origem ao principio Antrópico, como por exemplo A energia libertada no Big Bang, para que o universo expandir-se de modo ordeiro como o conhecemos, teria que ter uma precisão na ordem dos 10 elevado a 120, ou seja 120 zeros a seguir ao número 10, se a energia fosse uma fracção maior, não se formariam galáxias e dispersaria, se fosse uma fracção menor, consumir-se-ia num gigantesco buraco negro, o que equivaleria há hipótese de atirar uma seta ao acaso para o espaço e ela atravessar todo o cosmo e ir atingir uma alvo com milímetro de diâmetro localizado na galáxia mais próxima. O argumento do acaso, simplesmente não sei o qualificar pois apenas demonstra por parte de quem o usa, que quer que Deus não exista!
A última frase, a "criação espontânea é a razão por que há algo em vez do nada, porque o universo existe por nós existimos. Não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar", acho que ele contradiz a própria ciência, tentando aliar-se à filosofia moderna, a ciência diz que o universo tem à volta de 15 a 13 mil milhões de anos, os homens pelo menos os sapiens apareceram à volta de 200 mil a 150 mil anos, e ele vem dizer que o universo existe porque o homem existe e pensa-o?? Se o universo existe por causa do homem, como é que o homem existe?? Posso ter percebido mal, talvez ele queira dizer que a finalidade da existência do universo é o homem tal como a Religião Católica diz, mas tudo que tem uma intenção ou uma finalidade, é precedido de uma razão e de uma vontade, como Santo Tomás de Aquino explica muito bem, cuja razoabilidade e lógica aparentemente fazem muita falta hoje. Depois diz "não é preciso invocar Deus para causar excitação e pôr o universo a funcionar" então o que significam as leis do universo, acaso o universo é governado pelo acaso.. se sim então porque existe ciência?? foi precisamente porque a sociedade Ocidental acreditou no contrário, em consonância com a fé Católica. ‘Dispusestes tudo com medida, número e peso’ Sabedoria (11,20)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sereis como Deuses? II

Como já tinha escrito, a Gnose e o Panteísmo, são antagónicos, e dialécticos, na medida que cada um leva ao outro, assim torna-se como uma prisão para o Homem! Mas qual a razão do homem, cair então nestes dois ramos de pensamento, que o aprisionam! Antes de qualquer coisa, podemos tentar perceber a predisposição do homem ao aderir a estes dois sistemas, antes de entrámos nas questões filosóficas! Como já disse, quando falei da Gnose, o homem 'odeia' o Mundo, e por meio deste 'odeia' o Criador, esta é a consequência final da Gnose no Homem, mas também de certeza foi o motivo inicial que os Homens tiveram, ao construíram o sistema Gnóstico, e por isso a conclusão é aquela (A Gnose é Dualista, para ela existem dois absolutos, o Bem e o Mal). Mas além disso, aos afirmarem o mal do universo, indicam o caminho para se unirem à divindade boa, libertando-se das prisões que a Divindade má fez para o homem, ou seja, para ele tudo o que é bom é mau, e tudo o que é mau, é bom, assim não libertariam a substancia divina contida no ser humano pela razão, mas sim por experiências irracionais.
No Panteísmo ao contrário da Gnose, está mais em foco a divindade da natureza, a nossa divindade, aqui o homem atiçado pelo o orgulho e soberba e por amor injusto a si mesmo, começou a conceber a natureza como Deus e por consequência nós próprios seríamos Deus.
Sabemos que a cobiça, escureceu a razão de Adão e Eva, assim os defeitos que apontei em cima, predispõem o Homem a aniquilar a sua razão, para ser como Deus, apesar na prática afastar-se mais, como aconteceu com Adão e Eva, e hoje a nossa sociedade comprova. Vimos o que poderá levar o homem a predispor a trancar-se nesta prisão, agora iremos ver o porquê de trancar-se, pois este tenta sempre justificar-se antes e depois de fazer o mal. Assim o principal problema que a razão Humana encontra e talvez o mais importante, e que origina todos estes problemas na harmonização, entre matéria e a consciênçia ou alma, entre o empirismo e idealismo, entre razão e fé, entre moral e felicidade, entre outros muitos problemas deste tipo, dialécticos... é a questão primeira da harmonia entre o universal e o particular, há muito discutida pelos filósofos.
Não que a razão humana seja incapaz de a resolver, no entanto o homem como já vimos obscurece a razão, primeiramente antes, para buscar uma mentira atiçada pela cobiça "Sereis como Deuses", e depois para se justificar do mal que ele fez, no entanto esta questão há muito que foi resolvida!

