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terça-feira, 6 de julho de 2010

A União Europeia e a mulher coroada com Estrelas

Fonte: http://milesecclesiae.blogspot.com/


Corria o ano de 1830 quando Nossa Senhora apareceu para uma jovem irmã vicentina residente em Paris chamada Catarine Labouré. A Virgem, que se apresentou como Nossa Senhora das Graças, pediu-lhe que mandasse cunhar medalhas reproduzindo a imagem que ela via. Assim se fez, surgindo a grande devoção da Medalha Milagrosa.

Num dos lados, a medalha mostra a imagem de Maria com o globo sob os pés e raios saindo de suas mãos e tendo ao redor a inscrição "Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a vós". Do outro lado, a cruz de Cristo e o M de Maria e dois corações: um coroado de espinhos, outro trespassado por uma espada. E ao redor de medalha, 12 estrelas - lembremo-nos de Apocalipse 12,1: "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de 12 estrelas."

Pois bem, em 1950 o Conselho da Europa, instituição criada para trabalhar pela unidade europeia, promoveu um concurso para escolher a bandeira de uma futura Europa unida. O vencedor foi o desenhista francês Arsené Heitz, que propôs um círculo de 12 estrelas sobre um fundo azul. Anos mais tarde ele explicou que a inspiração surgiu quando adquiriu uma Medalha Milagrosa - ele, que rezava o terço todos os dias. O azul é a cor tradicionalmente associada a Maria desde tempos muito antigos e as estrelas são referência à Coroa da Rainha do Céu.

Curiosamente nunca houve uma associação entre o número de estrelas e o de países componentes da União Europeia, pois quando a bandeira foi oficial adoptada (em 8 de Dezembro de 1955), havia 15 países no Conselho da Europa. Vocês prestaram atenção à data em que a bandeira foi oficializada? 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós). Diante das críticas referentes à diferença entre o número de estrelas e o número de países, Heitz justificava que esse número simbolizava a unidade, pois eram 12 os apóstolos, 12 as tribos de Israel, etc.

A Selecção da Itália e o Manto de Maria

Outra referência oculta a Nossa Senhora está na cor da camisa da selecção italiana de futebol. O azul, que não aparece na bandeira da Itália, vem da antiga bandeira da Casa de Saboia, importante família da nobreza do país. No século XVI a bandeira da família ganhou essa cor para pedir protecção a Nossa Senhora. Esse estandarte familiar foi depois adoptado pela República Italiana como bandeira oficial dos presidentes, mas já era a cor do uniforme da Azzurra.

As informações são de Vittorio Messori no livro Hipóteses sobre Maria.

sábado, 19 de junho de 2010

O declínio da Europa

por Anselmo Borges

Não faz falta o pessimismo para sentir perplexidade e desalento face ao futuro da Europa. Jorge Semprún, por exemplo, esse grande espírito europeu, não sabe se o euro vai desaparecer, mas diz que é possível que desapareçam várias aquisições e teme o pior, pois precisamente "o pior é possível, incluindo a desarticulação europeia". E proclama: depois do esgotamento da luta contra o passado nazi e fascista, de um lado, e contra o totalitarismo Estalinista, do outro, "a Europa precisa de um novo motor ideológico e moral".

Donde vem a crise? Já em 1918, Oswald Spengler escreveu a obra polemicamente célebre: A decadência do Ocidente. De modo agudo, o eminente filósofo Edmund Husserl pronunciou, em Maio de 1935, em Viena, uma conferência famosa, subordinada ao tema A crise da humanidade europeia e a filosofia. A crise, segundo ele, deriva do positivismo, portanto, da redução das ciências ao puro conhecimento dos factos, esquecendo a subjectividade. Esta crise das ciências exprime a crise ético-política, dos valores e do sentido. A ciência positivista nada tem para dizer-nos: "As questões que ela exclui por princípio são precisamente as questões mais escaldantes na nossa época desgraçada para uma humanidade abandonada aos sobressaltos do destino: são as questões que dizem respeito ao sentido ou ausência de sentido de toda esta existência humana."

