quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Cardeal Ratzinger e o Concílio Vaticano II
Cardeal Ratzinger: Conheceis porventura a anedota de que se conta acerca de Gregório de Nazianzo, Bispo e Padre da Igreja. Convidado pelo imperador a tomar parte no Concílio de Constantinopla, respondeu-lhe numa carta - Nunca mais participarei num Concílio, porque aí vi apenas lutas, hostilidades e conflitos intermináveis. Os Concílios servem para piorar as coisas - esta foi a foi a experiência conciliar de Gregório no século IV e, do ponto de vista da perspectiva histórica de curto raio, temos de lhe dar razão. Todavia, numa visão mais ampla, é justo dizer que aqueles Concílios tiveram uma importância fundamental e favoreceram positivamente a obra de clarificação desenvolvida pela Igreja perante a sua fé. Mas, no tocante àquela carta - que Lutero citará com predilecção, exprimindo assim também a sua própria desilusão frente ao Concílio - pois bem, ela atesta que um Concílio representa sempre uma dura intervenção no organismo da Igreja, algo qe eu comparo a uma perigosa operação cirúrgica, no sentido de que, por vezes, a intervenção drástica é efectivamente necessária para a saúde de um organismo. Mas, justamente, importa ter também presente que qualquer intervenção cirúrgica comporta, antes de mais, debilidade e complicações, e não equivale necessariamente à cura.
Em suma, constatamos - e ninguém pode seriamente negá-lo no plano empírico - que o Concílio Vaticano II comportou uma enorme perturbação na Igreja Católica e também em toda a Cristandade (A Igreja acolheu no seu seio o modernismo humanista que endeusa o homem, o liberalismo dos Estados laicos, o protestantismo ecuménico). Pessoalmente afirmo que, enquanto este mal-estar não for de todo ultrapassado, uma outra intervenção desta natureza traria actualmente mais sofrimento do que uma melhoria. Considero, pelo contrário, necessário incrementar os mecanismos de consulta e de encontro; o sínodo dos bispos é apenas um deles. Creio que as formas de confronto menos centralizadas e menos espectaculares são as mais fecundas, porque permitem um debate mais aprofundado (é o que aparentemente acontece hoje no pontificado de Bento XVI, com o diálogo silencioso com a FSSPX, mas muito importante para a barca de Pedro), recebem menos pressões do exterior e podem, inclusive, levar a processos de maturação mais ponderados. Na minha opinião, deveriam, hoje, buscar-se modelos mais amplos de participação do episcopado mundial, capazes de garantir, por seu turno, a ligação entre as diferentes realidades regionais. Realizar-se-ia assim, a longo prazo, algo como um Concílio ecuménico, mas que teria a vantagem de uma lenta maturação e da consciência histórica.
Em o Cristianismo para lá da tradição do Livro: Existe Deus? Um confronto sobre verdade, fé e ateísmo - edição Pedra Angular
Nota: O negrito fui eu que pus. E o que está entre parêntesis são comentários meus!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Os Papas e as esquerdas
I. Tal como afirma o director do i, Bento XVI é mais interessante do que João Paulo II . João Paulo II é, com certeza, uma figura central do século XX. Karel Wojtyla foi uma peça fundamental no derrube do totalitarismo comunista. Mas, vamos lá contextualizar, João Paulo II não estava sozinho no combate à esquerda totalitária. Em grande medida, o Papa-que-fazia-os-800-metros-barreiras-na-boa tinha todos os políticos do Ocidente ao seu lado. A divisão Oeste - Leste era política e estratégica, logo, isso facilitava as coisas para o Vaticano.
II. Ora, o combate de Bento XVI não é político, mas sim intelectual e moral. Bento XVI não está a lutar contra a velha esquerda comunista, mas sim contra o relativismo moral e cultural da esquerda caviar. Este é um combate mais difícil, porque não existe um "inimigo" claro do "outro lado". É um combate puramente intelectual e moral. Era "fácil" atacar a esquerda comunista do outro lado do muro. Não é fácil atacar a esquerda caviar que é a própria essência da Europa Ocidental.
III. João Paulo II era odiado pela extrema-esquerda, aquela coisa que não perdoa a história pela queda do muro de Berlim. Mas Bento XVI é odiado por toda a esquerda europeia, porque este Papa está empenhado na luta contra a essência "progressista" de hoje: o relativismo moral e cultural, a consagração do espírito derrotista e anti-ocidental, a imposição de um vácuo histórico e religioso (vulgo: o politicamente correcto) . O combate de João Paulo II pertence ao passado, e está decidido: o comunismo perdeu para sempre. O combate de Bento XVI é actual, e não está decidido. Mais uma razão para considerar Bento XVI, o intelectual poderoso, mais interessante do que João Paulo II, o político atlético.
Retirado: http://clix.expresso.pt/atempoeadesmodo
sexta-feira, 23 de abril de 2010
A Igreja e a Pedofilia
Esta entrevista foi dada ao expresso, mas não foi publicada, por isso é nosso dever divulga-la!
Retirado do Blog: Tribuna
Entrevista concedida ao jornal Expresso para efeitos de elaboração de um artigo sobre o tema:
1. Qual a sua opinião sobre o fenómeno da pedofilia na Igreja Católica?
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada: Como é evidente, não posso deixar de lamentar todos os crimes de abusos de menores. Não só lamento sinceramente todos os casos de pedofilia como espero que as entidades civis e eclesiais competentes tomem as medidas adequadas para a total erradicação deste fenómeno na sociedade e na Igreja.
Não ignoro, contudo, que a esmagadora maioria destes casos ocorre no seio das famílias, sobretudo das mais disfuncionais, e das instituições do Estado, como o triste caso Casa Pia demonstrou, e não nas instituições da Igreja que, embora também vulneráveis, são, por regra, exemplares no seu desinteressado e muitas vezes heróico serviço aos mais necessitados.
2. Como explica o facto deste fenómeno ter assolado a Igreja Católica?
Pe. GPA: Há um manifesto exagero na afirmação de que este fenómeno tem «assolado a Igreja». Temo que o sensacionalismo criado à volta destes casos e o modo como a Igreja Católica tem sido a eles associada por certa imprensa não seja de todo inocente.
3. Quer exemplificar?
Pe. GPA: Com certeza. Segundo Massimo Introvigne, que cita um estudo de 2004 do John Jay College of Criminal Justice, foram 958 os padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos, num período de 42 anos, tendo resultado a condenação de 54, aproximadamente um por ano. Se se tiver em conta que nesse mesmo lapso de tempo foram condenados pelo crime de pedofilia 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos, é necessário concluir que o principal alvo desta campanha mediática não é a pedofilia, que é apenas um pretexto, mas a Igreja e, mais especificamente, o Papa e o sacerdócio católico.
Com efeito, é significativo que, citando Jerkins, a maior parte dos casos de abusos de menores protagonizados nos Estados Unidos por clérigos tenham sido perpetrados por pastores protestantes e não por padres católicos e, no entanto, contrariando a mais elementar justiça e objectividade, são apenas estes últimos, em termos mediáticos, os bodes expiatórios...
4. Entende então que se trata de uma perseguição contra a Igreja Católica?
Pe. GPA: Certamente. Qualquer pessoa de bem, mesmo não sendo católica, vê com preocupação esta crescente onda de intolerância laicista, porque sabe que, hostilizada a Igreja Católica ou neutralizada a sua acção social, quem fica a perder é a família, porque nem o Estado nem nenhuma outra instituição é capaz de assegurar o serviço que a Igreja Católica presta às famílias portuguesas, sobretudo às mais carenciadas.
5. A Igreja portuguesa está a investigar com a necessária diligência as suspeitas sobre padres pedófilos?
Pe. GPA: Muito embora a hierarquia eclesiástica não possa, nem deva, ignorar as suspeitas de padres pedófilos, não só não é sua principal missão investigar estes casos como também não conta com estruturas adequadas para uma tal missão.
Mais do que a lógica da suspeita e da delação, tão ao gosto dos novos fariseus, a Igreja há dois mil anos que se rege pela lógica da confiança e do perdão, seguindo o exemplo do seu Mestre que, embora provocando a indignação dos hipócritas, desculpou a adúltera, como também perdoou a tripla traição de Pedro. Mais do que poder ou tribunal, a Igreja é comunhão e família e, por isso, alegra-se e sofre com todas as glórias e misérias dos seus filhos.
A Igreja, que é santa na sua origem e nos seus fins, é pecadora nos seus membros militantes que, contudo, não enjeita, se neles reconhece um autêntico propósito de conversão.