Artigo retirado do site da Montfort, sobre a Pseudo-Solução do problema dos Universais e as suas consequências, e a sua solução!

O nominalismo
O nominalismo é uma pseudo-solução para o problema dos universais. Segundo Aristóteles: “Há coisas universais e coisas particulares, e denomino universal isso cuja natureza é a de ser afirmada de vários sujeitos, e de particular o que não pode tal, por exemplo, homem é um termo universal, e Cálias um termo singular.”.[27] Ou seja, existem indivíduos e universais, sendo que esses últimos podem ser afirmados de vários indivíduos. Por exemplo: existe o indivíduo Lulu, o cachorrinho de minha vizinha, mas existe também ‘cachorro’, que no meu intelecto é um conceito universal, embora exista em Lulu, em Rex e em qualquer outro cão. É evidente que todos nós utilizamos o tempo todo termos universais e particulares. Todavia, passando um pouco além dessa evidência, surge uma dificuldade. Como afirmam Aristóteles e os tomistas: tudo que é real é individual. Portanto, o universal pelo seu carácter de generalidade não parece corresponder a nada de real. Neste sentido é que surge a famosa pergunta feita por Porfírio no Isagogo: os universais são realidades em si mesmas, ou apenas simples concepções do intelecto? Simplificando: quando dizemos ‘homem’ (universal), isso que dissemos existe realmente ou apenas no meu pensamento?
A – Solução
Para compreendermos melhor o nominalismo e suas consequências, é importante expormos rapidamente a solução da dificuldade apresentada acima.
A resposta a essa questão de Porfírio não poderia ser mais evidente. O que dissemos (‘homem’) existe realmente, porém, individualizado. Como explica Joseph Kleutgen S.J: “L’universel est défini par Aristote, et avec raison, tantôt comme l’un qui peut être énoncé de beaucoup, tantôt comme l’un qui peut exister en beaucoup d’individus. (...) Dans la première definition, Aristote parle, par conséquent, de l’universel logique, tandis que, dans la seconde, il a en vue l’universel métaphysique. Or il est évident que, d’après cette définition, l’universel n’existe pas seulemnt dans nos représentations, mais encore dans les choses.”.[28][O universal é definido por Aristóteles, e com razão, tanto como algo que pode ser enunciado de muitos, como algo que pode existir em muitos indivíduos. (...) Na primeira definição, Aristóteles fala, por consequência, do universal lógico, ao passo que na segunda, ele tem em vista o universal metafísico. Ora, é evidente que, segundo esta definição, o universal não existe somente nas nossas representações, mas também nas coisas]. Portanto, o universal ‘homem’ que existe em nosso intelecto, é o mesmo que existe em Pedro, José ou Francisco. Contudo, em Pedro ele existe com as determinações particulares de Pedro, as quais o individualizam.
Esse fato torna-se mais evidente quando consideramos a verdade de nossas afirmações. Uma proposição é verdadeira quando diz o que a coisa é. Por exemplo, pego algo e digo: isto é um lápis. A minha afirmação é verdadeira, obviamente, se o objecto que estou segurando for realmente um lápis. Se digo ‘isto é um lápis.’, enquanto considero uma galinha que seguro entre as mãos, certamente estou louco ou mentindo. E não adianta tentar escrever com a galinha ou almoçar o lápis, pois isso só confirmaria minha loucura. Para que eu não passe por lunático ou por mentiroso, devo saber que, quando afirmo ‘é’, expresso uma identidade; aquilo que existe em meu intelecto de modo imaterial (universal) é o que está individualizado pela matéria no objecto. Por exemplo, consideremos o termo universal ‘homem’. Se afirmo ‘Pedro é homem.’, indico que fora de mim existe ‘homem’. Isso é evidente. Se negássemos essa evidência, e disséssemos que esse universal (‘homem’) não existe realmente em Pedro, nossa primeira afirmação seria mentirosa ou louca, visto que atribuímos existência a algo que só existiria em nosso intelecto. Desse modo, nós jamais poderíamos dizer ‘é’, chegando assim à negação do conhecimento humano. Ora, como podemos perceber, isso é um absurdo. É preciso deixar claro que quando digo ‘é’, indico algo real, existente em acto. Logo, os universais existem no intelecto e nas coisas; no intelecto existem sem as determinações particulares da matéria, nas coisas são individualizados por elas.
B – Pseudo-solução nominalista
Para os nominalistas, entretanto, o universal não passa de um nome. Os universais seriam apenas termos inventados pelo nosso intelecto para abarcar um grupo de indivíduos. Para Guilherme de Ockham, o pai do nominalismo moderno: “... o único real é o particular, ou, as únicas substâncias são as coisas individuais e suas propriedades. O universal existe na alma do sujeito cognoscitivo, e somente nela. Teremos de nos perguntar em que medida podemos atribuir-lhe uma existência no pensamento, mas deve-se colocar, de fato, que não há nenhuma espécie de existência fora do pensamento: omnis res positiva extra animam eo ipso est singularis.”[29] Poderíamos afirmar que as “ideias gerais são palavras arbitrariamente escolhidas para designar as coisas”[30], mas não passam disso.
Certamente, a muitos parecerá que tais questões filosóficas, muito abstractas e difíceis, têm pouca importância para nossa vida prática. Ledo engano. Os princípios que surgem desses problemas são os fundamentos de uma visão de mundo. Ora, mudando-se a visão de mundo dos homens, muda-se também a vida dos homens.
C – As Consequências