Claro que a nossa crise europeia tem a ver com a crise económico-financeira mundial, com a chegada ao palco da história dos países emergentes, como a China, a Índia, a Rússia, o Brasil, a África do Sul, com problemas globais que só poderão encontrar solução no quadro de uma governança global. Mas o que tem feito a União Europeia para se tornar uma real União, com um projecto sólido económico-político, e não simples consórcio de negócios? Sobretudo, onde está a alma da Europa e os valores capazes de a cimentarem?

Como escreveu Theodor Dal- rymple, em Março passado, em The American Conservative, "num certo sentido, a Europa nunca esteve tão bem. Os progressos em termos de saúde e de riqueza foram prodigiosos. Apesar destes êxitos, há como que uma atmosfera de declínio. Os europeus, que nunca foram tão prósperos, olham para o futuro com temor, como se tivessem uma doença oculta que ainda se não tivesse manifestado mas devorasse já os seus órgãos vitais. Deus morreu na Europa e a sua ressurreição é pouco provável, excepto talvez na sequência de uma catástrofe. No entanto, nem tudo foi perdido na atitude religiosa. Cada indivíduo vê-se sempre como um ser único na sua importância, mas já não tem esse contrapeso da humildade própria de quem se sente um dever para com o seu Criador. Acima de tudo, a maior parte dos europeus já não crê num grande projecto político. Este miserabilismo leva a uma mistura de indiferença e de ódio face ao passado." E, depois de se interrogar sobre se os americanos terão algo a aprender com tudo isto, o autor conclui: "Uma sociedade moderna sã deve saber tanto manter-se como mudar, tanto conservar como reformar. A Europa mudou sem saber conservar: essa é a sua tragédia."

Com a morte de Deus, criou-se um vazio. Os europeus instalaram-se no ter e no prazer. Sem Deus, onde está o sentido que dá unidade? Não se pode esquecer o que já Nietzsche anteviu. O louco, em A Gaia Ciência, proclama "a grandiosidade do acto" de matar Deus, mas também pergunta: "Para onde vamos nós? Para longe de todos os sóis? Será que ainda existe um em cima de um em baixo? Não andaremos errantes através de um nada infinito? Não estará a ser noite para todo o sempre, e cada vez mais noite?" E Nietzsche, ele mesmo, sete anos antes de se afundar na noite da loucura, escreveu a Ida, mulher do seu amigo Overbeck, advertindo-a para que não abandonasse a ideia de Deus: "Eu abandonei-a, quero criar algo de novo, e não posso nem quero voltar atrás. Desmorono-me continuamente, mas não me importa". Sem Deus nem eternidade, na ditadura do presentismo consumista, hedonista, individualista, apenas restam instantes que se devoram na voragem do efémero.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Reforma da Igreja

O avanço do secularismo na sociedade Ocidental, no qual a própria Igreja foi arrastada, ou virada, depois do concílio vaticano II, no qual é flagrante na liturgia cada vez mais pobre, porque cada vez mais virada para o homem, urge hoje uma resposta da Igreja, pois ela própria corre o risco de auto-destruir, ainda que Cristo não deixe! O secularismo no seio da Igreja não é novo, e por isso nem os escândalos dos seus membros são novos! Antes do renascimento do século XI da Cristandade na Europa, os cargos religiosos estavam como que submersos sob o poder temporal! O que despontava muitos escândalos como o Nepotismo, Simonismo(venda de cargos) ou Nicolaísmo (concubinagem), tal como hoje são os de pedofilia.. e tal como no passado o problema é o mesmo.. é a secularização da Igreja, se no passado a Igreja estava dependente do poder temporal, para assegurar um pouco da sua liberdade num tempo violento e de insegurança, hoje está submerso nas opiniões temporais e de moda, e em detrimento da Verdade eterna!