6. Quer com isso dizer que a Igreja condescende com a pedofilia do seu clero?
Pe. GPA: De modo nenhum, pois a Igreja não condescende nunca com a prevaricação de quantos, investidos na especialíssima responsabilidade do ministério sacerdotal, desonram essa sua condição.
Possivelmente, a condenação mais severa de todo o Evangelho é a que Cristo dirige precisamente aos pedófilos e a quantos são motivo de escândalo para os mais novos. Esse ensinamento evangélico, como todos os outros, não é letra morta na doutrina, nem na praxe eclesial.
7. Pode dar alguns exemplos de documentos da Igreja sobre esta questão?
Pe. GPA: Sem a pretensão de ser exaustivo, permita-me que, a este propósito, recorde alguns dos mais recentes documentos da Santa Sé sobre este particular:
- a instrução Crimen sollicitacionis, de 1922 e que, em 1962, o Beato João XXIII reafirmou e na qual se esclarece a obrigação moral de denunciar estes casos;
- o Código de Direito Canónico, que reafirma a excomunhão automática, ou seja, a imediata expulsão da Igreja, do confessor que alicia o penitente, qualquer que seja a sua idade ou género, para um acto de natureza sexual;
- o Catecismo da Igreja Católica, que renova a condenação da pedofilia;
- e o documento De delictis gravioribus, de 2001, que regulamenta o Motu Proprio Sacramentum Sanctitatis tutela, do Papa João Paulo II que, para evitar qualquer local encobrimento destes delitos, atribui a necessária competência à Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo actual Papa.
8. Não obstante esta condenação formal da pedofilia, não é verdade que tem faltado vontade política de aplicar as correspondentes sanções?
Pe. GPA: À hierarquia da Igreja não tem faltado a firmeza necessária para punir os eclesiásticos que incorreram em actos desta natureza. Foi o que aconteceu a um cardeal arcebispo de uma capital centro-europeia, que foi recluído num convento e proibido de qualquer acto público. Foi também o caso do fundador de uma prestigiada instituição religiosa, que foi também suspenso do ministério pastoral, demitido das suas funções de governo na estrutura eclesial por ele fundada, que foi sujeita a inspecção canónica, e obrigado a residir em regime de quase-detenção numa casa religiosa.
9. E se se vier a verificar algum caso no clero português?
Pe. GPA: Como se sabe, graças a Deus não há memória de nenhum sacerdote português, diocesano ou religioso, que tenha sido alguma vez condenado por um crime desta natureza. Se porventura se desse também entre nós algum caso, não tenho dúvidas de que o nosso episcopado, de acordo com as normas a que está obrigado, saberia agir com justiça e caridade.
10. Concorda com as críticas veladas de vários sectores da sociedade que acusam a Igreja de pouco fazer para garantir a total transparência destes processos? A maioria dos casos suspeitos é, regra geral, arquivado pelo Ministério Público. Segundo algumas fontes policiais, «as vítimas retraem-se mais tarde, devido ao ascendente dos alegados agressores».
Pe. GPA: Dada a minha sensibilidade cristã e formação jurídica, causa-me algum desconforto o uso e abuso de expressões tão vagas e perigosas como «críticas veladas», «casos suspeitos», «alegados agressores», porque tendem a criar uma suspeição generalizada. Há um princípio geral de inocência que não pode ser contrariado: um político, um professor, um padre ou um desempregado que seja burlão não faz da sua mesma condição todos os políticos, professores, padres ou desempregados. Se um violador que é engenheiro, como o recentemente detido, não infama todos os engenheiros, nem suscita uma caça aos engenheiros violadores, porque razão um padre pedófilo, se o houver, provoca esta tão desmedida reacção nos meios de comunicação social?!
11. Pode-se dizer que a associação entre pedofilia e sacerdócio católico não é arbitrária, na medida em que é entre os padres que tendem a verificar-se delitos desta natureza?
Pe. GPA: Não, porque uma tal pressuposição carece de fundamento, como as estatísticas mais recentes provam. Por exemplo, na Alemanha, segundo Andrea Tornielli foram notificados, desde 1995, 210.000 casos de delitos contra menores, mas apenas 94 desses casos diziam respeito a eclesiásticos, ou seja, um para cada dois mil envolvia algum sacerdote ou religioso católico. O inquérito Ryan, sobre a situação na Irlanda, é também esclarecedor porque, num universo de 1090 crimes cometidos contra menores em instituições educativas, os religiosos católicos acusados de abusos sexuais foram 23.
12. Talvez alguém entenda que, muito embora haja também pedófilos que não são padres, o crime para que mais tendem os sacerdotes católicos é o abuso de menores.
Pe. GPA: Também não é verdade porque, de acordo com Mons. Scicluna, perito da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o organismo da Santa Sé que superintende estes casos, entre os anos 2001 e 2010, houve notícia de 300 casos de pedofilia num total de 400.000 padres. Além disso, os abusos de menores são apenas 10% de todas as acções criminais praticadas por sacerdotes católicos.
13. Mas do ponto de vista da psiquiatria, tudo leva a crer que o celibato sacerdotal é, em boa parte, responsável pelos abusos de menores realizados pelo clero católico…
Pe. GPA: Pelo contrário. Manfred Lutz, um psiquiatra especialista na matéria, afirmou que o celibato sacerdotal não só não incita à prática destes crimes como até favorece uma atitude de respeito e de ajuda aos menores. Esta conclusão científica prova-se também pelo facto de, entre os clérigos condenados por este crime, haver mais pastores protestantes, casados, do que sacerdotes católicos, celibatários, e ainda porque a grande maioria dos pedófilos são casados o que, obviamente, não pode ser usado contra o casamento.
14. Consta na opinião pública que a maioria dos casos suspeitos de padres pedófilos, não é objecto de investigação, nem de posterior procedimento criminal…
Pe. GPA: Se assim é, de facto, não é certamente por culpa da Igreja, que nada tem a ver com as investigações policiais, nem muito menos com as diligências judiciais.
Embora se tenda a crer que a Igreja e o seu clero gozam de um tratamento de excelência na sociedade portuguesa, a verdade é que não deve haver instituição pública nem classe profissional mais maltratada nos media do que a Igreja Católica e os seus sacerdotes.
15. Porque o diz?
Pe. GPA: Permita-me que lhe dê um exemplo. Há uns meses atrás, um pacato pároco português foi detido com enorme aparato por quatro ou cinco polícias trajados a rigor, como se o pobre padre de aldeia fosse um perigoso terrorista, quando na realidade era apenas um mero caçador que tinha por licenciar algumas armas. À notícia, transmitida nos noticiários televisivos, foi dado um aparato que, de não ser dramático, teria sido ridículo, até porque aquele pacífico sexagenário não representava nenhum perigo público. Não foi com certeza por acaso que se forjou toda aquela fantástica encenação, como também não foi por acaso que se convidaram as televisões…
Mas factos ocorridos há dezenas de anos numa instituição pública, como a Casa Pia, e de que foram vítimas dezenas de adolescentes, ainda não conhecem uma decisão judicial… Será isto justiça?!
16. Mas não acha que o incumprimento de uma obrigação por um padre é um escândalo?
Pe. GPA: É verdade que é exigível aos prestadores de serviços públicos uma especial responsabilidade: é razoável que o incumprimento de uma obrigação fiscal por parte um governante seja notícia, mas já o não seja se o prevaricador for um anónimo cidadão. Mas o escândalo não pode ser utilizado como arma de arremesso ideológica, sob pena de que aconteça aos padres católicos de agora o que aconteceu aos judeus alemães, durante o regime nazi.
17. Surpreendem-no estes casos de padres pedófilos?
Pe. GPA: Nenhum pecado é surpresa para nenhum padre e todos os padres sabemos que somos capazes de todos os erros e de todos os horrores. Não é por acaso que, na Semana Santa, a Igreja recorda o tristíssimo caso de Judas Iscariotes, que muito significativamente os evangelistas não silenciaram, quando poderiam tê-lo feito, a bem do prestígio da sua condição sacerdotal e do bom nome da Igreja. Graças a Deus conheço muitos padres, quer seculares como eu, quer religiosos, e confesso-lhe que não conheço nenhum que não mereça a minha admiração.
18. Tem ouvido, mesmo que rumores, de casos de pedofilia por parte de alguns padres? Ou é uma completa surpresa para si a existência deste tipo de casos, que acabam por manchar o nome da instituição secular?