O nominalismo pode nos levar a consequências bem graves. Tomemos, para facilitar a explicação, um princípio qualquer das ciências naturais. Por exemplo: todo corpo tende a permanecer parado ou em movimento a não ser que receba alguma força. Este é – simplificando – o famoso princípio da inércia de Isaac Newton. Consideremos essa afirmação. Notemos, por exemplo, os termos ‘corpo’ e ‘força’. Evidentemente, estes são termos universais. Sendo assim, uma questão se impõe: se eles só existem no intelecto e não na realidade, como esse princípio poderia ser uma explicação do mundo? Ele versaria apenas sobre ideias criadas pelo sujeito e não sobre as coisas do mundo.
Com efeito, para Ockham e os nominalistas, “os géneros e espécies não são nada fora do pensamento.”.[31] Ora, se não há na realidade algo que é comum a diversos indivíduos, ou seja, o universal, os temos universais não corresponderiam a nada real. O homem permaneceria preso em sua subjectividade e não conheceria o mundo.
Podemos notar, deste modo, que o nominalismo nos abre um caminho lógico tanto para o subjectivismo quanto para o idealismo. É verdade que Ockham afirmava a existência dos indivíduos externos ao ‘eu’, declarando, entretanto, que a “única realidade que corresponde aos universais é, pois, a dos indivíduos.”.[32] Sendo assim, Ockham defende a existência de indivíduos, mas identificando-os com os universais. Eis aí um dos grandes equívocos do nominalismo. Para Ockham, então, nosso intelecto teria a função de relacionar as imagens dos indivíduos percebidos pelos sentidos, ou melhor, os objectos de nossa inteligência não seriam os universais, mas os particulares. Ora, isso é confundir percepção sensível e imaginação – coisas puramente materiais –com conhecimento intelectual![33] Deste modo, vemos como o nominalismo também pode levar ao materialismo, negado a espiritualidade da alma e fazendo do homem um ser puramente material. Exactamente por isso, ao estudar o nominalismo chega-se à conclusão de que essa “théorie sur l’origine des idées ressemble beaucoup au matérialisme des philosophes grecs.” [essa teoria a respeito da origem das idéias se assemelha muito ao materialismo dos filósofos gregos].[34]
Poderíamos, assim, identificar algumas consequências mais imediatas do nominalismo:
A) As ideias, isto é, os universais, seriam invenções do intelecto (subjectivismo).
B) O idealismo.
C) O materialismo. [35]
D) O cepticismo.
É certo que o idealismo, negando o conhecimento do mundo, já poderia ser tomado por pai do ceticismo. Contudo, embora o nominalismo conduza logicamente ao idealismo, não é uma afirmação explicita do mesmo, sendo também susceptível de um desenvolvimento materialista. Todavia, como o que nos interessa nesse artigo são os fundamentos do iluminismo, que é tido como racionalista, cientificista e materialista, importa-nos saber como o materialismo leva ao cepticismo.
Para compreendermos bem como o materialismo leva ao cepticismo, é importante que saibamos o que é o conhecimento científico. Podemos definir ciência como: “o conhecimento certo das coisas pelas suas causas.”[36] Vejamos um caso concreto. Vendo um corpo que em um determinado momento estava em repouso e depois se encontra em movimento, posso concluir que ele recebeu uma força para executar esse movimento, pois do contrário ele permaneceria imóvel. Portanto, posso afirmar que o movimento ocorre por causa de uma força e isso não poderia ser de outra maneira, sendo necessário que esse corpo para se mover tenha recebido uma força. Quando eu raciocino dessa forma, conhecendo e explicando o movimento pela sua causa e verificando a necessidade desse fato, eu conheço cientificamente o movimento. Eu conheço, como Newton, a lei da inércia. Essa lei serve para todo corpo, independente de eu ter contacto experimental ou não com ele; basta ser corpo para estar submetido a essa lei.
Agora vejamos. Todo meu raciocínio, toda minha explicação e mesmo a própria definição da lei física em questão, são formados por universais (‘corpo’, ‘força’, ‘movimento’ etc.). Ora, como para os nominalistas os universais são apenas sinais que fazem, no discurso, às vezes dos indivíduos que percebemos pelos sentidos, essa relação universal de causa e efeito, que estabeleço na lei física, não existe realmente. Essa relação foi perceptível sensivelmente nas experiências que tive, mas só nelas, pois eu só percebo indivíduos, e por isso não posso nunca afirmar que o que aconteceu nessa experiência acontecerá com outros indivíduos. Como estes indivíduos não possuem natureza comum, ou seja, como não há universal existente no indivíduo, a relação de causa e efeito é uma verificação experimental, mas, cessada a experiência, essa relação não pode ser atribuída a outros indivíduos.[37]
Como nos lembra Gilson, analisando a doutrina de Nicolau de Autrecourt, discípulo de Ockham: “Uma vez terminada a constatação experimental, resta a simples probabilidade de que os mesmos efeitos se reproduzirão se as mesmas condições forem de novo dadas.”.[38] Para Nicolau: “A proposição ‘aproximo o fogo da palha e não há nenhum obstáculo, logo a palha pegará fogo’, não é evidente: é apenas uma probabilidade baseada na experiência.”.[39] A ciência, portanto, apresenta-se como uma mera descrição e enumeração de eventos individuais particulares, mas não como conhecimento das coisas pelas causas.
É certo, portanto, que essa confusão nominalista entre sensibilidade e conhecimento intelectual, negando o conhecimento intelectual e reduzindo o homem a um simples animal provido apenas de experiência sensível, conduz ao materialismo e ao cepticismo.
Alguém, diante de nossa exposição tão sucinta e esquemática, poderia ter dificuldade para compreender como um mesmo princípio poderia levar a doutrinas opostas como idealismo e materialismo. Erwin Panofsky, analisando essa questão, faz um comentário que poderia ajudar-nos na compreensão do problema. Segundo ele:

“manifesta-se aí novamente o eterno problema do empirismo: já que a qualidade do ‘real’ só se aplica ao âmbito do que pode ser apreendido pelas notitia intuitiva, isto é, às coisas individuais directamente percebidas pelos sentidos e aos estados e processos psíquicos específicos (alegria, tristeza, querer, etc.), que se conhece pela experiência interior, então tudo o que é real, a saber, o mundo dos objectos físicos e o mundo dos objectos psíquicos, jamais poderá ser racional, ao passo que tudo o que é racional, a saber, os conceitos que se extraem desses dois âmbitos, através da notitia abstractiva, jamais poderá ser real. É por isso que todas as questões metafísicas e teológicas – inclusive a existência de Deus, a imortalidade da alma e, pelo menos em um caso (Nicolau de Autrecourt), mesmo o problema de causalidade – só podem ser discutidas com base no conceito de probabilidade.”.[40]
O nominalismo estabelece uma separação absurda entre o ‘eu’ com suas ideias e o mundo externo dos indivíduos. Diante de tal problema, diferentes pessoas, de caracteres diferentes e graus de compreensões distintos, poderiam optar pelo mundo do ‘eu’ ou pelo mundo dos indivíduos. Num caso seria idealista, no outro materialista. Mas em ambos casos seria céptica.