A Igreja no século XI, começou a libertar-se do jugo do poder temporal e a prosseguir uma linha, uma reforma, que contemplava o separar de águas entre o poder temporal e espiritual, que culminou no Didactus Papus de 1075 do Papa Gregório VII. Este sacralizar da vida temporal com a instituição das Tréguas de Deus, com a instituição da Paz de Deus, que proibia as guerra em determinados dias, a elevação do poder espiritual sob o temporal com a autonomia do poder da Igreja submisso ao Papa e não aos senhores, contribuindo para o enfraquecimento do nepotismo e simonismo, também a vitória do Papado sobre o Imperador na vocação do poder universal. A instituição do celibato para combater nicolaísmo, e a reforma litúrgica que homogeneizou o rito Gregoriano em toda a Cristandade. Esta reforma foi tão importante para o desenvolvimento da civilização Europeia, que é um dos pontos principais que hoje define, o que chamámos de Ocidente!

A reforma Gregoriana do século XI, levou o mundo a um dos maiores expansões civilizacionais de toda a história, no qual a Europa descolou sob todas as outras regiões e civilizações de então.
A Igreja também hoje só tem um rumo, desembaraçar do que é perecível e temporal, e voltar outra vez para a Verdade, que não muda, foi este pensamento universal e sacro, que fez também despontar as universidades na Europa! Por isso vejo com bons olhos a reforma liturgia empreendida por este Papa, reformando a Liturgia actual que já não é do meu tempo, mas dos anos 60, e voltando para a liturgia milenar da Igreja que desenvolveu com o conhecimento da revelação, e por isso sempre fiel à verdade da Fé que não muda, porque eterna!

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Estado e a Igreja Católica II

Tanto o liberalismo e o comunismo, são frutos da mesma árvore má, e da mesma língua serpentina! Ambos formam um ciclo perfeito nos quais as democracias liberais de hoje estão presas, e a fictícia luta entra estas duas forças só levam a um caminho, o enfraquecimento e a própria destruição da civilização, neste caso Europeia.. os poderes e as elites ocultas só estão à espera que as sociedades dêem o seu golpe de misericórdia a si próprias, para tomarem de vez, e ás claras as rédeas do poder para o nascimento de uma outra civilização, liderada por novos poderes e autoridades, fundamentados em novas crenças. A Igreja Católica como símbolo máximo e mãe do Ocidente, ironicamente é violentamente atacada e ridicularizada pelos seus próprios filhos. Para que não reste dúvidas condenarei sempre os actos pedófilos e o seu encobrimento, no qual os membros culpados da Igreja, têm muito para responder perante a Justiça e Deus. No entanto é pena que o Ocidente odeia-se tanto a si próprio como filho da Igreja, para querer que esta morra de vez, ainda que Deus não o permita! No Ocidente, ninguém se pergunta porque isto acontece, só estão interessados em condenar a Igreja e a sua moral..
Mas quando algum membro da Igreja como Cardeal Camillo Ruini que atribui a génese deste galopante número de casos de violações no Ocidente à Revolução Sexual dos anos 60 explicando que "quando a exaltação da sexualidade invade todo espaço da vida e quando se reivindica a autonomia do instinto sexual de todo tipo de critério moral, torna-se difícil explicar que determinados abusos são absolutamente condenáveis" ou até o Papa que condenou o uso do preservativo em África, este impulsionado pela revolução sexual dos anos 60, explicando que o preservativo deforma o acto sexual entre duas pessoas, transformando-o num acto egoísta que converte o parceiro num objecto de uso técnico.. o Ocidente escandaliza-se e ataca a Igreja!
Assim augúrio que o Ocidente cavará a sua própria cova e o catolicismo regredirá muito, enquanto as elites ocultas tomarão o poder público tão ambicionado!
O Ocidente, principalmente a velha Europa, que constantemente nega a si própria e as suas raízes, é constantemente iludida por lutas ideológicas, como se o mundo que cada um vivesse não fosse o mesmo, e a verdade não fosse una! as elites 'iluminadas' e ocultas europeias, incentivando o confronto ideológico estão a construir um império à revelia do povo europeu, o que está a enfraquecer e muito a cultura Europeia essencialmente Cristã e a própria sociedade Europeia! Outrora unida pelo poder Espiritual da Igreja, no tempo da Cristandade, hoje a Europa, tentam construir um império temporal, que ruirá como todos os impérios temporais entre lutas internas do homem pelo poder tal qual o Império Romano..