Pe. GPA: Tenho uma enorme devoção por todos os meus irmãos sacerdotes, na certeza de que até no menos bom há, pelo menos, a grandeza do dom e da missão a que foi chamado. Também não ignoro que nenhum de nós, por mais qualidades que possa ter, é indigno dessa graça, pelo que nunca me surpreenderá encontrar nos outros alguma da miséria que diariamente descubro em mim. Mas, mesmo que essa constatação possa de algum modo perturbar-me, confesso-lhe que mais do que a traição de Judas, me admira a santidade e o martírio dos outros onze apóstolos. Talvez por isso, não tenho tempo para ouvir esses rumores de que fala, ou tempo para olhar para essas manchas a que alude e que não ignoro, porque prefiro contemplar a eterna beleza da Igreja, que procuro amar com todo o meu coração.
19. Já denunciou algum caso às autoridades eclesiásticas?
Pe. GPA: Denunciar é um termo que não faz parte do meu dicionário e, como padre, a minha missão não é acusar o culpado, mas perdoar o arrependido.
20. Já teve alguma suspeita de abusos por parte de algum colega seu?
Pe. GPA: Como não é meu hábito falar das vidas alheias, permita-me que, em vez de falar dos meus colegas, lhe diga o que eu desejaria que me acontecesse se caísse numa dessas situações, até porque é isso mesmo que desejo aos meus irmãos sacerdotes.
Se tivesse um dia a desgraça de incorrer nalgum comportamento menos próprio da minha condição sacerdotal, agradeceria que os meus irmãos na fé, padres ou não, tivessem a coragem de me fazerem a correcção fraterna, tal como Nosso Senhor determinou. Se o meu desvario persistisse, não obstante essa caridosa advertência, aceitaria de muito bom grado que o meu bispo utilizasse todos os meios ao seu dispor, sem excluir os civis e penais, para a minha emenda, na certeza de que essa expiação, embora dolorosa, contribuiria decerto para o bem das almas e para a minha salvação.
domingo, 18 de abril de 2010
AntiClericalismo
Em 1936, um historiador alemão que vivia na Catalunha ouviu por acaso um grupo de camponeses que falava sobre a Igreja. Para espanto dele, os camponeses, que tinham assassinado e torturado milhares de católicos, repetiam as críticas dos folhetos contra Roma, distribuídos na Alemanha do século XVI. Se a Igreja não muda, o anticlericalismo também não. De Lutero ao "Iluminismo" e da grande revolução francesa aos pequenos jacobinos de Portugal e Espanha, que há pouco menos de cem anos queriam ainda, como Voltaire, "esmagar a Infame", a Igreja é invariavelmente acusada pela sua presuntiva riqueza e pelo comportamento sexual do clero. Agora chegou a vez da pedofilia, porque na sociedade contemporânea a pedofilia se tornou no último crime sexual.Claro que Bento XVI já disse que a pedofilia era um crime, além de ser um pecado, e acrescentou que os padres pedófilos tinham feito mais mal à Igreja do que mil anos de perseguição. Claro que Bento XVI mandou investigar o caso, removeu bispos, suspendeu padres, castigou culpados. Claro que nem ele, nem a Igreja são responsáveis pelas declarações, de facto ofensivas, de algumas figuras menores do Vaticano ou da Conferência Episcopal Portuguesa. Mas, como de costume, a lógica não abala o anticlericalismo. O anticlericalismo decretou que a Igreja intencionalmente encobre (ou encobriu) a pedofilia e não vai mudar. Quem sabe, mesmo à superfície, alguma história sabe que desde o princípio isto foi assim. Ratzinger, que não nasceu ontem, com certeza que não se perturba.
Até porque provavelmente percebe que, por detrás do escândalo do encobrimento, está o ódio ao Papa "reaccionário"; ao Papa que se recusou a transigir com a cultura dominante em matérias como o divórcio, o aborto, a homossexualidade, o celibato do clero e a ordenação de mulheres. Não ocorre ao anticlericalismo que a integridade da Igreja pode exigir essa rigidez, como já mostrou a rápida ruína do anglicanismo. Ratzinger compreende que, sem o apoio do Estado ou influência sobre ele, a Igreja depende essencialmente da convicção e da força com que conseguir conservar a sua doutrina. Qualquer fraqueza a transformará numa instituição vulgar, à mercê da opinião pública e das mudanças do mundo. Isso Bento XVI não quer. Como não quer encobrir a pedofilia.
Vasco Pulido Valente no jornal Público 18-04-2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Escritor Português não católico defende a Igreja e o Papa
Muitas das notícias que nos chegam, no seu afã de propaganda ideológica encapotada, contêm o erro fundamental de confundir a árvore com a floresta… sobretudo quando o objectivo é denegrir.
Ou seja, a partir de um caso isolado, de preferência de contornos escabrosos, generaliza-se de forma a induzir o leitor a pensar que todo o conjunto é da mesma natureza. Tal generalização obviamente tem conotações ideológicas e obedece a uma agenda política que visa desconstruir a Sociedade Tradicional e todas as suas instituições seculares para impor uma Nova Ordem Mundial à feição dos sinistros interesses da Oligarquia Internacional, a mesma que manobra os mercados financeiros e através destes, controla em grande parte a Economia Planetária. Referimo-nos aos casos de Pedofilia no seu seio da Igreja Católica recentemente mediatizados pelas Agências Internacionais de Notícias.
De facto as recentes notícias de Pedofilia, que envolve sacerdotes católicos, têm contornos de uma campanha de ataque à hierarquia Católica, muito para além da objectividade informativa que a deontologia jornalística impõe, independentemente da sua gravidade moral. Tais notícias suscitam desconfiança sobre a sua “bondade” até entre os não católicos como nós. Embora discordando da doutrina da ICAR, em alguns aspectos, reconhecemos no entanto a importância capital do seu papel na nossa História, na defesa dos valores éticos que enformam a nossa cultura judaico-cristã e a sua acção social meritória em prol daqueles que têm sido vítimas da usura e da ganância da Oligarquia Internacional, que é afinal a mais interessada em destruir o Catolicismo e a Religião em geral, já que constituem um obstáculo sério à consecução do seu objectivo final, que é o de reduzir a Humanidade à condição de escravos robotizados.
Ressalvamos, antes que nos confundam estar a defender a Pedofilia, que ao fazermos a defesa da Igreja Católica não estamos a justificar a acção ignominiosa de homens que esqueceram de todo a sua mais elementar obrigação de sacerdotes, o respeito pelo próximo, sobretudo o mais fraco, como é a criança órfã, carente do afecto de uma verdadeira família.
Um dos aspectos que nos leva a desconfiar da “boa vontade” destas notícias é o facto de focalizarem em exclusivo os casos de Pedofilia de clérigos católicos, quando se sabe que este vício é transversal à sociedade. Encontramo-lo em todos estratos sociais e até nas famílias. O pedófilo é em princípio muito próximo da vítima e da sua confiança, ou seja, não é um estranho… podendo ser até um pai, um tio, etc. Quando se argumenta que os padres devido ao celibato a que estão obrigados são mais propensos à pederastia, como insistentemente se procura justificar a tentação dos abusos sexuais, esquece-se que o pederasta nem sempre é solteiro e muitas vezes é tido como “bom” chefe de família, portanto uma pessoa aparentemente normal.
Outro detalhe que indicia que está em marcha uma campanha de desmoralização da ICAR, é o facto das notícias sobre a Pedofilia no seu seio surgirem como cogumelos que nascem a cada manhã, confundindo-se o número das vítimas com o dos pedófilos, parecendo que estes são tantos como um exame de abelhas… Quase a totalidade da hierarquia católica… Evidentemente que isto não desculpabiliza os autores dos abusos sexuais. Na verdade as vítimas são muitas, porém os abusadores denunciados não passam de uma diminuta minoria. Do mal, melhor… Até se tivermos em linha de conta a estatística nos USA, o número de vítimas nas instituições católicas comparada com as restantes, nomeadamente no ambiente escolar civil, é muito superior, uma proporção de 157 para 1, num espaço de tempo de 52 anos, de 1950 a 2002. É obra, não? Tal desproporção mostra por outro lado, no caso norte-americano, como a Pederastia é um fenómeno social extensivo, ou seja, não se restringe a um sector específico da sociedade.