http://montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=iluminismo&lang=bra

Assim como vimos, neste artigo a pseudo solução dos universais, o Nominalismo tanto leva ao Idealismo como ao Empirismo, tanto o idealismo pode representar a Gnose, pois ambos negam a realidade e por isso acabam por ser irracionais. E por outro lado o Empirismo representa o Panteísmo ao virar-se para natureza negando o universal submete o ser à razão e por isso racionalista, mas as duas incapazes de satisfazer o homem, e por isso também são dialécticas, pois um empirista ao negar a capacidade do homem de conhecer o universal, apenas o particular, impossibilitando o conhecimento do mundo como está explicado no artigo em cima, o homem vira-se para o seu 'Eu', para o seu mundo que acaba por transformar-se numa realidade subjectiva pois separada do particular, e por este próprio motivo um idealista afasta-se da realidade podendo voltar outra vez para o empirismo, e assim dialecticamente o homem fica prisioneiro. O idealismo não corresponde à realidade, o Empirismo aniquila a verdade submetendo a realidade da existência do mundo à razão, e assim destroem toda a harmonia do mundo, a harmonia do homem, ao separar a razão da realidade, por isso, como diz o artigo são ambas cépticas!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Criação segundo a Ciênçia II

Será que o universo é fruto do acaso, talvez o leitor ache interessante uma afirmação feita por um cientista da NASA, altamente qualificado nesses assuntos. É muito mais provável — dizia este professor — que uma lagartixa, um camundongo e um pardal façam por acaso (só passeando, arrastando e deixando à toa pedacinhos de metal, areia, etc.) um computador de última geração, do que o pretenso surgimento do universo — desde as galáxias até às borboletas — sem que tenha havido como causa de tudo uma Inteligência suprema, criadora, ordenadora e providente, ou seja, sem Deus.(a)

Este texto que se segue foi retirado do livro "Fórmula de Deus", escrito por José Rodrigues dos Santos, que aconselho a comprar, pois o escritor tem o mérito de explicar a um leigo, as teorias da física mais avançadas.

Boa Leitura!

1-A energia libertada no Big Bang, para que o universo expandir-se de modo ordeiro como o conhecemos, teria que ter uma precisão na ordem dos 10 elevado a 120, ou seja 120 zeros a seguir ao número 10, se a energia fosse uma fracção maior, não se formariam galáxias e dispersaria, se fosse uma fracção menor, consumir-se-ia num gigantesco buraco negro, o que equivaleria há hipótese de atirar uma seta ao acaso para o espaço e ela atravessar todo o cosmo e ir atingir uma alvo com milímetro de diâmetro localizado na galáxia mais próxima.

2-Quando ocorreu a grande expansão criadora não havia matéria. A temperatura era imensamente elevada, tão elevada que nem os átomos se conseguiam formar. O universo era então uma sopa escaldante de partículas e antipartículas, criadas a partir de energia e sempre a aniquilarem-se umas às outras. Essas partículas, os quarks e os antiquarks, são idênticas umas às outras, mas com cargas opostas, e, quando se tocam, explodem e voltam a ser energia. À medida que o universo se ia expandindo, a temperatura ia baixando, e os quarks e antiquarks foram formando partículas maiores, chamadas hadrões, mas sempre a aniquilarem-se umas às outras, Criou-se assim a matéria e antimatéria. Como as quantidades eram iguais e ambas se aniquilavam mutuamente, o universo apresentava-se constituído por energia e partículas de existência efémera e não havia hipótese de se formar matéria duradoura.
O que se passou, no entanto, foi que, por uma razão misteriosa, a matéria começou a ser produzida numa quantidade minusculamente maior do que a antimatéria. Para cada dez mil milhões de antipartículas, produziam-se dez mil milhões e umas partículas.
10000000000 Antipartículas
10000000001 Partículas
Isto é por dez mil milhões de partículas eram destruídas por dez mil milhões de antipartículas, mas sobrava sempre uma que não era destruída, juntando-se a outras sobreviventes nas mesmas circunstâncias, formou a matéria. Mais um acaso extraordinário.

