quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sancta Missa

Tive a graça de poder ir ao Workshop em Fátima sobre a Missa Gregoriana1 segundo o Missal de 1962, e por isso vou tentar descrever um pouco da minha experiência, só o faço agora porque não tive tempo (Setembro - inicio de aulas) . Os momentos altos de todos os dias foram sem dúvida as missas Gregorianas, com excepção de um dia, que foi rezada a missa segundo o rito Bracarense, que à primeira vista aparenta ter poucas diferenças com o rito gregoriano, principalmente para quem não conhece um pouco de latim, no nosso caso tivemos a sorte de ter sido dedicada uma conferência sobre o rito Bracarense antes da missa, que elucidou-nos sobre as diferenças e a sua história. Uma diferença que ficou-me na memória é uma oração inicial dirigida à nossa Santa Mãe logo no inicio do rito Bracarense, que o rito Gregoriano não têm.
Antes de mais tenho que dizer, que foi a primeira vez a assistir ao rito Bracarense, mas mais importante ao rito Gregoriano que pertence à Igreja Universal, e foi logo 3 missas deste último, e ainda bem, pois para uma pessoa habituada a assistir à Missa segundo o Novus Ordo Missae, que é o caso da grande maioria dos Católicos, dificilmente alguém conseguiria em tão pouco tempo adaptar a sua compenetração a este novo rito, ou melhor dizendo - antigo rito, que é muito profundo.. a diferença, não sei se exagero, parece-me igual aquela que é descrita por Platão, no mito da caverna no qual o homem habituado a ver na escuridão da caverna iluminada por um feixe de luz, tem que adaptar a visão quando sai da caverna e depara-se com a luz solar fechando os olhos para os não danificar, demorando ainda um pouco a poder contemplá-la em toda a sua beleza.
Comigo aconteceu um pouco isso, a verdade é que a 1º missa que assisti no rito gregoriano, logo no 1º dia fiquei incomodado pelo "muito tempo" de silêncio, que na altura pensei ser demasiado, pois como já disse estou habituado ao Novus Ordo Missae. No entanto por coincidência, logo no dia a seguir, numa conferência no qual o Rev. Cón. Frank Philips falava sobre a história da sua comunidade, que foi salva pela liturgia do rito gregoriano voltando a encher a sua Igreja de fiéis, disse que normalmente os fiéis que estão habituados ao Novus Ordo Missae e assistem pela 1º vez ao rito gregoriano, acabam por ficar incomodados com o silêncio que não estão habituados na nova liturgia e muito menos na nossa sociedade de barulho, e por isso nesses momentos de silêncio mais longos não sabem muito bem o que fazer. Assim clarificou a minha dúvida sem saber, dissipando as minhas nuvens com a sua explicação.
Mas que ninguém se engane por estas pequenas nuvens, a transcendência que imana do rito gregoriano irradia como o sol, a começar pela arte humana, como os gestos e reverência cuja a dignidade destes, nenhum Rei da Terra a tem, da arte musical com o canto gregoriano que não tem descrição tal a pureza e paz que transmite, da beleza dos paramentos e os seus símbolos explicados ao longo do workshop, a elevação do incenso ao céu que lembra-nos as nossas orações dirigidas a Deus, e o seu cheiro que convida à continência e temperança.. e o silêncio do mistério que nos convida a orar para Deus. Quanto à arquitectura e o embelezamento interno das Igrejas feitas para o rito gregoriano e do rito novo, em Fátima qualquer um pode contemplar as diferenças, olhando para o Santuário de Fátima e para trás, para a feia Igreja da Santíssima Trindade, com capacidade para 3175 lugares, só não tem para lugar para Cristo e o seu sacrário tal como aconteceu em Belém.
Por último não podia faltar o latim, e como os cónegos disseram nós temos uma vantagem em relação aos nossos avós, é que sabemos as traduções da maior parte do que o Padre reza com pequenas diferenças, tanto em voz alta e mesmo o que reza para si, pois o ouvimos todos os domingos nas missas do Novus Ordo Missae já há quase meios século. Mas a importância do latim deriva, de ser a língua da Igreja e por isso do Reino de Deus, ser a língua que rezada na liturgia em todo o mundo, conserva melhor a unidade da Igreja, e permite uma maior obediência dos Padres ao canon da Igreja no que se refere à liturgia.
Assistir a estas 4 missas, foi por isso como um subir de escadas, um sair da caverna, pois cada vez mais mergulhava mais profundo na sua essência, cada vez mais a contemplava melhor, cada vez mais parecia que atingia um novo céu! Não saberia onde iria parar se continuasse a assistir todos os dias, sei apenas que os Santos ao longo dos séculos continuamente a assistiram e continuamente mergulharam na sua profundidade, mas ainda assim para eles, permaneceu o mistério do Deus Homem que se faz Pão e Vinho, tal é a Sua Grandeza, Profundidade e Brilho que nem todas as vidas humanas chegariam para desvendar este mistério, que apenas se revela no Céu, quando o virmos Face a Face!


1- Mais conhecida incorrectamente por Missa Tridentina ou rito Tridentino

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