O caso da Casa Pia de Lisboa é também ilustrativo quanto à tipificação do pedófilo. Este orfanato do Estado Português, fundado nos finais do Século XVIII, pelo Intendente da Polícia Pina Manique, homem da confiança do Marquês de Pombal, com um processo de Pedofilia a decorrer, reúne mais arguidos suspeitos de abusos sexuais a menores que todos os casos mencionados recentemente na “mídia” para denegrir a imagem da ICAR. Estão indiciados pelo Ministério Público dez arguidos, incluindo uma cúmplice. Contudo há quem diga que a “farra sexual” naquele instituto envolve muito mais gente e bem graúda, uma vez que remonta há década de 80 do século passado e muitas das vítimas, hoje adultos, não estão dispostos a passar pelo tormento dos inquéritos policiais e menos ainda pela vergonha pública a que têm sido sujeitos os “putos casa pianos” directamente envolvidos no processo. Há a ressaltar, em abono da verdade, que nem todas as acusações serão genuínas. Há quem se aproveite para extorquir dinheiro. Daí talvez a dificuldade de se apurar até onde vai a verdade e começa a mentira… quer de um lado, quer do outro. Acresce referir que problemas de sexualidade, como a sodomia e outros, sempre ocorreram em colégios internos, inclusive entre os internos, embora sejam severamente reprimidos, deixando marcas indeléveis para o resto da vida.
A fúria anticlerical do lobby laicista vai ao ponto de ressuscitar velhos casos como o do padre Lawrence Murphy, que remonta a 1975, para atacar insidiosamente o actual Papa e por essa via, a própria ICAR. A 25 de Março do corrente ano, o conceituado New York Times publicou uma matéria em que pretensamente acusa Bento XVI de encobrir o pároco de Milwaukee quando em 1995 o Papa ainda era Cardeal e responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé. È preciso ter muito ódio ao Catolicismo para 35 anos depois levantar tal questão… A denúncia é tanto mais insidiosa quando ignora de todo que aquele organismo tem como função específica vigiar os desvios doutrinários, heresias, pelo que nada tem com o Direito Canónico, que julga casos de indisciplina, como o são os actos que violam a castidade a que os clérigos estão obrigados. Ignora que o referido padre foi na oportunidade ilibado pelo Direito Civil, que não apurou provas da prática de Pedofilia sobre rapazes surdos que tutelava. Como ignora que a hierarquia católica manteve-o sob vigilância e o fez, não tanto pela suspeição de abusos sexuais em menores, mas por desvios doutrinários. Foi essa e só por essa razão que o então Cardeal Ratzinger, em 1995, o sancionou, tendo então limitado as suas funções pastorais. Quatro meses depois Murphy faleceu. Não cremos que aquele diário nova-iorquino desconhecesse em absoluto estes factos. Daqui se conclui que existe má fé e em marcha uma campanha difamatória articulada mundialmente contra a hierarquia católica.
E compreende-se. O actual Sumo Pontífice, coerente com os princípios da Igreja Católica, tem desenvolvido uma tenaz resistência contra as propostas contra-natura e fracturantes, veiculadas por organizações laicas apostadas em impor uma visão sexista e hedonista da Sociedade, reduzindo o homem à sua condição animal para negar a sua dimensão espiritual. Tais organizações não surgiram obviamente por “geração espontânea”, nem vivem do ar… Foram criadas e são apoiadas à sorrelfa por Fundações ditas filantrópicas como a da família Rockfeller. Os interesses financeiros das mesmas estão ligados a um vasto leque de sectores económicos, que vão desde a banca, o petróleo, a indústria farmacêutica, a indústria militar, etc, aos meios áudio visuais, incluindo a “mídia”, a qual evidentemente cumpre uma agenda ditada pela Elite Global à qual pertencem.
Ademais, quem postula que a Humanidade tem que ser reduzida a 1/3 da população actual e contribui para a miséria de milhões de seres humanos não pode ver com bons olhos a acção caritativa da ICAR, precisamente nas áreas onde a pobreza é mais sentida, coincidindo por vezes com subsolos ricos explorados por essa mesma Elite Global.
Há portanto uma intenção neste tipo de notícias, que vai muito além do desejo de informar… Se assim fosse não omitiam o mesmo fenómeno noutras instituições análogas. Mais, numa apreciação equilibrada da responsabilidade da ICAR na Pedofilia, deveriam referir os processos civis e canónicos que têm sido levantados aos clérigos acusados de abuso sexual a menores, seu desfecho, e não apenas publicitar denúncias, que podem não ser genuínas, como se tem conhecimento em processos deste género.
Artur Rosa Teixeira
Fonte: http://www.segs.com.br/
Fonte: http://oblatvs.blogspot.com
segunda-feira, 29 de março de 2010
Regime de Terror
ROMA, 24 Mar. 10 / 08:35 am (ACI).- Elizabeth Lev é uma historiadora americana que actualmente trabalha em Roma e que rechaça a campanha da media actual contra sacerdotes e religiosos. Ela a compara àquela do final do século XVIII na França quando os escândalos se magnificavam para fazer as pessoas acreditarem que isto era endémico no clero, o que levaria anos mais tarde ao assassinato de muitos presbíteros. A partir da perspectiva de um analista protestante inglês dessa época, a perita explica que a intenção dos ataques é destruir a força moral da Igreja Católica.
Em um artigo titulado "Em defesa do clero católico (ou queremos outro reino do terror?)" publicado no site Web Politics Daily, Lev se refere ao clima triunfalista em 1790 na França com a revolução e à postura de Edmund Burke, um protestante membro do Estado inglês, que nesse ano criticava a campanha anticlerical dos franceses que desenterravam escândalos de décadas e inclusive, séculos antes.
"Vendo o estilo geral das últimas publicações, as pessoas poderiam pensar que o clero da França são uma espécie de monstros, uma horrível composição de superstição, ignorância, preguiça, fraude, avareza e tirania. Mas, é certo isto?", questionava-se Burke.
Depois de perguntar-se sobre o que Burke teria opinado ante as tentativas da media actual de vincular, a qualquer preço, o Papa com qualquer escândalo de pedofilia, Lev assinala que o protestante inglês comentava naquele tempo que "não escuto com muita credibilidade a quem fala do mal daqueles a quem vão saquear. Suspeito, ao invés, que os vícios aos que se referem são fingidos ou exagerados quando se busca apenas proveito no castigo que planeiam".
Quando Burke escrevia isto, diz Lev, "os revolucionários franceses estavam preparando-se para a confisco massivo das propriedades da Igreja".
Actualmente, escreve a historiadora, "os luxuriosos informes sobre os abusos sexuais do clero (como se estivessem limitados somente ao clero católico) foram colocados por cima dos massacres de cristãos na Índia e Iraque. Além disso, a frase ‘abuso sexual do clero’ se equipara erroneamente com ‘pedofilia’ para avivar ainda mais a indignação. Não consideram a perspicácia política de um Edmund Burke que se pergunta por que a Igreja Católica é escolhida para ser tratada assim".
Logo depois de reconhecer que efectivamente é muito grave o mal produzido por uma pequeníssima minoria de sacerdotes católicos contra menores, Lev recorda que são muitíssimos mais os que "vivem Santamente em suas paróquias, atendendo os seus paroquianos. Estes bons homens foram manchados pela mesma tinta venenosa" de muitos meios.
Seguidamente assinala que nos Estados Unidos os abusos sexuais de clérigos não chegam ao 2 por cento e que este dado foi apresentado pelo New York Times. Mas ao "ler os jornais, pareceria que o clero católico tem um monopólio em acusações a menores".
"Se Burke estivesse vivo hoje em dia, talvez teria discernido outro motivo atrás dos ataques ao clero católico, além das propriedades da Igreja: principalmente destruir a credibilidade de uma voz moral capitalista no debate público" que se fez evidente, por exemplo, na reforma de saúde nos Estados Unidos.
Ante a posição pró-vida dos prelados, precisa Lev, "e para silenciar a voz moral da Igreja, a opção preferida foi a de desacreditar a seus ministros".
"A três anos das reflexões do Burke, suas predições provaram ser corretas. O Regime do Terror chegou em 1793, levando centenas de sacerdotes à guilhotina e forçando o resto a jurar lealdade ao Estado por cima da Igreja. Para Burke estava claro que a campanha anticlerical de 1790 era ‘apenas temporal e preparatória para a abolição última… da religião cristã ao levar a seus ministros ao desprezo universal’", prossegue a historiadora.