3-Outra questão onde o universo requer uma incrível afinação é a sua homogeneidade. A distribuição da densidade da matéria é muito homogénea, mas não é totalmente homogénea. Quando ocorreu o Big Bang, as diferenças de densidade eram incrivelmente pequenas e foram sendo amplificadas ao longo do tempo pela instabilidade gravitacional da matéria. Outro golpe de sorte. O grau de não uniformidade é extraordinariamente pequeno, na ordem de um para cem mil, exactamente o valor necessário para permitir a estruturação do universo. Nem mais, nem menos. Se fosse marginalmente maior, as galáxias depressa se transformariam em densos aglomerados e formavam-se buracos negros antes de estarem reunidas às condições para a vida. Por outro lado de não uniformidade fosse marginalmente mais pequeno, a densidade da matéria seria demasiada fraca e as estrelas não se formariam.

4-A própria existência das estrelas com uma estrutura semelhante à do Sol, adequada à vida resulta de um novo golpe de sorte… Repare, a estrutura de uma estrela depende de um equilíbrio delicado no seu interior. Se a irradiação de calor for demasiado fraca, a estrela transforma-se numa gigante azul e se for demasiado fraca a estrela torna-se uma anã vermelha. Uma é excessivamente quente e outra excessivamente fria e ambas provavelmente não têm planetas. Mas a maior parte das estrelas, incluindo o Sol, situa-se entre estes dois extremos, e o que é extraordinário é que os valores para além destes são altamente prováveis, mas não ocorreram. Em vez disso, a relação das forças e a relação das massas das partículas dispõem de um valor tal que parecem ter conspirado para que a generalidade das estrelas se situe no estreito espaço entre os dois extremos, assim a possibilitando a existência e predominância de estrelas como o Sol. Altere-se marginalmente o valor da gravidade, da força electromagnética ou da relação de massas entre o electrão e o protão e nada do que vemos no universo se torna possível.

5-Duas constantes da natureza, justamente a proporção das massas dos electrões e protões, designada constantes Beta, e a força de interacção electromagnética, designada constante da estrutura fina, ou Alfa, alterando os valores, e calculando as consequências de tal alteração. Faça-se um pequeno aumento do Beta que determina as posições bem definidas e estáveis dos núcleos dos átomos e que obriga os electrões a moverem-se em posições bem precisas em torno desses núcleos. Se o valor do Beta for marginalmente diferente, os electrões começam a agitar-se de mais impossibilitam a realização de processos muito precisos, como a reprodução do ADN, Por outro lado, é o actual valor de Beta que, em ligação com Alfa, torna o centro das estrelas suficientemente quentes para gerarem reacções nucleares. Se Beta exceder em 0,005 o valor do quadrado de Alfa, não haverá estrelas. Sem estrelas, não há Sol, sem Sol, não há Terra nem vida. E se o Alfa aumentar em apenas quatro por cento, o carbono não poderá ser produzido nas estrelas. E se aumentar apenas 0,1 não haverá fusão nas estrelas. Sem carbono nem fusão estelar, não haverá vida. Ou seja, para que o universo possa gerar vida, é necessário que o valor da constante da estrutura fina seja exactamente o que é. Nem mais, nem menos.
Também a força Nuclear forte, aquela que provoca as fusões nucleares nas estrelas e nas bombas de hidrogénio, descobriu-se que ao aumentar a força forte em apenas quatro por cento, isso faria com que, nas fases iniciais após o Big Bang, todo o hidrogénio do universo se queimasse rápido de mais, convertendo-se em hélio 2. Isso seria um desastre, porque significaria que as estrelas esgotariam depressa o seu combustível e algumas se transformariam em buracos negros antes de existirem condições para a criação da vida. Por outro lado, se reduzisse a força forte em dez por cento, isso afectaria o núcleo dos átomos de um modo tal que impediria a formação de elementos mais pesados, um dos quais é o carbono, não há vida, … ou seja o valor da força forte dispõe de apenas um pequenos intervalo para criar as condições para a vida e, como que por providencial milagre é justamente nesse estritíssimo intervalo que a força forte se situa.
Aliás, a conversão de hidrogénio em hélio, crucial para a vida, é um processo que requer absoluta afinação. A transformação tem de obedecer a uma taxa exacta de sete milésimos da sua massa para energia. Se baixar uma fracção, a transformação não ocorre e o universo só tem hidrogénio. Se aumentar uma fracção, o hidrogénio esgota-se rapidamente em todo o universo.
0,006% - Só hidrogénio
0,008% – hidrogénio esgotado
Ou seja, para que exista a vida é necessário que a taxa de conversão do hidrogénio em hélio se situe exactamente neste intervalo. E olhe a coincidência situa-se mesmo!