"Espera-se que os americanos tenham o suficiente sentido comum para mudar de curso muito antes que cheguemos a este ponto", conclui.
sexta-feira, 26 de março de 2010
O Estado e a Igreja Católica II
Tanto o liberalismo e o comunismo, são frutos da mesma árvore má, e da mesma língua serpentina! Ambos formam um ciclo perfeito nos quais as democracias liberais de hoje estão presas, e a fictícia luta entra estas duas forças só levam a um caminho, o enfraquecimento e a própria destruição da civilização, neste caso Europeia.. os poderes e as elites ocultas só estão à espera que as sociedades dêem o seu golpe de misericórdia a si próprias, para tomarem de vez, e ás claras as rédeas do poder para o nascimento de uma outra civilização, liderada por novos poderes e autoridades, fundamentados em novas crenças. A Igreja Católica como símbolo máximo e mãe do Ocidente, ironicamente é violentamente atacada e ridicularizada pelos seus próprios filhos. Para que não reste dúvidas condenarei sempre os actos pedófilos e o seu encobrimento, no qual os membros culpados da Igreja, têm muito para responder perante a Justiça e Deus. No entanto é pena que o Ocidente odeia-se tanto a si próprio como filho da Igreja, para querer que esta morra de vez, ainda que Deus não o permita! No Ocidente, ninguém se pergunta porque isto acontece, só estão interessados em condenar a Igreja e a sua moral..Mas quando algum membro da Igreja como Cardeal Camillo Ruini que atribui a génese deste galopante número de casos de violações no Ocidente à Revolução Sexual dos anos 60 explicando que "quando a exaltação da sexualidade invade todo espaço da vida e quando se reivindica a autonomia do instinto sexual de todo tipo de critério moral, torna-se difícil explicar que determinados abusos são absolutamente condenáveis" ou até o Papa que condenou o uso do preservativo em África, este impulsionado pela revolução sexual dos anos 60, explicando que o preservativo deforma o acto sexual entre duas pessoas, transformando-o num acto egoísta que converte o parceiro num objecto de uso técnico.. o Ocidente escandaliza-se e ataca a Igreja!
Assim augúrio que o Ocidente cavará a sua própria cova e o catolicismo regredirá muito, enquanto as elites ocultas tomarão o poder público tão ambicionado!
O Ocidente, principalmente a velha Europa, que constantemente nega a si própria e as suas raízes, é constantemente iludida por lutas ideológicas, como se o mundo que cada um vivesse não fosse o mesmo, e a verdade não fosse una! as elites 'iluminadas' e ocultas europeias, incentivando o confronto ideológico estão a construir um império à revelia do povo europeu, o que está a enfraquecer e muito a cultura Europeia essencialmente Cristã e a própria sociedade Europeia! Outrora unida pelo poder Espiritual da Igreja, no tempo da Cristandade, hoje a Europa, tentam construir um império temporal, que ruirá como todos os impérios temporais entre lutas internas do homem pelo poder tal qual o Império Romano..
sexta-feira, 19 de março de 2010
O Estado e a Igreja Católica I
É bom o Estado ser Católico? Desde a sua origem e firmados na Fé Católica os povos Católicos construíram os seus Estados, definindo então dois poderes, o poder temporal e o poder Espiritual! O primeiro legitimado pela imposição do Bem da Justiça material na sociedade e o segundo pelo Bem da Justiça divina. Justiça divina que é firmada na realidade, como criação Boa de Deus, segundo a revelação que provêm da Fé Católica! A Justiça material com isto, deve estar submetida às leis naturais, que são inteligíveis à razão do homem, pois a justiça divina provêm de um poder mais alto. Assim todas as leis que vão contra a vida, contra a natureza, contra o homem, são repugnantes à razão humana. São leis injustas pois a autoridade da justiça humana não se pode impor à realidade sem destruir o próprio homem, que é o ser por excelência desta mesma realidade! O Homem não pode ser o centro do pensamento, pois se ele é o coroar da criação desde o Big Bang, não o é pelo seu poder ou intenção! A Igreja Católica, representante deste poder Espiritual, o é pela justiça de Deus, pois Jesus Cristo a instituiu-a no mundo.. Mas se o homem a rejeita, ainda que o seu poder e frutos sejam imensos, desde já o contributo e a legitimidade que deu ao poder temporal de se erguer tal como o conhecemos, o Estado! O poder temporal não pode absolutizar a sua Justiça e o seu poder, como já fez no passado (Absolutismo dos Reis ou do Estado) impondo o direito do mais forte sob os mais fracos, mas também, desde a a laicização do estado, impondo-se sob direitos superiores como o direito natural que a Igreja defende como expressão da vontade do Verbo de Deus, segundo a Fé Católica!O mérito da Fé Católica além de serem os principais dogmas serem testemunhados pelos Apóstolos como realidades históricas, e hoje, se não cremos também nessa realidade, a história da Idade Apostólica torna-se incompreensível e uma impossibilidade psicológica! Os Historiadores fenomológicamente confirmam ao menos uma coisa, os Apóstolos que viram a ressurreição acreditaram, no que diz respeito à realidade não interessa! ou então é descrita assim: "A existência de Jesus Cristo é histórica, como histórica é a existência da Igreja. Entre as duas situa-se o acontecimento trans-histórico da Ressurreição"1
Mas do meu ponto de vista o maior mérito da Fé Católica, é que ela crê na bondade do mundo, e não o vê como opressor! "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom" (Génesis 1:31) O ser existe para se dar, para iluminar, para aquecer, para ensinar, no fundo para servir, o Verbo de Deus no qual todas as coisas foram feitas, veio ao mundo e ensinou-nos dando o exemplo, Amando-nos desceu ao mundo e fez-se homem, morrendo por nós para a nossa salvação. Deus lavou os pés aos Apóstolos para nos ensinar a servir e não para oprimir. Assim todas as autoridades todos os poderes instituídos são legítimas na medida que servem aqueles, nos quais são responsáveis! Não defendemos nenhuma guerra de classe, ou a origem pecaminosa do poder, como se o próprio Ser fosse opressor, como se o mundo fosse opressor, como tudo o que é exterior a mim fosse uma opressão à minha existência, muito pelo contrário, tudo o que existe, só tem uma finalidade que é brilhar na existência servindo, dando-se a si próprio como uma árvore dá os seus frutos!
Voltando para o tema desta postagem, sim o Estado deve ser Católico, antes de mais porque a sociedade é Católica, e o Estado é o seu Povo, e não uma entidade que transcende as pessoas como o Estado Comunista que busca ser Deus.. Mas também o Estado deve ser Católico porque o Estado Católico busca a sua plenitude o seu desenvolvimento para dar os seus frutos e servir!
Só com a Justiça temporal submetida ao próprio fundamento da Justiça, a ordem sábia do universo constituída por Deus, a justiça temporal não dará tiros nos seus próprios pés, como acontece hoje, aconteceu no Comunismo, e outras ideologias materialistas, humanistas, absolutistas, socialistas como o Nazismo, pois como muito bem disse Martin Luther King" Tudo o que o Hitler fez na Alemanha foi legal" no entanto foram crimes, porque actos verdadeiramente maus e verdadeiramente injustos, independentemente da vontade da maioria ou do homem mais forte! Assim mais uma vez a Igreja contribui para o desenvolvimento Humano e Civilizacional pela elaboração do direito internacional fundamentado na verdade universal inteligível a todos os homens pela realidade comum!
1- A Igreja no Ocidente, das origens às reformas no século XVI - Mireille Baumgartner
sexta-feira, 12 de março de 2010
A Cidade Terrestre é a Prostituta do Apocalipse II
Uma das imagens diabólicas da cidade Terrestre que persegue os filhos de Deus, que João nos mostra no Apocalipse, é representada por uma Prostituta, que simboliza a idolatraria desta mesma cidade. Apoiados erroneamente nesta passagem do Apocalipse muitos falsos cristãos e filhos da cidade Terrestre, aproveitam para acusar infundadamente a Igreja Católica de ser a Prostituta idólatra! Quando eles próprios idolatram homens que fundam 'Igrejas' fora do tronco da Verdade, para servirem o seu próprio ventre e os seus apetites, conforme os tempos..Deus preparou no Antigo Testamento a Terra, para plantar a raiz frágil do seu Reino que será pleno apenas no fim dos tempos, quando forem fundados os "novos Céus e nova Terra"
Assim as duas cidades foram constituídas, uma pelo diabo, outra por Deus e neste mundo caminham lado a lado! A primeira por amor a si própria a segunda por amor de Deus.. Depois da ressurreição de Cristo, os filhos da Luz ajudados pela graça acabaram por conquistar a cidade Terrestre, derramando muito sangue, mas o seu próprio sangue, regando uma pequena árvore já em crescimento! Os filhos da luz vivendo neste mundo, espalharam as suas raízes e de tal modo foram abençoados que os filhos da cidade terrestre acabaram por perder o poder temporal da cidade terrestre! Na aurora da civilização Ocidental, no tempo da Cristandade Medieval, o poder temporal da cidade terrestre estava justamente submetido ao poder espiritual da cidade celeste e os ramos ligados ao tronco nunca deram tantos frutos! "Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à protecção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados em si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”.1 Mas os filhos da cidade terrestre por terem como fim os bens deste mundo, e idolatrem-se a si próprios como o seu pai, estão na profundeza da história e dos tempos sempre atentos às fraquezas dos homens! Se os frutos espirituais eram muitos, ainda mais, porque menores, eram os frutos temporais, como a riqueza e o poder que o Ocidente havia alcançado!
E por isso a 1º grande revolução da cidade terrestre e da história Ocidental despontou já com as bases da civilização Ocidental fundadas, num processo lento foi com Lutero que deu-se o 1º grande passo para destruir a ordem medieval, com o objectivo de denegrir a Cidade Celeste e o seu representante o Vigário de Cristo, e legítimo sucessor de São Pedro, a Rocha infalível da Verdade, graça dada por Cristo pessoalmente a Pedro, e no qual a Igreja está fundada e erguida! Não conseguiram destruir a Igreja Católica nem a sua Imagem, ainda que ceifando muitas almas da cidade Celeste para a cidade Terrestre, enganando-os na babel das suas doutrinas! Os primeiros ramos começaram a ser cortados, mas como diz São João "Eles saíram de entre nós mas não eram dos nossos"(1 Jo 2:19) Fortalecida a cidade Terrestre, e enfraquecida a Celeste, abriram azo às revoluções liberais simbolizadas pela revolução Francesa, os filhos desta apoderaram-se do poder temporal destruindo a submissão deste ao poder espiritual da verdade! Negando Cristo a Verdade, e o seu reino, começaram então por construir o seu, a cidade Terrestre, o império do homem! A Igreja Católica perseguida e humilhada, as suas raízes começaram a minguar na cidade Terrestre, ela é também uma realidade espiritual e por isso a cidade terrestre nunca a conseguirá a destruir ainda que o poder temporal impôs-se com cada vez mais força ao poder espiritual!! O Comunismo foi o resultado final deste processo de submissão do poder espiritual ao poder temporal, acabou por eliminar Deus da vida dos homens, e acrescentar mais perseguições e mártires à Igreja Católica! A vitória temporal da Igreja fez recuar um pouco os cidadãos da cidade terrestre e inimigos da Igreja, e apercebendo-se da força da Igreja, optaram por destruí-la de outra maneira!
Hoje as sementes da cidade Terrestre, estão avançar pelo tronco visível da cidade Celeste.. a Igreja Católica. A partir daqui os seus frutos também começam a diminuir aos poucos e a cidade terrestre vê-se com menos cidadãos celestes, e a cidade celeste histórica, ou seja a Igreja, vê-se com mais cidadãos terrestres nas suas fileiras, os objectivos deles é a destruição do Papado! mas a raiz, a fortaleza, a rocha da Igreja nunca será abalada e nunca trairá Cristo ainda que no meio da perseguições!O Papa não erra na Fé e na Moral, dogma da Fé, e por isso nunca concluirá alianças com a cidade terrestre, que busca derrotar Cristo e o seu Reino, por isso o não terá nenhum acento na Cidade Terrestre! mas todos os que estiverem separados do tronco donde vem a seiva, não permanecerão fiéis até ao fim, e acabarão por idolatrar a besta e dirão "Quem como a Besta"(Apoc. 14:4) esses sim são filhos da cidade Terrestre que prostituirão com a besta! Só se salvarão os fiéis que permanecerem na barca de Pedro!
E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas;
Com a qual se prostituíram os Reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlate, que estava cheia de nomes de blasfémia, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlate, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundície da sua prostituição; E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilónia, a mãe das prostituições e abominações da terra. E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração. E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres.
A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá. Aqui é preciso inteligência e sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada. E são também sete Reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo. E a besta que era e já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição.
E os dez chifres que viste são dez Reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como Reis por uma hora, juntamente com a besta. Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos Reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis. E disse-me: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas. E os dez chifres que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo. Porque Deus tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma ideia, e que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus. E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os Reis da terra. (Apoc.17:1-18)
1- Papa Leão XIII na Encílica Immortale Dei
sexta-feira, 5 de março de 2010
A Cidade Terrestre é a Prostituta do Apocalipse
Como muito bem nos diz Santo Agostinho a origem das duas cidades deveu-se a Dois amores: "O amor de si mesmo até ao desprezo de Deus" e "O amor de Deus até ao desprezo de si mesmo"1 na Terra estas "São duas sociedades de homens das quais uma está predestinada a reinar eternamente com Deus e a outra a sofrer um suplício eterno com o Diabo"2, a primeira criatura a revoltar-se "Não Servirei". Amando a si próprio até ao desprezo de Deus, o pai da mentira enganou Eva, mas Deus não abandonou-a, e disse ao diabo "Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; esta esmagar-te-á a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."Gn 3:15 assim na descendência de Eva, as duas cidades desenvolveram-se! "Caim, o primeiro a nascer dos dois pais do género humano, pertence à cidade dos homens, e Abel, o segundo, pertence à cidade de Deus. Assim como, num só homem, constatamos o que diz o Apóstolo: "Mas o primeiro não foi espiritual, mas o terreno, o espiritual vem depois."1 Cor 15:46 ... Está escrito que Caim fundou uma cidade. Como peregrino que era, não fundou, porém, Abel. É que a cidade dos santos é a do Alto, embora procrie cá cidadãos entre os quais ela vai peregrinando até que chegue o tempo do seu reino. Então ela reunirá a todos, ressuscitados nos seus corpos, dando-lhes o reino prometido onde reinarão para sempre com o seu Chefe, o Rei dos séculos."2 " A cidade terrestre, que não será eterna é cá na Terra que tem o seu bem, tomando parte na alegria que estas coisas podem proporcionar. E como não há bem que não cause apreensão aos que o amam, esta cidade acha-se, a maior parte das vezes, dividida contra si própria com litígios, guerras, lutas, em busca de vitórias mortíferas ou mesmo mortais. A verdade é que, qualquer parte dela que provoque a guerra contra a outra, o que procura é ser senhora dos povos, quando afinal é ela que fica cativa dos vícios; e se, quando sai vencedora, se exalta na sua soberba, a sua vitória é-lhe mortífera."Há muito que a Igreja é acusada de ter traído a missão de Cristo, como se fosse possível, ou acaso Cristo é mentiroso.. mas como uma "pedra de torpeço" vai deitando a baixo os projectos da cidade terrestre como aconteceu com o Comunismo cujo os frutos são pestilentos!"Se somamos o número total de vítimas do comunismo neste século, vemos que é superior ao número de mortes de duas guerras mundiais, somado ao número de vitimas de todas as ditaduras de direita, mais o número total de vitimas de terremotos, enfartes e epidemias variadas. Isto não é força de expressão: é um simples facto, medido matematicamente. Ou seja, o comunismo foi o pior flagelo conhecido pela humanidade desde o dilúvio universal. Não há outro termo de comparação. A peste negra, proporcionalmente, foi menos grave do que o comunismo" (Olavo de Carvalho, Reparando uma injustiça pessoal). Hoje, no entanto, a força da cidade terrestre tomou proporções horrorizantes, que incessantemente conspira contra a Igreja provocando enormes chagas nesta! Como escreveu Santo Agostinho "Neste século maligno, nestes dias maus, muitos réprobos estão misturados com os justos e uns e outros se juntam como na grande rede do Evangelho"3 Sim, na Igreja existem muitos réprobos, que constantemente abrem feridas externas, mas principalmente internas que como num corpo são as piores. Eles pertencem à Cidade Terrestre, e o seu principal objectivo é servir a Cidade Terrestre, ainda que estejam no seio da Cidade Celeste, como São João disse:"Eles saíram de entre nós mas não eram dos nossos"(1 Jo 2:19) assim os filhos da carne e os filhos da graça, caminham juntos e as duas cidades não têm fronteira visível, como a parábola de Cristo descreve "O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. Ora enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também joio. Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Foi algum inimigo meu que fez isto' - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?' Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa, e na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.'" (Mt 13:24) Ainda que os filhos da carne ameacem com cismas, desobediências, lutas e escândalos, a Igreja permanecerá sempre Una, Santa e Católica! Poderá vir um dia que o Papa já não seja obedecido por ninguém, mas haverá sempre um resto fiel, ainda que na perseguição.. Sim, a Igreja é a Esposa fiel de Cristo, pois o Papa sucessor de São Pedro carrega as chaves do Céu, e por isso infalível, além dos frutos desta serem numerosos, mas a prostituta da Cidade terrestre, a nova Babel constituída pela maioria das nações e povos e infelizmente por muitos cristãos, hoje ergue-se imponente aos olhos do mundo enchendo os rios de sangue com os milhões de abortos, e outros crimes que tais.. As duas cidades caminham juntas, mas só uma herdará o Reino dos Céus! "Assim, neste século, nestes maus tempos, desde a presença corporal de Cristo e dos seus Apóstolos, mesmo desde Abel, o primeiro Justo, a quem seu ímpio irmão matou, desde então até ao fim deste século, a Igreja Católica avançará, peregrinando entre as suas perseguições do mundo e as consolações de Deus."4
1 - St. Agostinho Cidade de Deus Vol. II livro XIV Cap. 28
2 - St. Agostinho Cidade de Deus Vol. II livro XV Cap. 1
3 - St. Agostinho Cidade de Deus Vol. III livro XVIII Cap. 49
4 - St. Agostinho Cidade de Deus Vol. III livro XVIII Cap. 51
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Igreja Santa Católica Apostólica Romana é a Cidade de Deus III
"Dois amores fundaram duas cidades: a terrestre pelo amor de si mesmo até ao desprezo de Deus; a Celeste pelo amor de Deus até ao desprezo de si mesma" St. Agostinho - Cidade de Deus.Jesus Cristo, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, desceu dos Céus, foi concebido pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, para anunciar ao mundo (cidade Terrestre), a vinda do reino de Deus, a Jerusalém Celeste, no qual Cristo já é a sua plenitude, pois Ele é o Rei, e esta, o seu Reino! Como nós, viveu no centro da cidade terrestre, no cerne das paixões pelo Poder, pelo domínio, pela glória dos homens, mas seguindo a vontade do Pai, Cristo estabelece a primeira Pedra da cidade Celeste, em Pedro, sobre a qual a Cidade de Deus erguer-se-á aqui na Terra, ao longo dos tempos até à sua plenitude no fim dos tempos, dando-lhe como alimento o seu Corpo e Sangue preparado na Cruz! Assim nasceu a Igreja Católica, fundada sobre a rocha de Pedro, no qual a cidade do Homem tropeçará sempre, segundo a promessa de Cristo "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" Mt 16-18
A Igreja como Mãe guarda no sacrário o maior tesouro da humanidade, o Filho de Deus, que dará à Luz no fim dos tempos, tal como uma mãe cheia de Dores dá à luz os seus filhos ao final de 9 meses..