6-Agora repare no carbono. Por diversas razões, e o carbono é o elemento no qual assenta a vida. Sem carbono, a vida complexa espontânea não é possível, uma vez que só este elemento dispõe de flexibilidade para formar as longas e complexas cadeias necessárias para os processos vitais. Nenhum outro elemento é capaz de o fazer. O problema é que a formação do carbono só é possível devido a um conjunto de circunstâncias extraordinárias…. Para formar o carbono, é preciso que o berílio radioactivo absorva um núcleo de hélio, parece simples. O problema é que o tempo de vida do berílio radioactivo se limita a uma insignificante fracção de segundo. 0,0000000000000001 segundos
E, no entanto, é justamente neste período incrivelmente curto que o núcleo do berílio radioactivo tem de localizar, colidir e absorver um núcleo de hélio, criando assim o carbono. A única forma de isto ser possível num instante tão efémero é o das energias destes núcleos serem exactamente iguais no momento em que colidem. E nova surpresa, são mesmo iguais! …. Se houvesse uma discrepância ligeiríssima, mínima que fosse, não se poderia formar carbono. Graças a um brutal golpe de sorte, a energia dos constituintes nucleares das estrelas situa-se exactamente no ponto adequado, permitindo a fusão.

7-Outro golpe de sorte, é que o tempo de colisão do hélio é ainda mais efémero do que o curtíssimo tempo de vida do berílio radioactivo, e isso permite a reacção nuclear que produz o carbono. Para além do mais, há o problema do carbono sobreviver à subsequente actividade nuclear dentro da estrela, o que só é possível em condições muito especiais. E, veja só! Graças a uma nova e extraordinária coincidência, essas condições reuniram-se e o carbono não se transforma em oxigénio.

8-A incrível afinação requerida nas diversas forças, na temperatura do universo primordial, na sua taxa de expansão, mas também as extraordinárias coincidências necessárias no nosso próprio planeta. Por exemplo, o problema da inclinação do eixo de um planeta. Devido às ressonâncias entre a rotação dos planetas e o conjunto dos corpos do sistema solar, a Terra deveria ter uma evolução caótica na inclinação do seu eixo de rotação, o que, como é óbvio, impediria a existência de vida. Um hemisfério poderia passar seis meses a tostar ao Sol, sem nenhuma noite, e outros seis meses a gelar à luz das estrelas. Mas o nosso planeta teve uma sorte inacreditável! … O aparecimento da Lua. A Lua é um objecto tão grande que os seus efeitos gravitacionais moderaram o ângulo de inclinação do nosso planeta, assim viabilizando a vida….
Sabe, todos os pormenores parecem conspirar para viabilizar a vida na Terra. Olhe, o facto de a Terra possuir níquel e ferro magnético imprescindível para defender a atmosfera das letais partículas emitidas pelo Sol. Isso é uma sorte. Outra extraordinária coincidência é o facto de o carbono ser o elemento sólido mais abundante no espaço térmico em que a água é líquida. A própria órbita da Terra é crucial. Cinco por cento mais próxima do Sol ou quinze por cento mais afastada bastaria para impossibilitar o desenvolvimento de formas complexas de vida.