Os homens que buscam os verdadeiros bens, aqueles que são eternos, encontraram na Cidade de Deus, o maior Bem, Jesus Cristo, o caminho, a Verdade e a Vida, aquele que amou o Homem até à morte, sendo Deus. Iluminados e abrasados pelo seu amor, não deixaram de fruir inúmeros frutos à humanidade, como São Francisco de Assis que rejeitando a glória dos homens e do poder, imitou o mais literalmente possível Jesus Cristo! amou os mais pobres entre os pobres, ensinou os poderosos e os infiéis, e louvou como ninguém a criação de Deus e a bondade inerente a ela, fundou a ordem dos Franciscanos no qual ingressaram outros grandes Santos, como Santo António de Lisboa, que missionaram pelo exemplo, desprezando os bens temporais, apontando para os eternos!
Como outros tantos mártires que a Igreja teve Santa Bárbara, morreu pela Fé, e pela sua recusa de apostar, mesmo sofrendo as mais torturosas dores, como Cristo, os mártires não tiveram nenhumas dúvidas, pois eram inquebráveis fortalezas que vieram a conquistar o mundo e hoje fortalecem a Fé dos Cristão, nesses tempos difíceis abraçaram a sua Cruz por Amor a Cristo..
Entre os infindáveis frutos da Igreja os monges desempenharam um papel ímpar na civilização Ocidental ainda que desprezaram como ninguém a cidade do Homem (basta ler a regra beneditina), para viverem como anjos da cidade de Deus! mas por essa mesma razão o mundo Ocidental deve muito a eles, pois os mosteiros foram centros de luz, de ordem, de civilização, para um novo amanhecer desta! tal como Cristo disse os Monges Católicos fizeram "Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua Justiça, e tudo mais será vos dado" Mt 6:33 assim foram lançados os alicerces da civilização Ocidental! Como vemos o Reino de Deus, está muito longe de ser um empecilho para o Homem, para o desenvolvimento deste.. muito pelo contrário, é o fim do homem pois leva-o à sua plenitude, pois os seus frutos são a Paz, Justiça, Amor, por isso Missionários como os Franciscanos ou Jesuítas foram impelidos a pregaram pelo mundo o Reino de Deus. Podia dizer que não foi por acaso que Santo Inácio, São Francisco de Xavier e outros amigos, fundaram a sociedade de Jesus na universidade..Pois alêm da obra de evangelização, os Jesuítas tornaram-se proeminentes em ciências seculares, como muito bem, diz este artigo publicado no site da Montfort!Eis alguns exemplos:
"Foi o P. Christopher Scheiner (1573–1650), na sua obra Oculus (1619), o primeiro a provar a importância fundamental da retina na visão. Em 1630 publicou Rosa Ursina, sua principal obra. Nestes livros, P. Scheiner descreve algumas de suas descobertas e experimentos tais como a determinação do raio de curvatura da córnea e a descoberta da saída nasal do nervo óptico [xviii], [xix]. Este mesmo padre fornecera provas concludentes sobre a faculdade de acomodação do olho, e se celebrizara pela descoberta das manchas solares e pela invenção do pantógrafo [xx]. Outro jesuíta, o P. Francesco Lana-Terzi (1631–1687) criara um alfabeto para surdos-mudos e um método de leitura para cegos.Na Matemática, o trabalho do P. Jesuíta belga Gregory Saint Vincent (1584–1667) Opus Geometricum Quadraturae Circuli et Sectionum Coni (1647) fez com que Leibniz o reconhecesse, ao lado de Fermat e Descartes, como um dos que estabeleceram as bases da geometria analítica [xxi]. Pode-se citar também o P. Andrea Tacquet (1612–1660) cujas obras, dentre elas seu principal trabalho Cylindricorum et Annularium (1651), influenciaram Pascal. Neste mesmo século, o P. Girolamo Saccheri (1667–1733) lançava os fundamentos da primeira geometria não euclidiana em Euclides ab Omni Naevo Vindicatus (1733), obra que influenciou Riemann, Lobachevsky, Bolyai e Gauss."
São pouco os exemplos, mas podem sempre ler o artigo, e verão como a Mãe das Nações sempre procurou ensinar e a procurar a Verdade que leva a Cristo, o Verbo de Deus no qual todas as coisas foram feitas! Inúmeros são os Santos que gerou, são como as estrelas no céu, desde Rainhas como Santa Isabel de Portugal ou Reis como São Luís, doutores e sábios como São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila, místicos como São João da Cruz e pequeninos como Santa Teresinha do Menino de Jesus, cruzados que defenderam a Cristandade como João Castriota "Skanderberg", sacerdotes como São Cura de d'Ars ou Santo Padre Pio e Papas como São Pio X, são mais de 10000 mil Santos proclamados, que irradiaram a luz de Cristo, buscando o seu Reino, a Cidade de Deus!
Aos olhos de Deus e ignorados pelo o mundo, são incontáveis os Santos como testemunha São João "Ouvi ainda algo semelhante ao alarido de uma grande multidão ou ao rumor das águas do mar, ou ainda ao ribombar de grandes trovões E dizia: «Aleluia! O Senhor Nosso Deus, o Todo Poderoso, começou o seu Reinado! Alegremo-nos, rejubilemos, dêmos-lhes glória! porque chegou o momento das núpcias do Cordeiro a sua Esposa já está ataviada." Ap 19:6-7.
Ninguém pode impedir as núpcias da Igreja com Cristo, ainda que a cidade do homem persiga a cidade de Deus e a vitória esteja eminente, ruirá pois uma casa não se sustenta sobre a areia...
Resta a pergunta: Porquê que o Amor do homem a si mesmo é maior do que o Amor que tem a Deus..
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Igreja Santa Católica Apostólica Romana II
Nestes tempos decadência da cultura Ocidental, graças a acção de dois sistemas antagónicos, o panteísmo e a gnose, que lutam entre si um combate ilusório, com o único objectivo de destruir o Ocidente. Ilusório, porque o combate não tem vencedores, eles fecham o homem num circulo dialéctico no qual o este não escapa! Ambos absolutizam o homem e descuram a própria realidade, o ser.. motivados pela mentira do demónio "Sereis como Deuses"! A Igreja Católica como mestra das nações, nunca descurou da realidade, pois apoiada pela Fé, creu sempre na bondade e ordem deste, ainda que em tempos de perseguição! assim na Cristandade incentivou o seu estudo, impulsionando as ciências naturais, pela a observação e experiência. A Igreja Católica creu sempre na transcendência de Deus, confirmada pela Fé, e seguindo os princípios racionais da mente humana, como a lógica. Alicerçada neste verdade segura, pois iluminada pela Fé e Razão, desenvolveu o direito natural em harmonia com a realidade criada por Deus, legitimando as autoridade como fonte de direito, estas sempre em consonância com a fonte primária do direito, Deus, como São Paulo diz: "Todo poder vem de Deus" (Rom. XIII,1). A Igreja Católica, em consonância com a natureza do Homem, incentivou-o sempre a buscar os bens maiores ensinando os homens o caminho para Deus, através da oração pedindo os chamados dons do Espírito Santo,que segundo a Igreja são 7 os principais: Sabedoria, Entendimento, Fortaleza, Temor a Deus, Ciência, Piedade e Conselho. E através da prática de obras de Misericórdia, divididas em Obras Temporais:1ª. Dar de comer a quem tem fome; 2ª. Dar de beber a quem tem sede; 3ª. Vestir os nus. 4ª. Dar pousada aos peregrinos; 5ª. Assistir os enfermos; 6ª. Visitar os presos; 7ª. Cuidar dos que partem pela morte;
E Obras Espirituais:
1ª. Dar bom conselho; 2ª. Ensinar os ignorantes; 3ª. Corrigir os que erram; 4ª. Consolar os tristes; 5ª. Perdoar as injúrias; 6ª. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7ª. Rogar a Deus por todos os necessitados, tanto vivos como já passados para além do véu da morte.
Ordenando assim os bens, moderou sempre a busca de bens inferiores como os bens temporais que têm a força de corromper muitos homens, e que hoje provoca desigualdades tremendas entre os homens, além de moderar a busca desenfreada de riquezas que acabou por prejudicar o nosso planeta.. A Igreja Católica à imagem da própria criação, que serve todo o tipo de organismos vivos pela sua ordem que permite a existência de vida e a fruição de muitos bens como as flores, árvores, frutos, etc.. faz fruir nos homens os maiores bens, como a caridade, a Justiça, Sabedoria, etc.. transformando os homens em anjos, em estrelas, e estes iluminando, construindo e servindo a sociedade humana durante séculos, acabaram por fazer despontar a Civilização Ocidental, no qual se destacaram os Santos! A Igreja Católica à imagem das belas Catedrais construiu a Civilização Ocidental inspirada pelo Evangelho e ajudada pela Filosofia Grega e o Direito Romano, tendo como alicerce e fim, o Sumo Bem, Deus, pois só o Bem por excelência encherá o homem até às suas entranhas de sentido e de amor..
Se hoje é fácil de prever tempos difíceis no futuro próximo, é porque a civilização Ocidental está de rastos, já não há homens suficientes para carrega-la, porque Deus nunca esteve tão longe, afastado pelas sociedades actuais laicistas, que revoltam-se contra Deus, e proclamam a autonomia do Homem e do seu império. Assim, Deus fonte de Luz e Calor, de Verdade e o Amor, afastou-se, respeitando a liberdade do Homem, ainda que este seja imperfeito, devido ao primeiro pecado dos nossos pais.. No entanto a Luz de Cristo, nunca deixará de reluzir para aqueles que procuram a verdadeira Redenção pois foi o próprio Cristo que disse “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7, 7:8) A Civilização Ocidental salvar-se-á apenas com a Cruz de Cristo, e "sob esse símbolo vencerá"!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Igreja Santa Católica Apostólica Romana
Neste post vimos que a Igreja é a esposa de Jesus Cristo, pois Cristo é a sua cabeça e deste modo a Igreja é Santa tal como rezamos no Credo! Foi a partir desta concepção da união entre Cristo e a sua Esposa, a Igreja, que São Paulo concebeu o casamento Católico, e a sua inviolabilidade e monogamia! Fundamento para a base da Família Natural e Católica, pois é imprescindível para a formação de um ser humano integral, tal como a união plena da Igreja com Cristo, é imprescindível para a Santidade!Hoje no entanto esta concepção de Família é muito atacada, a indissociabilidade do casamento é hoje apelidada de retrograda, e a família heterosexual é tida apenas por uma, entre as várias formas de família, como isso fosse evidente e aceitável! A irracionalidade é tanta, que os propagadores destes movimentos gays e feministas chegam ao ponto de afirmar, que eles é que são de facto livres! Como o acto de ser livre, fosse a capacidade de fazer o mal, e não o bem.. Já Isaías dizia "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!"(Isaías 5:20) O conceito de família natural, é pois um dos pontos nos quais os inimigos do Ocidente mais atacam, pois o marxismo a vê como mais uma forma de propriedade privada e fonte de direito, como é o casamento,a paternidade e a maternidade a ela associada! E estes direitos contrapõem, ao direito do mais forte (estado marxista), assim aniquilam o "ser humano" com toda a inteligibilidade do bem inerente a ele através da sua ideologia materialista, transformando-os em simples indivíduos, que só têm a sua razão de ser, submetendo-se ao colectivismo, onde retirarão a força e o poder, fonte de todo o direito nas sociedades ultra-liberais, dando origem ao comunismo.
Por isso o marxismo cultural, enfraquece o ocidente impondo leis ultra-liberais como o aborto, desprotegendo o mais fraco em prol da vontade do mais forte, tal como, as massas fizeram e poderão vir a fazer, através da força derrubando autoridades e direitos até à conquista final do poder, do estado, eliminando os indivíduos mais fracos, que obstruem a sua vontade. Pois um individuo só tem valor pela sua utilidade em prol da vontade do mais forte, e infelizmente o Ocidente já sucumbiu pelo o aborto e eutanásia, e assim deixou de defender a inviolabilidade da vida de uma pessoa humana, ainda que não nos pertence, ainda que não seja a nossa propriedade! Assim acontece com o feto, se não for útil ao mais forte, é morto! Esta é a concepção da Justiça materialista.. Justiça é a vontade do mais forte! O Marxismo além de uma concepção de Justiça pérfida, também trilhou uma visão gnóstica deste mundo, pois nega a bondade das leis do mundo, e com isto, a existência destas, absolutizando a vontade do homem como legislador do universo! Em nome da redenção do homem, este quer construir uma utopia igualitária, assim impõe leis anti-naturais como o homossexualismo, o aborto, os movimentos femininos que pregam a liberdade da mulher em relação à sua própria natureza, assim ter filhos e marido seria uma escravidão! Os movimentos verdes radicais que são contra o desenvolvimento, e negam a dignidade superior do homem em relação ao universo material, e em casos extremos o extermínio do próprio homem. Assim todos estes movimentos marxistas tem como fim, desprezar o bem! e isto acontece porque a realidade não condiz com as suas ideias igualitárias e materialistas. Ou seja, acabam por ter uma visão gnóstica do mundo, a realidade é má..
Resumindo, o Marxismo está muito aquém de cumprir o que promete, no entanto é a arma mais perigosa que os inimigos do Ocidente têm, pois a sua eficácia e o seu principal objectivo não visa aquilo pelo quais as massas manobradas lutam! mas sim a destruição das autoridades estabelecidas, por outras controladas pelo marxismo, para impor o seu estado totalitário fortalecido pela força! Pois como acima já foi explicado, "O fim justifica os meios" pois "A justiça é do mais forte" A utopia, no entanto permanece na mente das massas a atormenta-las, mas agora controladas a ferro! Esta serve apenas para enganar as massas pela demagogia, pois estas não conhecem a realidade, a natureza das coisas, Deus..
Enquanto a Igreja não for perseguida, o Ocidente ainda lutará para resistir a este ataque civilizacional, pois a as bases do Ocidente são a razão e o direito, fortalecidos pela Fé! Quando o Homem deixa de crer na bondade do mundo, e em consequência em sim mesmo, a razão é assassinada! Igreja Católica, Mãe do Ocidente, infelizmente este está em decadência por abandonar a sua mãe, mas esta continua ainda hoje a proteger os seus filhos de todos os ataques permanecendo fiel a Cristo. O seu zelo levou-a construir defesas e fortalezas contra todo o tipo de ataques, que o Ocidente sofreu ao longo de 2000 anos. Fortalezas como a Família, o valor sagrado da vida, ou a ênfase na razão e na Fé, como duas asas que nos elevam ao céu, entre tantas outras hoje infelizmente já em ruínas. Sabemos que muitas destas defesas serão abandonadas, ao ponto da própria Igreja chegar a ser ocupada pelos inimigos, mas ainda que todas as muralhas e defesas forem destruídas, e com estas o que restar do Ocidente, será nessa mesma hora que Cristo expulsará todos os seus inimigos da sua casa cumprindo a sua palavra "As portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja." (Mateus 16.18), e a hora do maior desespero, será a hora da maior alegria! Tal como a Cruz de Cristo anunciou a sua vitória!