Isto quer dizer que não foi apenas a vida que se adoptou ao universo. O próprio universo preparou-se para a vida. De certo modo, é como se o universo sempre soubesse que nós vínhamos aí. A nossa mera existência parece depender de uma extraordinária e misteriosa cadeia de coincidências e improbabilidades. As propriedades do universo, tal como estão configuradas, são requisitos imprescindíveis para a existência de vida. Essas propriedades poderiam ser infinitamente sem vida. Para haver vida, um grande número de parâmetros teria de estar afinado para um valor muito específico e rigoroso. E o que descobrimos nós? Essa afinação existe. … Chama-se a isto Princípio Antrópico. Princípio Antrópico significa que o universo está concebido de propósito para criar vida.

Einstein disse, e passo a citar: o que realmente me interessa é saber se Deus poderia ter feito o mundo de uma maneira diferente, ou seja, se a necessidade de simplicidade lógica deixa alguma liberdade? Não, Deus não poderia ter feito o mundo de maneira diferente.

(a)http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/6898/Artigo-do-Padre-Francisco-Faus-A-fabulosa-fe-dos-ateus

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Criação segundo a Ciênçia

Este texto foi retirado do livro "Fórmula de Deus" Nota Final, escrito por José Rodrigues dos Santos, que aconselho a comprar, pois o escritor tem o mérito de explicar a um leigo, as teorias da física mais avançadas.

Boa Leitura!

Quando o astrofísico Brandon CArter proprôs, em 1973, o Príncipio Antrópico, parte da comunidade científica mergulhou num intenso debate sobre a posição da humanidade no universo e o significado último da sua existênçia Pois se o universo está afinado para nos criar, será que temos um papel a desempenhar no universo? Quem concebeu esse papel? E já agora, que papel será esse?
Foi com Copérnico que os cientistas passaram a acreditar que a existênçia dos seres Humanos é irrevelante para o cosmos em geral, uma ideia que tem dominado o pensamento científico desde então. Mas na década de 1930, Arthur Eddington e Paul Dirac notaram inesperadas coincidênçias envolvendo um número de enorme magnitude que começou a aparecer nos mais variados contextos da cosmologia e da física quântica, o estranho 10 elevado a 40.
A revelação de novas coincidênçias foi-se acumulando com o tempo. Descobriu-sse que as constantes da natureza requeriam valores incrivelmente rigorosos para que o universo fosse como é, e percebeu-se que a expansão do universo tinha de ser controlada atá à mais ínfima ordem de grandeza para produzir o misterios equílibrio que possibilita a nossa existênçia. As descobertas foram-se multiplicando. Compreendeu-se que as estruturas essencias à vida, como o aparecimento de estrelas parecidas com o Sol ou o processo de produção de carbono, dependiam de uma espantosamente improvável sequênçia de acidentes consecutivos.
Que significado têm estas descobertas? A primeira constatação é que o universo foi concebido com a afinação adequada para, no mínimo gerar vida. Mas esta conclusão suscita inevitavelmente um problema filosófico de suprema magnitude - a questão da intencionaldidade da criação do universo.
Para contrairar a conclusão óbvia que se pode extrair destas descobertas, muitos cientistas defendem que o nosso universo é apenas um entre milhares de milhões de universos, cada um com valores diferentes nas suas constantes, o que significa que estarão quase desprovidos de vida. Assim sendo, é apenas uma coincidênçia que o nosso universo esteja afinado para produzir vida - a esmagadora maioria de universos nao tem vida. O problema desta argumentação é que ela é baseada em nenhuma observação ou descoberta. Nunca ninguém vislumbrou os menores traços da existênçia de outros universos nem remotos vestígios de diferentes valores das constantes da natureza. Ou seja, a hipótese dos multiuniversos assenta justamente naquilo que a ciênçia mais critica no pensamento não científico - a fé.

“Fizeste a lua para marcar os tempos e o sol para saber a hora de se pôr”. “Como são numerosas, Senhor, tuas obras! Tudo fizeste com sabedoria, a terra está cheia, das tuas criaturas” (Sl 104,19.24).